8 de junho de 2026

Cortes agressivos de juros podem piorar economia dos EUA

Apesar da pressão de Donald Trump, economistas dizem que reduções agressivas podem agravar inflação e ampliar desigualdade social
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve. Foto: Flickr Federal Reserve.

O Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) enfrenta sucessivas pressões políticas vindas da Casa Branca, uma vez que Donald Trump insiste em cortes agressivos nas taxas de juros.

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O presidente norte-americano chegou a sugerir uma redução de até três pontos percentuais, e tem atacado publicamente o presidente do Fed, Jerome Powell.

A motivação para o corte dos juros é reduzir os custos da dívida pública, que dispararam por conta da inflação persistente e das dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana.

Apesar da queda significativa da inflação, de mais de 9% em 2022 para os atuais 2,9%, sinais de alta voltaram a aparecer.

Além disso, as tarifas impostas recentemente por Trump pressionam o custo das importações, o que pode reacender a inflação. Nesse cenário, cortar juros pode ter efeito contrário ao esperado por Trump, elevando os custos de endividamento.

Em artigo publicado no Project Syndicate, os economistas Mark Blyth e Nicolò Fraccaroli citam pesquisas mostrando que a relação entre juros altos e queda da inflação é mais fraca e lenta do que se supunha.

Ao mesmo tempo, parte da desaceleração nos preços veio da normalização das cadeias globais e da redução nos custos de energia, e não apenas da política monetária restritiva.

Os economistas também apontam o efeito social: famílias de baixa renda sofrem duplamente, tanto com a inflação quanto com o aumento das dívidas e risco de desemprego. Estudos do Federal Reserve Bank de Boston indicam que uma alta de 25 pontos-base pode elevar a desigualdade de renda do trabalho em até 3% em quatro anos.

Para os articulistas, um corte de juros neste momento não é algo ruim – mas que, ao invés de se debater os custos sociais das taxas, existe uma batalha política em torno da independência da autoridade monetária norte-americana.

“O risco é que, ao parecer ceder à pressão política, o banco central se veja em um beco sem saída: resistir e impor mais sofrimento aos pobres, ou ceder e dar a impressão de estar enfraquecido diante da Casa Branca”, alertam.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. Rui Ribeiro

    17 de setembro de 2025 12:31 pm

    “Em artigo publicado no Project Syndicate, os economistas Mark Blyth e Nicolò Fraccaroli citam pesquisas mostrando que a relação entre juros altos e queda da inflação é mais fraca e lenta do que se supunha”.

    O que o Galípolo acha dessa pesquisa?

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