5 de junho de 2026

Nobel de Economia premia estudos sobre crescimento impulsionado pela inovação

Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt foram reconhecidos por explicar como a inovação e a “destruição criativa” sustentam o progresso econômico
Crédito: @NobelPrize

O Prêmio Nobel de Economia de 2025 foi concedido nesta segunda-feira (13) a Joel Mokyr (79), Philippe Aghion (69) e Peter Howitt (79), em reconhecimento a suas pesquisas sobre o crescimento econômico impulsionado pela inovação. O anúncio foi feito pela Academia Real das Ciências da Suécia, em Estocolmo.

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Mokyr foi premiado por identificar as condições que permitem o crescimento econômico sustentado, isto é, o avanço contínuo e estável da economia ao longo do tempo. Já Aghion e Howitt foram reconhecidos pela teoria do crescimento baseada na “destruição criativa”, conceito que descreve o processo pelo qual novas tecnologias substituem as antigas, promovendo o progresso.

Pesquisadores

Nascido na Holanda, Joel Mokyr é doutor pela Universidade de Yale e atualmente leciona na Universidade Northwestern, em Illinois (EUA).

O francês Philippe Aghion é doutor pela Universidade de Harvard e professor na London School of Economics and Political Science (Reino Unido).

O canadense Peter Howitt também é doutor pela Northwestern University e professor na Brown University, nos Estados Unidos.

Segundo a Academia, os premiados demonstraram que a destruição criativa gera avanços, mas também conflitos que precisam ser administrados de forma construtiva.

“Caso contrário, empresas consolidadas e grupos de interesse, temendo perdas, podem acabar bloqueando a inovação e freando o progresso econômico”, afirmou a instituição.

O presidente do comitê do Nobel de Economia, John Hassler, destacou que “o crescimento econômico não pode ser dado como certo” e que “é necessário preservar os mecanismos que sustentam a destruição criativa para evitar o retorno à estagnação”.

Os três pesquisadores dividirão o prêmio de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,4 milhões), sendo metade para Mokyr e metade para Aghion e Howitt.

Estudos

Nos últimos dois séculos, o mundo experimentou um crescimento econômico contínuo que reduziu a pobreza e elevou o padrão de vida global. Os trabalhos de Mokyr, Aghion e Howitt explicam como a inovação tem sido o principal motor desse avanço.

Mokyr demonstrou, com base em registros históricos, que o progresso sustentável depende tanto do conhecimento prático quanto da compreensão científica das causas por trás dos fenômenos. Antes da Revolução Industrial, essa compreensão era limitada, o que dificultava o surgimento de descobertas e invenções.

O economista também destacou a importância de sociedades abertas a novas ideias, nas quais o conhecimento proposicional (o “porquê”) e o prescritivo (o “como”) se conectam, permitindo inovações mais eficientes.

Aghion e Howitt, por sua vez, desenvolveram em 1992 um modelo matemático da destruição criativa, mostrando como empresas inovadoras substituem tecnologias ultrapassadas e estimulam novos avanços. O modelo reforça a importância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e mostra que incentivos privados muitas vezes são menores que os benefícios sociais — o que justifica políticas públicas de apoio à inovação.

Os dois também alertam que tanto a concentração excessiva quanto a concorrência desorganizada podem prejudicar o progresso. Políticas que garantam um equilíbrio competitivo são, portanto, essenciais.

Crescimento sustentado

Mokyr observou que, antes do século 19, as inovações não geravam crescimento econômico contínuo. Entre os anos 1300 e 1700, por exemplo, Suécia e Reino Unido apresentavam economia praticamente estagnada, apesar de avanços tecnológicos.

Com a Revolução Industrial, o crescimento anual médio passou a girar em torno de 2%, o que transformou o padrão de vida e consolidou a inovação como motor da economia moderna.

Para Mokyr, o crescimento econômico vai além do dinheiro: envolve educação, pesquisa, saúde e qualidade de vida.

Já Aghion e Howitt defendem que o avanço sustentável depende de mobilidade social e de um ambiente que estimule empreendedores e inovadores. Modelos como o da flexicurity — que combina flexibilidade para as empresas e segurança para os trabalhadores — ajudam a equilibrar inovação e bem-estar.

Os pesquisadores também apontam que a inteligência artificial pode acelerar o acúmulo de conhecimento útil, mas que é necessário desenvolver políticas que minimizem os impactos negativos das inovações, como desigualdade, poluição e mudanças climáticas.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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