17 de junho de 2026

Plano Ecológico Brasil: Inovação e Sustentabilidade Econômica, por Luís Nassif

O TFFF (Tropical Forest Forever Facility) foi oficialmente lançado em 6 de novembro de 2025, durante a Cúpula de Líderes da COP30 em Belém.
Floresta Amazônica por Marcelo Camargo, Agência Brasil

▸ Brasil lidera na COP 30 com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, revolucionando a conservação das florestas tropicais.

▸ TFFF propõe recompensar países que preservam florestas, captando US$ 125 bilhões e beneficiando mais de 70 países tropicais.

▸ Fundo lançado na COP30, liderado pelo Brasil, visa reforçar a preservação ambiental e colocar o país como líder global em sustentabilidade.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A COP 30 lança definitivamente o Brasil na liderança global pelo meio ambiente e pela luta contra o aquecimento planetário.

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O Tropical Forest Forever Facility (TFFF), ou Fundo Florestas Tropicais para Sempre, representa uma iniciativa inovadora para a conservação das florestas tropicais, liderada pelo Brasil e representa uma mudança radical na legislação atual de defesa do meio ambiente.

O modelo do mercado de carbono é profundamente ingrato para com os países sequestradores de carbono – como o Brasil, com suas florestas tropicais e seu mangue e a maioria dos países africanos e do Sul Global.

No artigo “É hora de rever a legislação ambiental brasileira”, mostramos os principais vícios do modelo, a partir de uma entrevista com Raquel Dodge, ex-Procuradora Geral da República.

Pelo modelo vigente, não se remunerava a manutenção do meio ambiente, mas apenas a recuperação de regiões degradadas ou a ampliação das reservas ambientais. A partir daí, empresas de auditoria – muitas de reputação duvidosa, todas estrangeiras – definiam o crédito de carbono gerado. O fazendeiro vendia por 5 dólares e esse crédito era revendido por até dez vezes mais no mercado europeu.

Lançado na COP 30, o Fundo Tropical das Florestas (TFFF) é uma revolução na questão da responsabilização de quem polui e no financiamento de quem preserva. Como é explicado no portal do Ministério da Fazenda, “países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente via fundo de investimento global. Em vez da destruição, a conservação se torna economicamente vantajosa, gerando desenvolvimento social e econômico”.

O objetivo final do fundo será captar US$ 125 bilhões no mercado, a juros reduzidos como ativo de baixo risco, US$ 25 bilhões de países e US$ 100 bilhões do setor privado. Os recursos serão reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno, gerando um lucro, correspondente a diferencial de spread. A diferença será repassada aos países com florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada, enquanto que o dinheiro que foi emprestado será devolvido aos investidores com lucro. 

O TFFF (Tropical Forest Forever Facility) foi oficialmente lançado em 6 de novembro de 2025, durante a Cúpula de Líderes da COP30 em Belém. A iniciativa recebeu endosso de 53 países, com mais de US$ 5,5 bilhões anunciados em compromissos iniciais.

O pagamento será de US$ 4 por hectare preservado. O projeto poderá beneficiar mais de 70 países tropicais, cobrindo até 1 bilhão de hectares de floresta. Pelo menos 20% dos recursos irão para povos indígenas e comunidades locais.

Além dos benefícios ao meio ambiente, o TFFF reforça o papel do Brasil, e do presidente Lula, como a grande liderança do Sul Global, colocando o Brasil como interlocutor das principais economias do planeta.

Os avanços internos

Secretário-Executivo adjunto, cabe a Rafael Ramalho Dubeux o acompanhamento de todas as ações ambientais dispersas pelos diversos Ministérios.

O Ministério da Fazenda, em articulação com o Ministério do Meio Ambiente, lidera um esforço para substituir o modelo econômico baseado em commodities e degradação ambiental por um sistema de inovação, sustentabilidade e agregação de valor. Mais de 200 ações governamentais estão integradas nesse plano, monitoradas por um painel central e conectadas a diferentes pastas ministeriais.

Avanços Legislativos

Entre os marcos regulatórios recentes, destacam-se:

Lei do Mercado Regulamentado de Carbono, separando-o do mercado voluntário e garantindo maior integridade dos créditos.

