21 de maio de 2026

Economia global mostra fôlego apesar das rachaduras

Relatório aponta desaceleração e alerta para riscos fiscais e tensões comerciais, além do efeito das dívidas e tarifas dos EUA
Foto de Hal Gatewood na Unsplash

O otimismo em torno da chamada “resiliência” econômica global começa a perder força diante da mistura de tensões crescentes e questões políticas que ajudam a aumentar a postura de cautela.

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Nos países ricos, dívidas elevadas, envelhecimento populacional e paralisia política freiam o crescimento. Já nas economias emergentes, o alívio provocado por um dólar mais fraco começa a desaparecer, expondo fragilidades estruturais.

Em artigo publicado no Project Syndicate, Eswar Prasad é professor de Economia na Cornell University e pesquisador sênior do Brookings Institution, e Caroline Smiltneks, graduanda em Economia na Cornell University, explicam que a guerra tarifária de Donald Trump e o avanço do protecionismo global estão afetando o consumo e o mercado de trabalho.

Enquanto as bolsas batem recordes, embaladas pelo entusiasmo com a inteligência artificial, a economia real desacelera – e nos Estados Unidos, políticas erráticas, endurecimento migratório e cortes sociais reduzem o ritmo da expansão.

A inflação segue controlada, mas deve subir quando as empresas repassarem o custo das tarifas. E com o Federal Reserve sob pressão política, a margem para ajustes monetários é cada vez menor.

Europa e Ásia em compasso lento

A zona do euro enfrenta desaceleração generalizada. A Alemanha pode registrar o terceiro ano de recessão, e a França vive crise fiscal e impasse político. Já o sul europeu mostra leve melhora, com Itália, Espanha e Grécia sustentando o crescimento pelo setor de serviços.

Na Ásia, o Japão endurece sua política monetária, a Coreia do Sul sofre com baixa demanda e risco de tarifas, e a China mantém crescimento desigual — com mercado imobiliário em retração e consumo fraco.

A Índia segue como destaque, impulsionada por consumo urbano e investimentos industriais, embora as tensões com os EUA afastem parte dos investidores, enquanto a Rússia sente os efeitos do aumento de gastos militares e da queda do petróleo.

Na América Latina, o desempenho é desigual: o Brasil desacelera, pressionado por menor consumo e queda nos investimentos, enquanto o México mantém crescimento moderado apoiado em exportações e inflação em queda.

Mesmo com tensões geopolíticas e volatilidade, o crescimento global se mantém estável — mas sob uma base cada vez mais frágil uma vez que, conforme o ritmo desacelera, problemas de produtividade, desigualdade e endividamento tornam-se mais visíveis.

Os autores defendem que governos aproveitem este momento de “calma relativa” para adotar reformas estruturais e disciplina fiscal, reforçando a capacidade de resistir a novas crises e à erosão da ordem econômica global.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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