4 de junho de 2026

“A emergência climática é uma crise de desigualdade”, afirma Lula em abertura da COP 30

Presidente afirma que mudança do clima é “tragédia do presente” e propõe Conselho do Clima na ONU para fortalecer governança global
Crédito: Ricardo Stuckert/ PR

▸Lula abre COP30 em Belém com discurso pela ação climática e superação do negacionismo, destacando a Amazônia e homenageando o povo paraense.

▸Lançado Fundo de Florestas Tropicais para Sempre na Cúpula de Belém, com US$ 5,5 bilhões em investimentos e iniciativas sustentáveis anunciadas.

▸Lula critica negacionismo, alerta sobre impactos do aquecimento global, propõe ações climáticas e destaca importância da justiça climática.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Na abertura oficial da COP30, realizada nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a conferência precisa ser “a COP da verdade”, marcada pela ação concreta e pela superação do negacionismo climático.

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“A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente”, disse Lula, em discurso que mesclou emoção, crítica política e apelo à cooperação internacional.

O presidente abriu sua fala prestando homenagem ao povo paraense, destacando a hospitalidade, a cultura e a culinária local. “Aqui vocês vão comer comidas que vocês não comeram em nenhum lugar do mundo, talvez o melhor peixe. E não se esqueçam de comer a maniçoba”, brincou, antes de afirmar que realizar a COP “no coração da Amazônia” foi um desafio “tão grande quanto acabar com a poluição no planeta Terra”.

Ao destacar o simbolismo de sediar a conferência na Amazônia, Lula afirmou que a região “não é uma entidade abstrata”, mas o lar de quase 50 milhões de pessoas e 400 povos indígenas, distribuídos por nove países. “Quem só vê a floresta de cima desconhece o que se passa à sua sombra”, afirmou o presidente.

Segundo ele, o esforço logístico de levar a COP para Belém teve um propósito político: aproximar o mundo da realidade amazônica. “Quando vocês deixarem Belém, o povo da cidade permanecerá com os investimentos em infraestrutura que foram feitos para recebê-los. E o mundo poderá, enfim, dizer que conhece a realidade da Amazônia.”

Florestas Tropicais

Lula lembrou que, na Cúpula de Belém pelo Clima, realizada nos dias anteriores à COP, foi lançado o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, que já arrecadou US$ 5,5 bilhões em promessas de investimento.

Entre as iniciativas anunciadas estão:

  • manejo integrado do fogo;
  • garantia de posse da terra a povos indígenas e tradicionais;
  • quadruplicação da produção de combustíveis sustentáveis;
  • criação de uma coalizão sobre mercados de carbono;
  • combate à fome e à pobreza vinculado à ação climática;
  • e enfrentamento do racismo ambiental.

“Trazer a COP para o coração da Amazônia foi uma tarefa árdua, mas necessária. A Amazônia não é uma entidade abstrata”, afirmou Lula. “Seria mais fácil ter feito a COP numa cidade acabada, que não tivesse problema e nós resolvemos aceitar o desafio de fazer a COP num estado amazônico para provar que, quando se tem disposição política, quando se tem vontade e quando se tem compromisso com a verdade, a gente prova que o homem não tem nada impossível para ele.”

Crítica ao negacionismo

O presidente fez duras críticas à desinformação e aos ataques à ciência.

“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, declarou.

Lula afirmou que, sem o Acordo de Paris, o planeta estaria a caminho de um aquecimento de quase 5°C até o fim do século, e alertou que o ritmo atual ainda levará o mundo a ultrapassar o limite de 1,5°C.

O presidente apresentou ainda o documento “Chamado à Ação”, dividido em três eixos principais:

  • Cumprimento de compromissos climáticos, com metas nacionais ambiciosas e apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento;
  • Aceleração da ação climática, com transição justa para além dos combustíveis fósseis e combate ao desmatamento;
  • Centralidade das pessoas, com atenção especial às populações mais vulneráveis.

O chefe de Estado também propôs a criação de um Conselho do Clima, ligado à Assembleia Geral da ONU, como forma de fortalecer a governança internacional.

Justiça climática

Lula dedicou parte do discurso a denunciar as desigualdades entre o Norte e o Sul Global, que considera “herança de séculos de emissões e exploração”.

“A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer”, afirmou.

O presidente defendeu políticas que reconheçam o papel das comunidades indígenas e tradicionais na mitigação climática. “Mais de 13% do território brasileiro são terras indígenas. Talvez ainda seja pouco”, disse.

Mensagem de esperança

Encerrando o discurso, Lula citou o xamã yanomami Davi Kopenawa, dizendo que “o pensamento na cidade é obscuro e esfumaçado”, e que é preciso buscar na floresta a serenidade para ver com clareza o que precisa ser feito.

“Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia. O desalento não pode extinguir as esperanças da juventude. Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar”, concluiu.

* Com informações do Palácio do Planalto.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    12 de novembro de 2025 7:03 am

    E a tendência das desigualdades é aumentar, principalmente quando a humanidade passar a existir em função da IA, o que parece questão de tempo

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