Lei dos Combustíveis do Futuro, incentivando SAF, biogás e biometano.

Lei do Hidrogênio de Baixo Carbono e Lei da Energia Eólica Offshore.

Programa MOVER, voltado à mobilidade sustentável.

Essas medidas reforçam a transição para uma economia verde, com regras claras e instrumentos de fiscalização robustos.

Finanças Verdes e Fundo Clima

O Brasil já realizou três emissões de títulos sustentáveis, cada uma entre US$ 2 e 2,25 bilhões. Os recursos captados são canalizados para o Fundo Clima, operado pelo BNDES, que ampliou sua capacidade de desembolso de R$ 200 milhões/ano para até R$ 10 bilhões/ano. O diferencial está na destinação exclusiva para projetos limpos, como ônibus elétricos, e na possibilidade de oferecer crédito competitivo sem onerar o Tesouro.

Mercado de Carbono e Serviços Ambientais

O mercado voluntário de carbono brasileiro, considerado frágil, dá lugar a um sistema regulado com metodologias rigorosas e créditos de alta integridade. Paralelamente, o Fundo Florestas Tropicais (TFFF) surge como mecanismo internacional de remuneração pela preservação das florestas. Países como Noruega, Indonésia, França e Alemanha já anunciaram aportes bilionários, reforçando a ideia de que o custo da preservação deve ser compartilhado globalmente.

Ciência, Tecnologia e Inovação

A inovação é vista como eixo central da nova economia verde. Entre os projetos destacados estão:

Centro de Competência em Hidrogênio de Baixo Carbono, com integração internacional.

Programa Universidades Inovadoras e Sustentáveis, em parceria com os ministérios da Educação e da Ciência/Tecnologia.

• Apoio ao projeto Amazônia 4.0, liderado por Carlos Nobre, que busca criar um “MIT da Amazônia” para fomentar biotecnologia e soluções inovadoras.

Agricultura Familiar e Inclusão

A agricultura familiar foi reconhecida como peça-chave para a sustentabilidade e inclusão social. Editais de inovação tecnológica estão previstos para apoiar máquinas agrícolas adaptadas a pequenos produtores. Experiências locais, como as de Maricá e do Morro da Penha, foram citadas como exemplos de transformação social e econômica.

Mineração Sustentável

A mineração, setor estratégico para a transição energética, ganha novos contornos com a taxonomia sustentável brasileira. O objetivo é evitar a exportação de commodities sem processamento, investindo em refino e transformação mineral. Programas como o NECO-INVEST buscam atrair capital estrangeiro para industrialização e inovação, sempre com padrões ambientais elevados.

Desafios Digitais

Apesar dos avanços, críticas foram feitas à infraestrutura digital brasileira, especialmente à baixa qualidade da banda larga e à cartelização dos preços. A conectividade é vista como condição essencial para sustentar a inovação verde.

Próximos Passos

Entre as ações imediatas estão:

• Lançamento de editais para agricultura familiar.

• Consolidação do centro de hidrogênio de baixo carbono.

• Evolução institucional do MIT da Amazônia.

• Monitoramento contínuo do mercado regulado de carbono.

• Internalização dos recursos do TFFF com mecanismos de auditoria e transparência.

Conclusão

O Plano de Transformação Ecológica representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil encara desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Ao integrar finanças verdes, ciência, agricultura, mineração e governança social, o país busca se posicionar como líder global em inovação sustentável, conciliando crescimento econômico com responsabilidade ambiental e inclusão social.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. grevista

    10 de novembro de 2025 8:24 pm

    Nassif, fugindo do assunto do post: você tem que comentar a situação da Oi e a falência decretada. A Oi é parte fundamental das confusões políticas do país, você bem sabe, mais, certamente, que qualquer de seus leitores.

  2. fabricio coyote

    10 de novembro de 2025 9:17 pm

    lula deu aval ao crime do Rio Doce. e a vale continua a sanha destrutiva. o q aconteceu ao Rio Doce a longo prazo pode ter efeitos como os de Minamata.

    https://www.ufes.br/conteudo/pesquisadores-encontram-elevada-concentracao-de-metais-em-alimentos-cultivados-no-estuario

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