5 de junho de 2026

“Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, diz Lula, arrancando aplausos na ONU

Presidente rebate ataques dos EUA e aborda guerras, combate à fome, regulação das big techs, crise climática e reforma da ONU

O presidente Lula (PT) abriu na manhã desta terça (23) os debates da Assembleia Geral da ONU, que acontece em Nova York, nos EUA. Em seu discurso, Lula rebateu os ataques que o Brasil vem sofrendo dos Estados Unidos sob a presidência do republicano Donald Trump, tanto no campo econômico quanto no político. Lula arrancou aplausos quando disse que, com o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, “o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.”

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Além de rebater os ataques de Trump, Lula abordou o genocídio em Gaza, a guerra na Ucrânia e a instabilidade na América Latina; defendeu o multilateralismo, a taxação dos super ricos, o combate à fome global e a regulação das redes socias; e convocou a ONU a fazer uma autorreforma e a dar mais voz ao Sul Global, assim como tornar a questão da crise climática uma prioridade para todos os países.

Os principais pontos do discurso

Lula defendeu a independência do Poder Judiciário brasileiro e afastou a hipótese de anistia para o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. “A tentativa de ingerência contra o Judiciário é inaceitável”, disse.

Lula frisou que, “pela primeira vez, um ex-presidente foi condenado por atentar contra o Estado de direito. (…) Foi responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso, e teve amplo direito de defesa.”

O presidente condenou a ascensão do autoritarismo e defendeu o fortalecimento da democracia. “O Brasil optou por resistir e defender sua democracia conquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de ditadura”, disse Lula.

Tarifaço e sanções

Lula afirmou que “não há justificativa para medidas unilaterais e agressões contra nossa economia”, referindo-se aos tarifaços impostos por Trump.

Ele ainda citou a campanha de Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, para aumentar as sanções impostas ao Brasil. “Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, disse Lula, alertando que, independente dos ataques, não haverá concessão por parte das autoridades brasileiras. “Não há pacificação com impunidade”, disse. “Seguiremos como Nação independente e povo livre de qualquer tipo de tutela”, repisou.

Combate às desigualdades

Lula disse que a democracia falha quando “mulheres ganham menos que homens” ou morrem pelas mãos de seus companheiros. Também sofre a democracia quando as portas das nações são fechadas aos imigrantes.

O presidente brasileiros lembrou que no mundo, atualmente, há 680 milhões de pessoas famintas e mais de 2 bilhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar. “A única guerra que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”, disse Lula. “A comunidade internacional precisa rever suas prioridades, reduzir gastos com guerra e aumentar ajuda para o desenvolvimento.”

Lula defendeu que o mundo precisa definir padrões mínimos para que os super ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

Redes sociais

Sobre as plataformas digitais, ele disse que elas têm sido usadas para “semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação”. “A internet não pode ser terra sem lei. Regular não é restringir liberdade de expressão, é garantir que o que é crime no mundo real seja tratado assim também no ambiente digital”, explicou Lula.

Guerras e instabilidades

Para Lula, na América Latina e Caribe há crescente polarização e instabilidade preocupantes. Para ele, “a via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. Haiti tem direito a um futuro livre de violência. É inadmissível que Cuba esteja listado como país terrorista.”

“No conflito na Ucrânia”, disse Lula, “todos sabemos que não haverá solução militar. É preciso pavimentar caminhos para solução realista. Isso significa levar em conta a legitima preocupação de seguranças de todas as partes.”

Lula também condenou o genocídio em Gaza. “Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Nada, absolutamente nada justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali, sob toneladas de escombros, estão enterrados dezenas de mulheres, crianças e inocentes. Ali também foi sepultado o mito da superioridade do Ocidente. Esse massacre não aconteceria sem a ajuda de quem poderia silenciá-lo. Quero expressar minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem ao genocídio. O povo palestino corre o risco de desaparecer”, disse Lula.

Ele lamentou que Israel e EUA, juntos, venham obstruindo a solução dos dois Estados. Lula também criticou o “alastramento do conflito para Líbano, Síria, Irã e Catar”, que “fomenta a escalada armamentista sem precedentes.”

Crise climática

“Bombas não vão nos proteger da crise climática”, disparou Lula ao introduzir o tema das mudanças climáticas. Ele lembrou que o Brasil sediará a COP30, que “vai ser a COP da verdade”, quando os países terão de se comprometer com uma revolução verdadeira em defesa do meio ambiente. “É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa da implementação”, disse.

Lula ainda disse que o tema da mudança do clima precisa ter mais desta na ONU, com um conselho dedicado ao tema. Da mesma forma, ele defendeu como parte da reforma da ONU a ampliação do Conselho de Segurança.

O brasileiro também disse que “é urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis” para evitar o colapso econômicos das Nações. Ele também defendeu o multilateralismo como forma de atingir a pacificação, citando que o Brasil valoriza suas relações com União Europeia, África, Ásia, com os países dos BRICS, etc. “A voz do sul global deve ser respeitada e ouvida”, disse Lula, sendo aplaudido mais uma vez.

Citando Pepe Mujica e Papa Francisco, duas perdas sofridas pelo mundo em 2025, Lula finalizou o discurso dizendo que eles provavelmente usariam a tribuna da ONU para “o autoritarismo e a degradação ambiental não são inexoráveis. Que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio.”

Leia também:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rui Ribeiro

    23 de setembro de 2025 12:34 pm

    “Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”. – Lula, referindo-se aos ataques letais dos EUA a embarcações venezuelanos

    “FAB derruba aeronave suspeita no Amazonas vinda do Peru
    O piloto da Defesa Aérea realizou o Reconhecimento a Distância (RAD) e tentou estabelecer contato via rádio e visual, por meio da Interrogação (ITG)”

    Nós não estamos em situação que constitua conflito armado. Logo, nossas forças armadas estão executando pessoas sem julgamento

  2. Rui Ribeiro

    23 de setembro de 2025 1:44 pm

    Após ter seu ego lustrado pelo Trump, o Putin abandonou a Venezuela à própria sorte. Agora o Trump lustrou o ego do Lula com esse papo furado de excelente química. Espera-se que o Lula não se putinize.

    É preferível ser criticado a ser elogiado por um idiota.

    Nem um passo atrás, Lula.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    23 de setembro de 2025 2:24 pm

    Ao elogiar Lula na ONU, Donald Trump causou uma imensa dor no ânus Eduardo Bolsonaro. O brasileiro sentiu tanto que já começou a reclamar na internet. 😂😂😂😂😂

Recomendados para você

Recomendados