Há alguns fenômenos recentes acontecendo, e seguramente portadores de futuro.
O primeiro é a consciência sobre as potencialidades brasileiras em recursos naturais (terras raras, energia verde).
O segundo, é sobre o papel cada vez mais essencial da ciência e da tecnologia.
O terceiro é pelo avanço no planejamento público, incorporando ferramentas tecnológicas para organização da informação.
Políticas públicas são montadas com a articulação de setores, atores, recursos pelos órgãos centrais, muito mais do que por planos fechados de investimento. E a organização e acompanhamento desses sistemas é fundamental.
Um dos setores que demandam criatividade e articulação é o setor de defesa. Especialmente nesses tempos de ampliação de conflitos e disputas geopolíticas.
Por exemplo, o agronegócio brasileiro depende essencialmente do mercado chinês. O que ocorreria se, em algum momento de tensão, os Estados Unidos decidisse impedir o trânsito de navios em direção à China. Ou mesmo que as organizações criminosas se sofisticassem a ponto de reeditar os velhos modelos de pirataria com tecnologia moderna?
Houvesse um mínimo de consciência, a bancada ruralista deixaria de lado esse apoio à caracterização das organizações criminosas como terroristas (o que abriria espaço para ingerência norte-americana) e estaria defendendo o fortalecimento da Marinha brasileira.
É nesse quadro que ganha corpo a ideia de uma Embraer da Marinha.
O novo modelo e o Prosub
Desde a Estratégia Nacional de Defesa, de 2008, ganhou corpo o conceito de Amazônia Azul, isto é, a defesa da costa brasileira, ainda mais tendo em vista a descoberta do pré-sal.
O projeto mais ambicioso foi o Prosub, o programa de submarino nuclear brasileiro, parcialmente destruído pela Lava Jato.
Mesmo assim, especialistas do setor apontam para muitas inconsistências do projeto:
- Foco excessivo no “hardware” (infraestrutura):
O programa priorizou a construção da base e do estaleiro em Itaguaí — uma obra civil monumental — em vez de consolidar o ecossistema de fornecedores e a capacitação produtiva.
Resultado: prédio pronto, mas cadeia produtiva frágil e sem sequência de encomendas.
- Gestão vertical e pouco integrada:
A Naval Group (DCNS) detinha controle técnico e decisório sobre partes críticas. A Marinha e empresas brasileiras tiveram participação limitada no núcleo do projeto (design, integração, software de combate).
- Custos inflados por má governança:
O orçamento inicial (cerca de R$ 23 bilhões) acabou superado. As auditorias apontaram falta de transparência, revisões contratuais sucessivas e baixa execução física em vários momentos.
- Cronogramas irrealistas e politização de marcos:
Entregas foram definidas por calendário eleitoral, não técnico — o que gerou pressão sobre etapas críticas e resultou em atrasos acumulados e retrabalhos.
Mas o defeito central foi a não integração do projeto com um planejamento mais amplo, de criação de uma rede de fornecedores e de pesquisadores, capazes de absorver as tecnologias e fazer spin-offs delas.
Sem um novo submarino nuclear para projetar, o conhecimento se perdeu. Engenheiros e técnicos formados pela DBCS na França foram demitidos após o término dos dois submarinos projetados, por falta de novas encomendas. O Brasil formou mão de obra e a França absorveu parte desses profissionais.
Apesar das metas, grande parte dos sistemas críticos (propulsão, sonar, CMS, sistemas de armas) continua importada. O índice de conteúdo nacional efetivo ficou abaixo de 40% nos submarinos convencionais.
A Embraer naval
A proposta desses especialistas é criar uma Embraer Naval, cumprindo o mesmo papel da Embraer para a Aeronáutica. Cria-se um núcleo-âncora e, em torno dele, um ecossistema produtivo.
A experiência poderia começar com um projeto-piloto, o CV03, um navio-base nacional que serviria de modelo para consolidar a cadeia tecnológica.
Serviria de plataforma modular, permitindo versões com diferentes sensores, armas e propulsão (de patrulha a fragata leve);
Permitiria. também, usar tecnologias nacionais — como o CMS Atech + Atlas Elektronik, radares BRADAR, integração Visiona, sistemas de propulsão elétrica e automação digital;
Aproveitaria o know-how acumulado nos programas Tamandaré e ProSub, sem repetir seus gargalos (hiatos, perda de pessoal e dependência externa).
Seria um KC-390 (o avião militar da Embraer) do mar, servindo de vitrine tecnológica e abrindo mercado externo.
Em resumo, dizem esses especialistas, o CV03 não é apenas um navio — é o protótipo político-industrial que permitiria à Marinha e à Embraer reproduzirem no mar o sucesso que o KC-390 teve no ar.
Leia também:
José de Almeida Bispo
6 de novembro de 2025 8:20 amEm matéria de defesa, atire primeiro; pergunte depois.
