O iene voltou a atingir seu menor nível frente ao dólar em quatro décadas, aprofundando a pressão sobre o governo japonês e aumentando as expectativas de uma nova intervenção cambial para conter a desvalorização da moeda.
Na manhã desta terça-feira (30), o dólar chegou a ser negociado próximo de 162,4 ienes, o maior patamar desde 1986. A cotação mantém a tendência observada nos últimos meses, apesar das recentes elevações dos juros promovidas pelo Banco do Japão (BoJ).
Segundo análise da Euronews, o principal fator por trás da queda continua sendo a ampla diferença entre as taxas de juros praticadas no Japão e nos Estados Unidos.
Mesmo após elevar sua taxa básica para 1%, o maior nível desde meados da década de 1990, o Banco do Japão ainda oferece rendimentos significativamente inferiores aos dos títulos norte-americanos, que permanecem acima de 4%.
Essa diferença de rentabilidade estimula operações conhecidas como carry trade, nas quais investidores captam recursos em moedas de baixo custo, como o iene, para aplicá-los em ativos que oferecem retornos maiores, principalmente denominados em dólar.
Governo monitora mercado
A forte desvalorização levou autoridades japonesas a renovar os alertas sobre uma possível intervenção no mercado de câmbio. Nos últimos anos, o Ministério das Finanças realizou operações bilionárias de compra de ienes e venda de dólares para tentar reduzir a volatilidade cambial.
Embora essas ações tenham produzido efeitos temporários, não conseguiram alterar a tendência de enfraquecimento da moeda japonesa. Analistas avaliam que uma nova intervenção pode ocorrer caso o movimento seja considerado excessivamente especulativo ou ameace a estabilidade financeira do país.
A evolução do câmbio dependerá, em grande medida, das próximas decisões de política monetária no Japão e nos Estados Unidos. Caso o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo, enquanto o Banco do Japão continuar adotando um ritmo gradual de aperto monetário, a diferença de rendimentos poderá manter o dólar fortalecido frente ao iene.
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