
Durante o regime nazista, os judeus foram alvo central de perseguição. Décadas depois, nos Estados Unidos, o macartismo promoveu uma intensa repressão a artistas, cientistas e intelectuais, muitos deles judeus, acusados de envolvimento com o comunismo e com uma suposta “conspiração judaico-bolchevique”.
Entre os nomes afetados estavam Herbert Biberman, Albert Maltz, Lillian Hellman, Julius Epstein, Zero Mostel, Daniel Dammett, Howard Fast, Leonard Bernstein, J. Robert Oppenheimer, Edward Condon, Julius e Ethel Rosenberg.
Recentemente, a Universidade da Califórnia em Berkeley encaminhou ao Departamento de Educação dos EUA uma lista com 160 nomes de alunos, professores e funcionários, em resposta a uma solicitação do Escritório de Direitos Civis sobre denúncias de antissemitismo. Segundo comunicado oficial, o envio dos documentos atende a obrigações legais de cooperação com a agência federal.
No Brasil, a Confederação Israelita do Brasil (CONIB), em parceria com a Federação Israelita de São Paulo e seu Departamento de Segurança Comunitário, divulgou em abril de 2025 um relatório registrando 1.788 casos de suposto antissemitismo e mais de 84 mil menções na internet classificadas como antissemitas. A entidade atribui parte do crescimento desses casos a ações de grupos de esquerda. Qualquer crítica ao genocídio de Gaza entra nessa classificação.
Entre os episódios recentes, destacam-se ações judiciais movidas pela CONIB contra o jornalista Breno Altmann, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. e a diplomata Cláudia Assef. Em todos os casos, decisões judiciais ou do Ministério Público entenderam que as declarações estavam dentro dos limites da liberdade de expressão ou se tratavam de críticas políticas, não configurando crime.
Também fui alvo de críticas por não ter me manifestado sobre declarações de Paulo Nogueira Batista Jr., e mais recentemente, por um artigo em que menciono, como uma das hipóteses para o voto do ministro Luiz Fux no STF, suas relações com setores da direita judaica. O texto buscava discutir a atuação política de organizações representativas da comunidade judaica, como a CONIB, e seu alinhamento com grupos políticos conservadores.
Reconheço que o tema exige cuidado e que, se as ressalvas feitas no artigo não foram suficientes para distinguir entre críticas políticas e questões identitárias, estou aberto à revisão. Recebi manifestações de amigos judeus progressistas, cujas opiniões respeito, e que consideraram excessiva a ênfase na origem judaica do ministro.
Pouco antes desse episódio, entrevistei o físico Paulo Alberto Nussenzveig, pró-reitor de pesquisa da USP, filho de Herch Moysés, físico fundamental, e sobrinho de Victor e Ruth Nussenzweig, cientistas exilados durante a ditadura que contribuíram para o desenvolvimento da vacina contra a malária. A entrevista foi uma homenagem à contribuição de cientistas judeus à ciência brasileira, como Mário Schenberg, César Lattes, Jayme Tiomno e Yvonne Primerano Mascarenhas.
Apesar disso, fui rotulado como antissemita em redes sociais. Não escrevo este texto como queixa pessoal, mas como alerta à comunidade judaica brasileira — especialmente aos setores progressistas — sobre os riscos de uma atuação institucional que, ao tentar combater o antissemitismo, pode acabar gerando reações adversas e contribuindo para o aumento da intolerância.
A comunicação adotada por algumas dessas entidades tem sido pouco eficaz. Em vez de promover o diálogo, muitas vezes reforça divisões. A crítica à cobertura internacional do conflito Israel-Palestina, por exemplo, ignora a desproporção de vítimas e a necessidade de empatia com civis palestinos. A ausência de manifestações públicas equilibradas por parte de lideranças judaicas brasileiras contribui para a polarização e para o fortalecimento de discursos conspiratórios.
