4 de junho de 2026

Terras Raras: A Nova fronteira da reindustrialização brasileira, por Luis Nassif

Para o Brasil, a oportunidade está em dominar a cadeia produtiva: da separação ao produto final

O Brasil está diante de uma nova janela histórica — talvez a mais estratégica desde a descoberta do pré-sal. Com cerca de 23% das reservas mundiais estimadas de terras raras, o país tem em mãos um ativo geopolítico e tecnológico capaz de reposicioná-lo como potência industrial verde no século XXI.

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A recente decisão da China de restringir exportações aos Estados Unidos reacende o interesse global por fontes alternativas. Nesse contexto, o gesto de aproximação entre Donald Trump e o governo Lula ganha contornos claros: garantir acesso às terras raras brasileiras.

Mas o desafio não é apenas geológico — é político, tecnológico e institucional. O Brasil precisa evitar repetir o ciclo colonial de extração e fuga de valor. A oportunidade está em dominar toda a cadeia produtiva: da separação ao produto final, passando por ímãs, motores, catalisadores, sensores e reciclagem.

Esta série apresenta um plano estratégico para transformar o potencial mineral em soberania industrial, com protagonismo das PMEs, atração de capital estrangeiro sob controle nacional e estímulo à inovação em setores críticos como mobilidade elétrica, saúde, defesa e cultura tecnológica.

As possibilidades trazidas pelas terras raras são grandiosas que, se o país jogar fora a oportunidade, não haverá perdão para os responsáveis.

Resumo Executivo:

  • O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas ainda não domina sua cadeia produtiva.
  • A série propõe uma Política Nacional de Terras Raras (PNTR) com foco em industrialização, soberania tecnológica e sustentabilidade.
  • São identificados sete eixos industriais estratégicos, com destaque para eletromobilidade, eletrônicos, saúde, defesa e reciclagem.
  • As PMEs são colocadas no centro da estratégia, com instrumentos específicos de crédito, inovação e certificação.
  • A entrada de capital estrangeiro é estruturada em cinco zonas seguras, com cláusulas de controle nacional, transferência de tecnologia e reinvestimento obrigatório.
  • A proposta inclui mecanismos jurídicos, financeiros e diplomáticos para garantir que o Brasil agregue valor e não apenas exporte minério.
  • O objetivo é transformar as terras raras em vetor de reindustrialização verde, geração de empregos qualificados e inserção soberana na nova economia global.

Próximos capítulos

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Marcelo Teixeira Duarte

    13 de outubro de 2025 10:46 am

    Luís, bom dia,
    Não devemos nos esquecer da grande quantidade de “rejeitos” originários da antiga Nuclemon e outras unidades depositadas no Campo do Cercado em Caldas, deve-se fazer uma pesquisa rigorosa dos conteúdos para detectar a ocorrência das chamadas terras raras que à época não tinham valor e hoje se constituem em um ativo valioso. A utilização de técnicas analíticas com espectrometria de plasma e espectrofotometria de absorção atômica são adequadas para a detecção e quantificação de cada elemento químico desta categoria.
    13/10/2025

  2. APFripp

    13 de outubro de 2025 6:16 pm

    Tudo isso depende de investimento privado e os nossos empresarios estão investindo muito, mas no setotor financeiro….
    O nosso empresario quer retorno rapido e não investe a longo prazo.

  3. Celso Aparecido da Silva

    13 de outubro de 2025 9:31 pm

    O problema são os investimentos necessários e banca de pesquisadores para obter o produto final de tecnologia.

  4. Luiz Martins de Melo

    20 de outubro de 2025 4:44 am

    PMEs sem grande empresa que articule a homogeneidade tecnológica da cadeia produtiva não funciona. Sem poder de compra do Estado também não. Terras raras são insumos críticos para vários produtos finais com cadeias produtivas distintas. Insumos transversais como todas as tecnologias de propósito geral do atual agrupamento tecnológico radical. Não se pode mais pensar como antes em políticas industriais e de inovação setoriais. A fronteira da inovação industrial não são os insumos mas os produtos que podem ser manufaturados com o grupamento decrecnllogias radicais.

  5. André LB

    31 de outubro de 2025 11:01 pm

    Infelizmente continuaremos a exportar commodities. Não se engane: eu adoraria ter seu otimismo, Nassif, mas não sei como fazê-lo brotar.

    https://asiatimes.com/2025/10/1st-us-heavy-rare-earths-separation-facility-planned-in-louisiana/

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