5 de junho de 2026

Tarcísio protege o PCC no caso do metanol?

Deputado do PSOL que solicitou CPI critica Tarcísio por reduzir verba de combate ao crime e por relações suspeitas com dinheiro sujo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) apresentou requerimento à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para a criação de uma CPI sobre a contaminação de bebidas com metanol e o papel do PCC neste processo.

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A proposta surge após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmar, sem investigação, que o PCC não teria relação com o caso — declaração que, segundo Giannazi, revela mais pressa em proteger aliados do que em apurar responsabilidades.

“Eu apresentei o requerimento para que seja instalada uma CPI para investigar o que vem acontecendo no estado de São Paulo, com pessoas morrendo e outras ficando cegas. O governador do estado, Tarcísio de Freitas, de forma muito estranha, sem que houvesse investigação, já saiu defendendo o crime organizado, dizendo que não teria relação alguma. Como o Tarcísio sabe que o crime organizado não está envolvido, se ele mesmo não sabia que o crime está entranhado na Faria Lima, no agronegócio e nos postos de gasolina?”, provocou o parlamentar, em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas [confira abaixo].

Giannazi classificou o comportamento do governador como ‘no mínimo suspeito’, lembrando que Tarcísio recebeu, em sua campanha de 2022, um financiamento significativo de uma empresária supostamente ligada ao PCC.

O deputado se refere às contribuições da pecuarista Maribel Schmittz Golin, empresária do agronegócio que foi a sexta maior doadora da campanha de Tarcísio, com um aporte de R$ 500 mil. Maribel é investigada pela Polícia Federal em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana ‘Ndrangheta’.

Para Giannazi, as ações de Tarcísio já desmentem seu posicionamento contrário à CPI. “Logo ele, que aparece em foto abraçado com o ex-prefeito de Embu das Artes [Ney Santos], condenado por formação de quadrilha, e que esteve em Brasília defendendo a prisão domiciliar de um condenado também por quadrilha”, completou, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tarcísio de Freitas e o ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos

Orçamento à moda do crime: cortes na segurança e isenções bilionárias

Enquanto o governo tenta se desvincular de qualquer menção ao crime organizado, os números da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 caminham em sentido oposto.

Apresentada à Alesp na terça-feira (30/9), a proposta prevê receitas de R$ 382 bilhões para o próximo ano, mas reduz drasticamente os recursos para o combate ao crime organizado. O valor destinado à área cai de R$ 666 milhões em 2024 para apenas R$ 325 milhões em 2026, menos da metade.

“É um absurdo. Estamos falando de R$ 382 bilhões de orçamento total, e o governo corta justamente da segurança pública, enfraquecendo as forças de investigação e o enfrentamento ao crime organizado”, criticou.

O deputado também questiona as prioridades fiscais do governo do estado, que mantém R$ 82 bilhões em isenções tributárias a grandes grupos econômicos, incluindo empresas que figuram entre as mais beneficiadas pelas renúncias fiscais, como Braskem, Syngenta, TAM e JBS, algumas até inscritas na dívida ativa do Estado.

“É dinheiro público que poderia reforçar o combate ao crime e fortalecer as instituições, mas o governo prefere agradar seus financiadores. Em detrimento da saúde e educação”, afirmou.

Giannazi também alertou que o governo Tarcísio vem instrumentalizando a Polícia Militar para fins políticos, enquanto alguns membros da corporação estariam diretamente envolvidos com o crime organizado.

Vale lembrar do caso Cangerana, um ex-assessor de Tarcísio e policial militar acusado de irregularidades com fintechs. Ele foi transferido pelo governador para o 13º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da Cracolândia, pouco antes de ser preso pela Polícia Federal. Cangerana chegou a aparecer em fotos com o governador, mas Tarcísio nega qualquer afinidade. Leia mais aqui >>> Tarcísio e Cangerana: O elo com o PCC que o governo apagou.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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9 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    7 de outubro de 2025 8:49 pm

    Ele tá com peninha das empresas do ramo alcoólico, que sofrem muito com a desconfiança nos seus produtos, não das vítimas. O Paulista merece, oius não reage, em vez disso, elege o troço

  2. Rui Ribeiro

    7 de outubro de 2025 11:21 pm

    Se o eleitor tiver cérebro, o Tarcísio tá fuxdido

  3. Carlos

    8 de outubro de 2025 12:08 am

    Este sujeito, atualmente preocupado com um batismo na coca (sem ironia viu?), é a melhor oferta da extrema-direita?
    Cada vez melhor para Lula.
    Mas não podemos perder o foco de, nas próximas eleições, higienizar as casas legislativas, retirando delas todos que se relacionam a este cancro denominado bolsonarismo.
    Tenham em mente que a manutenção destes débeis mentais na política tornará a defesa da democracia mais difícil ainda.
    Anistia = dosimetria = pu**ria = impunidade.