Casos como os dos professores Reginaldo Nasser e Bruno Huberman, denunciados à Fundação São Paulo por suposto antissemitismo, geraram reações contrárias, como o manifesto de apoio assinado por 121 docentes da PUC-SP. A pesquisadora Arlene Clemesha, da USP, também foi alvo de ataques após abordar, de forma acadêmica, os conceitos de antissemitismo e antissionismo.
A pressão interna parece ter silenciado até mesmo vozes progressistas diante de ações do governo Netanyahu. Esse silêncio pode ser interpretado como conivência e acaba por alimentar teorias conspiratórias, além de comprometer o capital moral acumulado pela comunidade judaica ao longo da história.
Em entrevista ao Jornal GGN, o diplomata Marcos Azambuja alertou que esse capital está sendo perdido. É fundamental que lideranças da comunidade judaica brasileira promovam uma reflexão interna e contribuam para restaurar o equilíbrio e o bom senso no debate público.
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Rui Ribeiro
16 de setembro de 2025 7:06 pmPir falar em anti-$ionismo, o jabuti colocado na árvore do FBI pelo Trump disse que não há informações confiáveis de que Epstein traficava mulheres para terceiros.
Há informações mas elas são desconfiáveis.
Quem decide o que é e o que nao é confiável?
Jaime
16 de setembro de 2025 8:27 pmMinimizar ou negar a onda de antissemitismo global é outra péssima posição. O que não faltam hoje são antissemitas disfarçados de antissionistas.
E Nassif fez mesmo ilações sobre Fux e judaísmo? Outra decepção. Embora esteja coerente com o apoio a Paulo Nogueira Batista Jr. e José Genoíno quando não conseguiram esconder seus racismos. “Ah, mas temos amigos judeus e até entrevistamos judeus.” Páre.
Rui Ribeiro
17 de setembro de 2025 6:10 amDentro de U$rael tá cheio de Anti-$ionistas. Em outras palavras, grande parte dos Semitas é Anti-Semita
Então ao existe anti-$ionismo sem anti-semitismo?
Os Árabes são semitas. Os $ionistas odeiam e massacram os Árabes. Logo, elas são anti-semitas.
Nem todo semitas tem a inteligência de Marx e de Einstein
Jader Martins
16 de setembro de 2025 8:30 pmInteressante! Não encontrei em seu texto uma única vez a palavra genocídio. Por que?
NELSON VIANA DOS SANTOS
17 de setembro de 2025 6:53 amNassif está correto pelo alerta direcionado aos judeus e judias progressistas, que são muitos e muitas e merecem nosso reconhecimento e respeito. O problema é que hoje, vemos isso na mídia, qualquer crítica ao governo atual do estado de Israel é denunciado como antissemitismo. Não é preciso ter uma inteligência acima da média para constatar que essa prática tem por objetivo silenciar as vozes críticas ao massacre genocida promovido pelo governo israelense em Gaza. Em sua obra monumental sobre o nazismo, o historiador inglês Richard Evans afirma que a estrada que levou ao Holocausto foi construída com ódio e pavimentada pela indiferença. No caso, da população alemã, que tolerou a violência contra os judeus. Quem dá de ombros, é indiferente ou defende o massacre de pessoas desarmadas, a maioria crianças e mulheres, tem uma deformação moral, seja na Europa do século XX, seja em Israel e no mundo no século XXI.
Rui Ribeiro
17 de setembro de 2025 7:58 amCriei um nojo profundo da hipocrisia desses ratos asquerosos:
“Reitero a minha posição de que aqueles que celebram a morte de pessoas inocentes não merecem emprego. Se ainda vivemos em uma democracia e o Estado de Direito existe, estou amparado pela lei no meu pleito.” – Um Rato da Extrema-Direita
“A questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos. Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores. Ela, mais do que qualquer outra pessoa de ‘longe da favela’, sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais transacionava (…) Qualquer outra coisa diversa é mimimi da esquerda tentando agregar valor a um cadáver que é tão comum quanto qualquer outro”.
