
O Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) enfrenta sucessivas pressões políticas vindas da Casa Branca, uma vez que Donald Trump insiste em cortes agressivos nas taxas de juros.
O presidente norte-americano chegou a sugerir uma redução de até três pontos percentuais, e tem atacado publicamente o presidente do Fed, Jerome Powell.
A motivação para o corte dos juros é reduzir os custos da dívida pública, que dispararam por conta da inflação persistente e das dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana.
Apesar da queda significativa da inflação, de mais de 9% em 2022 para os atuais 2,9%, sinais de alta voltaram a aparecer.
Além disso, as tarifas impostas recentemente por Trump pressionam o custo das importações, o que pode reacender a inflação. Nesse cenário, cortar juros pode ter efeito contrário ao esperado por Trump, elevando os custos de endividamento.
Em artigo publicado no Project Syndicate, os economistas Mark Blyth e Nicolò Fraccaroli citam pesquisas mostrando que a relação entre juros altos e queda da inflação é mais fraca e lenta do que se supunha.
Ao mesmo tempo, parte da desaceleração nos preços veio da normalização das cadeias globais e da redução nos custos de energia, e não apenas da política monetária restritiva.
Os economistas também apontam o efeito social: famílias de baixa renda sofrem duplamente, tanto com a inflação quanto com o aumento das dívidas e risco de desemprego. Estudos do Federal Reserve Bank de Boston indicam que uma alta de 25 pontos-base pode elevar a desigualdade de renda do trabalho em até 3% em quatro anos.
Para os articulistas, um corte de juros neste momento não é algo ruim – mas que, ao invés de se debater os custos sociais das taxas, existe uma batalha política em torno da independência da autoridade monetária norte-americana.
“O risco é que, ao parecer ceder à pressão política, o banco central se veja em um beco sem saída: resistir e impor mais sofrimento aos pobres, ou ceder e dar a impressão de estar enfraquecido diante da Casa Branca”, alertam.
Rui Ribeiro
17 de setembro de 2025 12:31 pm“Em artigo publicado no Project Syndicate, os economistas Mark Blyth e Nicolò Fraccaroli citam pesquisas mostrando que a relação entre juros altos e queda da inflação é mais fraca e lenta do que se supunha”.
O que o Galípolo acha dessa pesquisa?