Líderes mundiais se reúnem nesta segunda-feira (22) na sede das Nações Unidas, em Nova York, para uma cúpula convocada pela França e pela Arábia Saudita com o objetivo de discutir a chamada Solução de Dois Estados, com a a criação de um país palestino vizinho a Israel como saída histórica para o conflito no Oriente Médio.
O encontro ocorre em meio a uma onda de reconhecimentos diplomáticos da Palestina. Neste final de semana, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal anunciaram apoio formal, enquanto França, Bélgica, Luxemburgo, Malta, Andorra e San Marino devem seguir o mesmo caminho durante a reunião.
Entre os chefes de Estado confirmados está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que embarcou no domingo para participar tanto do encontro quanto da abertura da Assembleia-Geral da ONU, marcada para esta terça-feira (23).

Boicote de potências e discurso de rejeição
Apesar da movimentação diplomática, Israel e Estados Unidos não participarão da reunião. O embaixador israelense nas Nações Unidas, Danny Danon, chamou o evento de “circo”, e o governo em Tel Aviv deixa claro que não reconhece a legitimidade de um Estado Palestino nas fronteiras propostas.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que não haverá Estado Palestino, mesmo enquanto autoridades israelenses avaliam medidas em resposta aos reconhecimentos, incluindo possível anexação de partes da Cisjordânia, já ocupada por assentamentos.
A escalada em torno da Cisjordânia pode, no entanto, tensionar relações com aliados estratégicos no mundo árabe, como os Emirados Árabes Unidos, que assinaram os Acordos de Abraão (Abraham Accords), em 2020. Para eles, avançar com anexações seria ultrapassar “linha vermelha“, segundo declarações oficiais.
Cenário
O debate ocorre num cenário de violência crescente. Em Gaza, Israel mantém uma ofensiva militar intensa, enquanto na Cisjordânia colonos israelenses ampliam ataques contra comunidades palestinas.
Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a solução política parece “mais distante que nunca”. Ainda assim, ele insiste na necessidade de preservar a alternativa de dois Estados. “Qual a alternativa? Uma solução de um Estado, onde ou os palestinos serão expulsos, ou vão ser forçados a viver em sua terra, mas sem direitos?”, questionou.
Vale ressaltar que a pressão internacional ganhou corpo após a Assembleia Geral da ONU aprovar, no início do mês, a “New York Declaration”, que pede cessar-fogo imediato em Gaza, liberação de reféns e medidas concretas e irreversíveis para viabilizar a criação do Estado palestino. Países europeus reforçam a aposta nessa estratégia.
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