11 de agosto de 2026

Nos tempos em que a diplomacia norte-americana era outra, por Luís Nassif

A aproximação de Lula a George W. Bush foi intermediada, entre outros, por André Araújo, uma personalidade brilhante.
Lula e George W. Bush - Foto de Roberto Stuckert Filho

O governo Bush buscou aproximação com Lula em 2002, intermediada por André Araújo e equipe do Departamento de Estado.
Em novembro, Lula reuniu-se na Granja do Torto com autoridades dos EUA e sua equipe, incluindo Palocci e Dirceu.
A visita de Lula a Washington em 2002 foi incomum, com diálogo aberto e colaboração entre os governos.

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A aproximação do governo Bush, e do Departamento de Estado, com o governo Lula, assim que foi eleito, deveria servir de exemplo, senão aos Estados Unidos de Donald Trump, pelo menos à direita civilizada brasileira.

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A aproximação entre os dois governos foi intermediada, entre outros, por André Araújo, um precioso colaborador do Jornal GGN, e uma das personalidades mais brilhantes que conheci – e, olhe!, que em minha longa carreira jornalística, conheci grandes personalidades do Brasil e do mundo.  Antes das críticas à financeirização e às políticas de austericídio ganharem as manchetes, escreveu uma obra portentosa, “Moeda e Prosperidade”.

Em novembro André compareceu a um encontro com Lula, na Granja do Torto, acompanhado de Otto Reich (subsecretário do Departamento de Estado), e Ed Miller, o chefe de Planificação Política para a América Latina e o encarregado do Brasil no Departamento de Estado; do outro, Lula, Antonio Palocci, José Dirceu e Aloizio Mercadante.

Coube a André articular uma primeira reunião entre Lula e a administração Bush. Do lado norte-americano, participaram Ed Miller, conselheiro sênior latino-americanista do Partido Republicano,  servindo em tempo parcial ao governo. Serviu ao Conselho de Segurança Nacional e ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

“Em setembro [de 2002] ficou claro que Lula iria vencer — e sabia-se dos problemas na América Latina, com Chávez e a situação argentina horrível; não se sabia o que ocorreria no México. Houve grande esforço para chegar ao novo governo Lula. 

Um pouco estranho no início — uma conversa entre o PT e Partido Republicano —, com a natural desconfiança ideológica. Fizemos o esforço e Lula aceitou. Tentamos a mesma coisa com Kirchner, sem êxito. Em dezembro, houve a visita de Lula a Washington — é fora do normal uma visita antes da posse. E a visita de Estado seis meses depois da posse, fora do comum. O princípio das negociações: canal aberto; colaboração com o que concordamos; não atrapalhar o que não concordamos.

Durante a campanha de 2000, eu queria somar coisas novas ao Nafta, que era a estrela polar dos anos 1990. Mas não parecia urgente naquela época: o preço do petróleo estava em 22 dólares, e havia muitos interesses.

Dos países da América Latina, o Chile era o mais redondo: economia moderna, inclusão social. A Venezuela era o país com a maior renda per capita do mundo desde 1920 — petróleo, gás, alumínio — e não se fez nada até 2000; não se criou cultura de trabalho: lá, quem trabalha são os colombianos, os equatorianos e os imigrantes que chegaram nos anos 90. O México poderia manter o sistema, mas a população pobre era muito grande. Os países centro-americanos estavam cada vez mais integrados na economia norte-americana. A Colômbia estava melhor do que há dez anos. Na Argentina, o setor energético estava com preços congelados.

Os funcionários americanos ficaram Impressionados com o Brasil: muito trabalho por fazer, muita gente pobre — mas com sistema político estável e investimento chegando. Para um país em desenvolvimento faltavam capital, tecnologia, gerência e educação.

O Brasil estava captando, importando tecnologia. O Partido Socialista chileno era pior do que o comunista; o PS da Espanha era títere do Estado. Precisava-se de partidos de esquerda responsáveis, segundo o pensamento do Departamento de Estado”

André ajudou a organizar não só a viagem de Lula aos Estados Unidos, mas também o périplo de José Dirceu, que chegou até Condoleezza Rice e a um jantar prestigiadíssimo oferecido pelo The Washington Post.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. JotinhaDoMilhao

    21 de julho de 2026 8:51 am

    André Araújo foi o primeiro brasileiro no planeya terra e no univetso q entendeu o papel principal dos euaaa na lavajato e golpe na Dilma ao qual a midia sempre em momentos antes de eleições culpam dilmalulapt de algo enquanto os bandifos de vdd dominam tudo vimos isto agora em Sampa na contenção do crime com aval e conhecimento de todo o sistema q defende o preso mais privilegiafo do mundo bolso,foram e são estes q lotaram a Paulista e se puderem prendem até a justiça para ng encher o saco deles no manuseio das chaves dos cofres públicos e pasmem militates envolvidos tb junto com a quadrilha financeira especulativa extorsiva dos EMPRESÁRIOS e povão se a midia falar lula é ruim tem q ser – 30 milhão e ser fizer uma menção de lula bom seria mais 10 milhão e se ficar só mencionando peralrices de bolso e encondendo as benfeitorias bem sucedidas e para todis do governo Lula sei a menis 100 milhão na conta das tvs e internet só assim fariam algo pois no Brasil a linguagem q se entende é o dinheiro !!!!

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de julho de 2026 9:32 am

    Um ano antes do pai ser eleito, Eduardo Bolsonaro fez palestras dizendo que a resistência do STF à nova ditadura seria eliminada com 2 soldados e 1 cabo num jipe. Agora que recebeu Green Card de Donald Trump o “Dudu pequena banana” enviará 2 soldados e 1 cabo do US Army num jipe para invadir o Brasil?

  3. alfredo machado

    21 de julho de 2026 12:44 pm

    André Araújo foi um extra-classe com quem tive o privilégio de debater sobre inúmeros assuntos relativos aos interesses do país. Um brasileiro.

  4. J. Alberto

    24 de julho de 2026 11:45 am

    O grande André faz falta. E convém destacar que a alternância de poder nos EUA em 2008 desestabilizou completamente as relações com o Brasil, o que se reflete até hoje. Porém, isto não diz sobre o Brasil de esquerda nem sobre o Brasil de direita. Diz mais sobre os próprios EUA.

  5. Robson Santos Dias

    27 de julho de 2026 6:02 pm

    Eu adorava ler os artigos do André Araújo. Por essa razão comprei seu volumoso livro, no qual fazia críticas ácidas à “Escola do Rio”. Não consegui terminar de ler (mas li bastante), pois compromissos acadêmicos me obrigaram priorizar outras leituras. Uma mente privilegiada, sem dúvida. Sugiro ao Nassif fazer uma antologia dos seus artigos.

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