10 de junho de 2026

União Europeia adia definição de meta climática para 2035

O documento, divulgado nesta semana, indica que a UE pretende reduzir entre 66,25% e 72,5% das emissões

A União Europeia (UE) voltou a adiar o anúncio de sua meta climática para 2035. A menos de dois meses da COP30, em Belém, os países do bloco decidiram apresentar, na próxima semana em Nova York, apenas uma carta de intenções em vez de um compromisso formal. O documento, divulgado nesta semana, indica que a UE pretende reduzir entre 66,25% e 72,5% das emissões até 2035, em comparação com os níveis de 1990, mas ainda sem força de obrigação.

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A medida é vista como uma forma de evitar constrangimento diante da reunião convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a Assembleia Geral. O encontro tem como objetivo dar visibilidade aos países que já apresentaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), instrumento central do Acordo de Paris.

COP30

As metas de 2035 — conhecidas como NDCs 3.0 — podem representar a última chance real de manter a meta global de limitar o aquecimento a 1,5 ºC. A ONU havia solicitado que os compromissos fossem entregues até setembro para inclusão em um relatório-síntese que será divulgado em outubro, às vésperas da COP30.

Até agora, apenas 34 dos 195 signatários do Acordo de Paris apresentaram seus planos. Entre os que ainda não cumpriram o prazo estão China, Índia, Rússia e os países da própria União Europeia — juntos, responsáveis por mais de 80% das emissões globais.

“Esperamos que a Presidência da COP30 use seu poder de articulação para pressionar a União Europeia e todas as Partes rumo ao mais alto nível possível de ambição”, afirmou ao g1 Andreas Sieber, diretor-associado de políticas globais da ONG 350.org. Ele, no entanto, alerta que, mesmo com avanços, as novas metas não devem ser suficientes para manter o limite de 1,5 ºC ao alcance.

Divisões internas

A expectativa era que o Conselho de Meio Ambiente da UE, reunido na quinta-feira (18), definisse a meta de 2035. Mas, após horas de discussões, os 27 ministros concordaram apenas em ajustes pontuais na carta de intenções.

O ministro dinamarquês do Clima, Lars Aagaard, que presidiu as negociações, disse que a UE “continuará sendo líder climático global”. Já o comissário europeu de Clima, Wopke Hoekstra, destacou que o acordo alcançado “permite caminhar com confiança para Nova York”.

Segundo fontes ouvidas pelo g1, a maioria dos países defende uma redução de 90% das emissões até 2040, considerada compatível com a ciência climática. Essa meta serviria como base para um objetivo intermediário em 2035. No entanto, persistem divisões: países mais dependentes de combustíveis fósseis e indústrias intensivas em energia, como aço e cimento, exigem salvaguardas; outros querem flexibilizar regras para setores como transporte e construção; e há debates sobre mecanismos de compensação de carbono.

Impasse

As divergências levaram França e Alemanha a se unir a Polônia, Itália e outros países para bloquear a adoção imediata da meta de 2040, adiando a decisão para a cúpula de líderes no fim de outubro. O impasse acabou travando também a definição da meta de 2035.

“A NDC [da UE] vem sendo discutida há meses no grupo de trabalho sobre meio ambiente (internacional) do Conselho da União Europeia. De propósito, os números foram deixados de fora porque sempre afirmamos que, primeiro, viria a emenda da Lei do Clima da UE com a meta para 2040”, explicou um porta-voz da Comissão Europeia.

Com isso, a União Europeia chega à vitrine da ONU em Nova York sem um compromisso fechado, aumentando a pressão para que, em Belém, os líderes consigam transformar intenções em metas concretas.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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