10 de junho de 2026

Vacina contra HPV reduz em até 58% os casos de câncer do colo do útero no Brasil

Estima-se que 50% a 70% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV; vacina protege contra até 98% dos tipos de vírus oncogênicos
Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia, com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), revelou que a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero no Brasil. A pesquisa também apontou uma diminuição de 67% nas lesões pré-cancerosas graves (NIC3).

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O levantamento analisou, entre 2019 e 2023, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a mais de 60 milhões de mulheres por ano, na faixa etária de 20 a 24 anos. Os resultados, publicados na revista The Lancet, mostram que o impacto da vacina é significativo mesmo antes da idade recomendada para o rastreamento do câncer (25 anos).

Segundo os autores, os achados reforçam o potencial da imunização como uma das estratégias mais eficazes de saúde pública para salvar vidas e reduzir desigualdades no acesso à prevenção.

“O impacto observado no Brasil confirma que a vacinação contra o HPV é eficaz não apenas em países de alta renda, mas também em contextos com recursos limitados. Esse é um passo fundamental rumo à eliminação global do câncer do colo do útero”, destacam os pesquisadores Thiago Cerqueira-Silva, Manoel Barral-Netto e Viviane Sampaio Boaventura, da Fiocruz Bahia.

Avanços

A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014. Em 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única, conforme as evidências científicas mais recentes. Já em 2025, novas diretrizes ampliaram o público-alvo, incluindo adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários, como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pacientes com papilomatose respiratória recorrente.

O câncer do colo do útero permanece como o segundo tipo mais comum entre mulheres brasileiras e uma das principais causas de mortalidade feminina. A ampliação da cobertura vacinal é considerada essencial para reduzir desigualdades em saúde e aproximar o Brasil da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar a doença como problema de saúde pública.

Quem pode se vacinar

Estima-se que 50% a 70% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida. A vacina protege contra até 98% dos tipos de vírus oncogênicos mais perigosos.

A imunização é gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e indicada para:

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Mulheres e homens com HIV, transplantados, pacientes oncológicos ou imunossuprimidos, entre 9 e 45 anos;
  • Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes, de 15 a 45 anos que não tenham sido vacinadas ou estejam com o esquema incompleto;
  • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para HIV, de 15 a 45 anos, sem histórico vacinal completo;
  • Pacientes com Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), a partir dos 2 anos de idade.

Nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), a vacina também está disponível para pessoas com HIV/Aids, transplantados e pacientes com câncer de até 45 anos.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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