“Impactos das longas jornadas de trabalho dos entregadores de alimentos por plataformas digitais em sua saúde física e mental” – Laura Valle Gontijo
Resumo feito com auxílio do ChatGPT
O artigo, integrante do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, discute as consequências das extensas jornadas enfrentadas por entregadores de aplicativos no Brasil e a necessidade urgente de regulamentação do trabalho por plataformas digitais.
A autora contextualiza o debate atual sobre a redução da jornada de trabalho, impulsionado pela PEC 08/2025 (Érika Hilton) e pela mobilização popular contra a escala 6×1. Observa que, embora a Constituição limite a jornada a 44 horas semanais, muitos trabalhadores — especialmente os entregadores de aplicativos — ultrapassam em muito esse limite, chegando a 60–80 horas semanais.
Com base em 12 entrevistas semiestruturadas realizadas no Distrito Federal e em observações de campo, Gontijo identifica que esses trabalhadores enfrentam exaustão física e mental, acidentes de trabalho frequentes, adoecimento, conflitos familiares e instabilidade financeira. A remuneração por entrega e a ausência de direitos trabalhistas (como férias, 13º, descanso semanal e salário fixo) levam à autoexploração, já que o ganho depende do número de entregas e do tempo disponível para trabalhar.
O controle algorítmico, as avaliações negativas, o medo de bloqueios e a promessa de autonomia mascaram uma forma intensa de subordinação. Além disso, a autora relaciona o modelo de gestão das plataformas à intensificação da exploração laboral, comparável à lógica fabril da Revolução Industrial, com consequências graves para a saúde mental e física dos trabalhadores.
O estudo conclui que é essencial regulamentar o trabalho por plataformas digitais, assegurando:
- Limitação da jornada de trabalho;
- Salário-mínimo e piso salarial;
- Férias e descanso semanal remunerados;
- Proteção previdenciária e direito à negociação coletiva.
Por fim, Gontijo argumenta que, diante dos avanços tecnológicos, é possível e necessário reduzir a jornada semanal para 36 horas sem redução salarial, garantindo melhor qualidade de vida, mais tempo de lazer e menor incidência de doenças ocupacionais e acidentes.
Leia o artigo a seguir:
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Fábio de Oliveira Ribeiro
24 de outubro de 2025 5:19 pmEssa luta é justa, mas num contexto em que se tornou irrelevante porque a esmagadora maioria da população brasileira trabalha em jornada diferente. Os apêndices biológicos das plataformas de internet não tem direitos prescritos na CLT e realizam jornadas de 12, 13 e até 14 horas por dia, sem intervalo para refeição ou descanso semanal. Esses escravos acreditam trabalhar para si mesmos e essa é a maior das tragédias contra a qual a esquerda prefere não lutar realmente.