4 de junho de 2026

Não houve desnacionalização do MAN-SUP

O que aconteceu foi a venda de parte do capital da SIATT para uma empresa dos Emirados, mas sem perda do controle.
Reprodução

Recebo link do portal GBNews, corrigindo informações que publiquei aqui sobre o MANSUP: “MAN-SUP: quando o orgulho nacional muda de bandeira”.

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No artigo, comentei a venda de parte do capital da SIATT (a empresa que desenvolve o MAN-SUP) para grupos dos Emirados Árabes Unidos.

O Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) é um feito da indústria de defesa nacional.

Como expliquei no artigo:

“O MAN-SUP não surgiu do acaso. Foi concebido com o objetivo de equipar a Marinha com um míssil antinavio de alta precisão, capaz de operar em ambientes hostis e resistir a contramedidas eletrônicas. Seu desenvolvimento envolveu sistemas de guiagem inercial com GPS, radar ativo, perfil de voo em baixa altitude e resistência a interferências — tudo isso com tecnologia brasileira.

Entre suas capacidades destacam-se:

  • Guiagem inercial com GPS para correção de trajetória em tempo real.
  • Radar ativo para busca e rastreamento de alvos móveis.
  • Perfil de voo em baixa altitude, dificultando a detecção por sistemas inimigos.
  • Resistência a contramedidas eletrônicas, mantendo precisão mesmo em ambientes hostis.

A SIATT, como contratante principal, foi a alma do projeto. Coordenou subsistemas, integrou componentes, adaptou o míssil às plataformas navais e firmou acordos estratégicos. E tudo isso com recursos públicos, com o apoio direto da Marinha”.

Na sequência, lembrei dos cuidados do Programa de Desenvolvimento Produtivo da Saúde, que montou um modelo no qual a tecnologia ficava se posse do setor público (através dos laboratórios públicos) licenciando-se o desenvolvimento dos produtos.

O material que recebi mostra que esse mesmo cuidado foi tomado em relação ao MAN-SUP.

Segundo a reportagem do GBNews:

  • O MANSUP foi concebido como um míssil antinavio 100% nacional, fruto da cooperação entre a SIATT, a Avibras, a Omnisys e a Marinha do Brasil.
  • Desde sua gênese, a propriedade intelectual do MANSUP pertence à Marinha do Brasil e foi licenciada para a SIATT produzir e comercializar tanto no mercado nacional quanto internacional. 
  • A Omnisys é responsável pelo desenvolvimento do autodiretor do míssil, garantindo tecnologia de ponta em guiagem e precisão. 
  • Isso significa que o Brasil não perdeu controle algum sobre a tecnologia desenvolvida. Ao contrário, a consolidação do MANSUP representa um marco de soberania, colocando o país no seleto grupo de nações capazes de desenvolver armamento antinavio de forma independente. O contrato que regula essa licença foi assinado em 2024, garantindo formalmente os direitos da Marinha e a operação da SIATT como produtora e distribuidora do sistema.

O que aconteceu foi a venda de parte do capital da SIATT para uma empresa dos Emirados, mas sem perda do controle.

“Em setembro de 2023, a EDGE Group, conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos, adquiriu 49,9% do capital da SIATT, enquanto os acionistas fundadores brasileiros mantêm os outros 50,1%. A EDGE Group conta com 40% do capital votante, enquanto os outros 60% do capital votante, permanecem nas mãos dos acionistas fundadores brasileiros da SIATT. Essa estrutura acionária garante que, apesar da parceria estratégica com o EDGE Group, a SIATT continue sendo uma empresa nacional, sob controle majoritário brasileiro”.

Os recursos captados servirão para financiar uma extensão do MANSUP, o projeto MANSUP-ER. A parceria busca fortalecer a capacidade de exportação da empresa e ampliar a cooperação internacional, mas “sem comprometer a soberania tecnológica nacional”.

Segundo a matéria, a SIATT desenvolveu, também, uma variação do MANSUP, lançavel a partir da plataforma ASTROS, permitindo a utilização em, operações terrestres.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Edmo Jaesse Da Silva

    30 de setembro de 2025 8:49 pm

    Uufaaa😁😅 até respirei aliviado!!!…🙏🙏

    1. Paulo Cesar

      1 de outubro de 2025 2:54 pm

      Eu também! Hehehe

  2. Alexey Bobroff Daros

    1 de outubro de 2025 7:46 am

    Muito, mas muito raro um jornalista se retratar pela notícia equivocada. Meus parabéns! Seria excelente para o país ter mais jornalistas responsáveis como você!

    1. Josué

      1 de outubro de 2025 12:27 pm

      Ufa!!!
      Até que enfim uma boa notícia.

  3. Josué

    1 de outubro de 2025 12:26 pm

    UFA!!!
    UMA BOA NOTÍCIA

  4. NunoFerreZ

    1 de outubro de 2025 1:21 pm

    Olá Nassif,

    Parabéns pela atualização/correção das informações sobre o MAN-SUP. Não sei se a mesma conclusão pode ser feita sobre o Link-BR. Desconheço a relação acionária entre AEL/Elbit. Porém, de qualquer forma, dá pra cravar que é bem diferente da relação Siatt/EDGE, pelas dimensões da empresas e países envolvidos. Acho que vale a pena uma análise semelhante para o Link-BR.
    Abs,

  5. João Fonseca

    1 de outubro de 2025 4:56 pm

    Excelente, Nassif. Também sou um anônimo entusiasta do Mansup.

    1. EDUARDO BUERES

      2 de outubro de 2025 3:00 pm

      Parabéns para o nível de informação 100% confiável,que combina com a triangulação obtida em outras fontes oficiais de governo.
      A consolidação da soberania bélica e de defesa no Brasil é de vital importância á segurança nacional.

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