6 de junho de 2026

Receita Federal terá delegacia contra crime organizado, anuncia Haddad

Unidade será especializada em crimes contra sistema financeiro, segundo Haddad; anúncio foi feito após operação Spare
Fernando Haddad
O ministro Fernando Haddad. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal terá uma delegacia especializada em crimes contra o sistema financeiro e enfrentamento ao crime organizado, segundo o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

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O anúncio foi feito após a realização da Operação Spare, que mira organização criminosa que atua há mais de duas décadas no mercado de combustíveis no estado de São Paulo e que é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, realizada no final de agosto.

De acordo com o ministro da Fazenda, a RF possui um núcleo de fraude estruturada para combater o crime organizado e a intersecção entre este tipo de crime e a economia real.

“A lavagem de dinheiro implica, muitas vezes, você ter atividades lícitas justamente para lavar o dinheiro. Mas é um braço artificial para que aconteça justamente a lavagem de dinheiro. Então, por trás daquela atividade aparentemente regular, tem uma atividade ilícita (…)”, disse o ministro.

Haddad lembra que a operação Spare é a quarta que a Receita faz no âmbito da grande estruturação desse departamento: em desdobramento da “Operação Carbono Oculto”, a Operação Spare mira um dos principais operadores de uma organização criminosa que atua há mais de duas décadas no mercado de combustíveis no estado de São Paulo, além de pessoas a ele associadas.

Os investigados são suspeitos de utilizar postos, empreendimentos imobiliários, motéis e lojas de franquia como instrumentos para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

“Ela afeta alguma coisa em torno de 200 postos de gasolina, uma franquia com quase 100 estabelecimentos, mais de 60 motéis que eram usados para lavar dinheiro e 14 empreendimentos imobiliários”, disse Haddad.

A estrutura foi identificada a partir da concentração de empresas sob responsabilidade de um único prestador de serviço, que formalmente controlava cerca de 400 postos – sendo 200 vinculados diretamente ao alvo e seus associados.

A Receita Federal identificou ao menos 267 postos ainda ativos, que movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais – o equivalente a 0,1% do total movimentado, percentual muito abaixo da média do setor. Também foram identificadas administradoras de postos que movimentaram R$ 540 milhões no mesmo período.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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