A extrema direita brasileira recebeu com entusiasmo a reabertura do caso Odebrecht nos Estados Unidos, vendo uma oportunidade de atingir Lula. A realidade, porém, é outra. O alvo da vez é Andrew Weissmann, ex-promotor que chefiou investigações contra Trump nos EUA, e a ofensiva pode acabar se voltando contra os protagonistas da Lava Jato no Brasil.
A análise é de Fabio de Sa e Silva, no Intercept. O movimento começou com uma carta de Ed Martin, advogado de réus da invasão ao Capitólio e indicado por Trump ao Departamento de Justiça, enviada a Weissmann para questionar o acordo da Odebrecht nos Estados Unidos.
A empresa brasileira, processada sob o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), aceitou pagar US$ 3,5 bilhões em multas nos EUA, Brasil e Suíça. Martin critica a forma do acordo, que agrupou os pagamentos por país sem detalhar os valores por obra, prejudicando, segundo ele, o direito das vítimas à reparação.
Embora a carta tenha motivação doméstica, retaliação de Trump a Weissmann por sua atuação no caso russo e na investigação Mueller, seu efeito no Brasil pode ser devastador, sim, mas não para Lula.
As mesmas críticas de Martin se aplicam à Lava Jato: sigilo excessivo, cláusulas obscuras e falta de transparência em acordos que Deltan Dallagnol e a Força-Tarefa mantiveram, deixando provas inacessíveis a procuradores de outras jurisdições, à imprensa e à sociedade civil. Poderão vir à tona documentos que comprovem a “cooperação selvagem” da Lava Jato com autoridades americanas, sem respaldo legal no Brasil.
Mensagens da Vaza Jato e da Operação Spoofing, obtidos pelo GGN, já revelaram indícios dessa prática, mas o Judiciário brasileiro ainda não cumpriu seu papel na responsabilização dos procuradores. Agora, a máquina de Trump ameaça documentar oficialmente essas irregularidades, desmantelando a narrativa de lisura da extinta Lava Jato.
O legado de Dallagnol e de sua equipe, até aqui protegido por omissões e silêncios institucionais, torna-se cada vez mais insustentável. Enquanto a extrema direita celebra uma vitória em sua realidade paralela, acabou dando força a uma investigação que pode atingir justamente aqueles que exaltava.
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Rui Ribeiro
16 de outubro de 2025 7:34 amA reabertura do caso da Odebrecht seria uma vitória de Pirro da extrema direita?
Como eles são estúpidos.
Uma Mulher me disse que o maior sonho de consumo de uma Mulher que se preza era a minha barriga. Eu perguntei: Só a barriga?
AMBAR
16 de outubro de 2025 7:56 pmLula não pode terminar seus mandatos sem vingar a lava-jato. Queremos viver pra ver. Moro e seus miquinhos amestrados não podem sair ilesos dessa patranha. Hei de ver.
Renato Paulo
22 de outubro de 2025 8:10 amSeria uma Boa Reabrir a Lava-Jato, o Mensalão, o caso da Odebrecht, só para não ter mais dúvidas do tanto de bandidos que a Justiça soltou depois que acabaram com tais operações… Corre o risco de todos os ex- condenados voltarem a serem condenados novamente… Q Beleza seria!…
José Bastos
4 de novembro de 2025 1:55 pmSe o Trump for ao banheiro não precisa de papel. Tem a extrema direita brasileira para se servir dela.