    1. emerson57

      8 de outubro de 2025 12:51 pm

      “a melhor oferta da extrema-direita?”
      Tarçysio está apenas guardando lugar até o carnaval chegar.
      Las derecha já tem outro candidato que está sendo preservado.
      Trata-se do camundongo, filho do ratinho.
      “No fundo do poço há um alçapão.”

  4. evandro

    8 de outubro de 2025 2:03 am

    O que parece mais plausível é o envolvimento da polícia paulista com a falsificação de bebidas, o que comprometeria seu “secretário” de segurança pública, uma pessoa pra lá de problemática com a Justiça… Qualquer pessoa que conhece a noite paulistana sabe que muitas boates são controlados por policiais e ex-policiais e que a venda de bebidas falsificadas nesses locais sempre existiu.

  5. Rodrigo correria

    8 de outubro de 2025 7:56 am

    Engraçado!!! Não foi ele que entrou em comunidade sem escolta não !!!
    Agora que ele está se preparando para se candidatar a presidência vai começar a ser alvo da esquerda!!! Vergonha esse Brasil nunca vai mudar !!!

  6. Rui Ribeiro

    8 de outubro de 2025 10:18 am

    O Tarcísio não está preocupado com as vítimas das bebidas alcoólicas batizadas, mas com as empresas, que sofrem muito com a crise de confiança. Parece que eu já vi esse tipo de preocupação em outros carnavais:

    “As empresas sofrem muito com isso (bebidas alcoólicas batizadas com metanol). Há uma crise de confiança, as pessoas estão com medo. Precisamos restabelecer essa confiança com medidas integradas”. – Tarcísio de Freitas.

    Antes, o Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul, também não estava preocupado com as vítimas do dilúvio gaúcho mas com as empresas:

    “Um dos pontos que pedi à nossa equipe é que ajude a estruturar na medida do possível ferramentas e canais para que aquelas pessoas de outros locais que queiram fazer doações possam fazê-las ajudando o comércio local que está impactado. Porque, na verdade, quando você tem um número tão grande de doações físicas chegando ao Estado, há um receio, pelo que já observamos em outras situações, sobre o impacto que isso terá no comércio local. Você tem uma cidade que foi impactada, um comércio que foi impactado, e o reerguimento desse comércio fica dificultado na medida em que você tem uma série de itens que estão vindo também de outros lugares do país”.

    O que são as vítimas do metanol e do dilúvio gaúcho para que os Poderosos se preocupem com elas?

  7. Rui Ribeiro

    8 de outubro de 2025 10:41 am

    “Errei. Ontem, ao prestar contas das ações do governo do estado no âmbito da crise do metanol, no momento em que falávamos das várias medidas que estamos tomando, como o convênio com o setor privado para o combate à falsificação, as proposições legislativas que pretendemos apresentar, a destruição de bebidas de origem duvidosa em estoque, o aperfeiçoamento da logística reversa das garrafas, o programa de qualidade para distribuidores e comerciantes, a suspensão das inscrições na fazenda, acabei fazendo uma brincadeira para descontrair a coletiva que foi muito mal interpretada e que de fato não cabia naquele momento em face da gravidade do que vem acontecendo.” – Tarcísio de Freitas

    Se o Tarcísio foi mal interpretado, então não foi ele quem errou, mas quem o interpretou mal. Mesmo assim, ele pede desculpas. Hipócrita

  8. Robert Red

    8 de outubro de 2025 1:24 pm

    Tão estranho quanto é a história de crescimento do PCC nos 28 anos de governos do PSDB em São Paulo e a mansidão da bancada estadual do PT desde sempre…

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