“Teve um dia que estava sendo votado lá em BH o ‘Dia da Marielle Franco’. Eu falei: primeiro que nós estamos em BH. Então assim, caguei para a Marielle. Segundo: ela não é uma pessoa flor que se cheire. Não é porque morreu que virou santo”.
Rui Ribeiro
17 de setembro de 2025 10:51 am“Charlie Kirk não merecia ser assassinado. Mas estou impressionado ao ver as bandeiras dos Estados Unidos da América a meio mastro, convocando esta nação a honrar e venerar um homem que foi um racista convicto e passou toda a sua vida semeando sementes de divisão e ódio nesta terra.
Me diga que eu deveria ter compaixão pela morte de um homem que não tinha respeito pela minha própria vida. Desculpe, mas não há nenhum lugar na Bíblia onde somos ensinados a honrar o mal. E como você morre não resgata a forma como você viveu. Você não se torna um herói em sua morte quando você é uma arma do inimigo em sua vida”. – Pastor Howard John-Wesley
Diz aí, Nikolas. Denuncia o Pastor Howard para o Trump. Pede para o Trump degredá-lo, Seu Ratinho de Esgoto.
dan.schneider
17 de setembro de 2025 11:30 pmCaro Nassif,
A extrema direita israelense é cara e focinho da brasileira:
A violencia é fim e meio.
Sua estrategia é dividir para governar e para isso atribui aos seus inimigos o que ela diligentemente semeia, cultiva e colhe: odio, medo, conflitos interminaveis, morte.
Amalek tem muitas caras e nomes.
E faz isso com muita competencia.
Sob o (in)competente e suspeito governo da extrema direita israelense, debaixo do nariz do Mossad e do Tzahal o Hamas assassinou mais de mil civis em poucas horas. Sob o (in)competente governo da extrema direita israelense o antisemitismo&antisionismo se expande aceleradamente por todos os recantos do planeta; sob o (in)competente governo da extrema direita israelense o pais se dividiu e o odio entre judeus provoca odio, medo, conflito. O assassinato de Rabin por um extremista judeu foi um preambulo. Agora eles estao no poder. Sob o (in)competente governo da extrema direita Israel esta se tornando um paria internacional; sob as botas do (in)competente governo da extrema direita israelense a agenda Eretz Israel esta sendo implementada com a expulsao e assassinato de um povo e a continua morte de jovens soldados.
O nacionalismo e o estado de Israel se tornaram mais sagrados que os valores humanistas judaicos.
Nao ha bom senso em esperar bom senso de fascistas.
dan.schneider
17 de setembro de 2025 11:31 pmCaro Nassif,
A extrema direita israelense é cara e focinho da brasileira:
A violencia é fim e meio.
Sua estrategia é dividir para governar e para isso atribui aos seus inimigos o que ela diligentemente semeia, cultiva e colhe: odio, medo, conflitos interminaveis, morte.
Amalek tem muitas caras e nomes.
E faz isso com muita competencia.
Sob o (in)competente e suspeito governo da extrema direita israelense, debaixo do nariz do Mossad e do Tzahal o Hamas assassinou mais de mil civis em poucas horas. Sob o (in)competente governo da extrema direita israelense o antisemitismo&antisionismo se expande aceleradamente por todos os recantos do planeta; sob o (in)competente governo da extrema direita israelense o pais se dividiu e o odio entre judeus provoca odio, medo, conflito. O assassinato de Rabin por um extremista judeu foi um preambulo. Agora eles estao no poder. Sob o (in)competente governo da extrema direita Israel esta se tornando um paria internacional; sob as botas do (in)competente governo da extrema direita israelense a agenda Eretz Israel esta sendo implementada com a expulsao e assassinato de um povo e a continua morte de jovens soldados.
O nacionalismo e o estado de Israel se tornaram mais sagrados que os valores humanistas judaicos.
Nao ha bom senso em esperar bom senso de fascistas.