Não se faz defesa com arma alheia; ou qualquer tipo de “transparência”.
O intenso intercâmbio entre ministério público e poder judiciário brasileiro, e as diversas organizações estadounidenses, associadas ao Departamento de Estado, visando acabar com a corrupção BRASILEIRA, tem nome: vigilância eficiente em cima do Estado nacional.
Não há como se esconder do olho do Grande Irmão, que está no ar, fotografando cada centímetro do solo brasileiro à hora em que quiser, e cheio de traidor, na sociedade civil, na militar e até no aparelho de segurança. Todo impulso de internet passa antes pelos Estados Unidos antes de ser entregue ao destino. Comunicação total monitorada. Igrejas americanas ou associadas dentro da mesma situação. Enfim, jamais teremos a bomba, foguetes e submarinos na “transparência”.
O M. do Rio só está testando o alcance do Departamento de Estado quando promove a chacina oficial.
GalileoGalilei
6 de novembro de 2025 10:38 amO Brasil carece de uma plano diretor que afirme em alto e bom som aquilo que pretende ser nos próximos cinquenta anos. Fazemos esforços pontuais aqui e ali e que depois são abandonados, mesmo que, eventualmente, tenham sido exitosos. Uma Embraer aqui, talvez uma Embramar ali. Talvez algumas dessas iniciativas deem certo, talvez não. E se derem certo, nada indica haver continuidade. Lula se manifestou publicamente afirmando querer dar um salto qualitativo além do Bolsa Familia e outras boas iniciativas pontuais que foram necessárias em outro contexto, mas que apenas mostram o quanto nos falta de uma visão estratégica holista. Estamos vendo agora o quanto a nossa soberania é frágil. Estamos presenciando também como as guerras tradicionais estão sendo substituídas, inicialmente por guerras econômicas, mas agora também por guerras tecnológicas. Somos frágeis para participarmos de qualquer um desses três tipos de guerra. Além de não podermos confiar em nossas FFAAs, entreguistas em seu DNA, falta-nos tudo o mais. Hoje, o único país com capacidade de enfrentar, resistir e talvez vencer os arroubos de “valentia” arrotados pelos EUA é a China. Mas a China não alcançou esse estágio de soberania da noite para o dia. A soberania chinesa é fruto de um árduo e planejado trabalho ao longo de décadas. A China não embarcou em um projeto de trem de alta velocidade aqui, ou um projeto de robotização ali e ficou de braços cruzados esperando para ver depois o que iria sair disso. A China sabiamente deu prioridade máxima à Educação, Ciência e Tecnologia sabendo que tem uma população de 1,4 bilhões de pessoas que precisam muito mais do que serem alimentadas. A Educação tem sido, para a China, muito mais do que uma política de justiça social. Trata-se da valorização de seu povo. Os EUA hoje tentam impedir o acesso da China aos semicondutores de ponta, mas isso só faz uma coceirinha nos chineses e aguça ainda mais seu senso de prioridades para que, em breve, essa seja uma área em que a China também ultrapasse os EUA. Alguns falam que hoje a Índia é a nova China tendo em visto os atuais índices de crescimento da economia indiana. Nada mais falso. A Índia é um gigante – também tem 1,4 bilhões de habitantes – mas de pés de barro. O Brasil é um país continental e não pode ficar eternamente em berço esplêndido a mercê de ventos, marés, tempestades e do bom ou mau humor do buana que ocupe o salão oval. Além da China como exemplo, o Brasil deve se inspirar também nos EUA em como estes tratam aqueles que traem (ou supostamente traem) o seu país. Traidores, entreguistas, conspiradores com o inimigo devem ter tratamento a altura dos prejuízos causados à nação.
Milton
10 de novembro de 2025 9:06 amAssino embaixo. Precisamos de um plano abrangente para nossos problemas. Mas, tradicional adversativa, temos uma gigantesca pedra no caminho que é a politicagem rasteira de interesses dos pequenos grupelhos que infestam o país. O que um prefeito começa o seguinte abandona e assim em toda a máquina pública do país. Exemplo solar é a “administração” do Banco Central. Mudam para não mudar nada ao melhor estilo de Lampedusa.
Penso que a raiz de tudo seria a educação massiva e presente nas áreas mais carentes. Assim teríamos volume e peso para pressionar os “distintos” administradores públicos. Mas isto seria pensar anos à frente coisa que não é do feitio da administração pública por aqui. E Lula, que faz um bom governo, não tem jeito para o enfrentamento firme da tarefa que exige firmeza e destemor.
GalileoGalilei
10 de novembro de 2025 1:44 pmEu acho que o Lula tem o jogo de cintura necessário para evitar um “enfrentamento” que pode derrapar. Com esse jogo de cintura, Lula já conseguiu muita coisa. Ele pode conseguir isso também. Ele já pediu sugestões para um próximo mandato e eu espero que essas cheguem até ele.
Ernestogmv
6 de novembro de 2025 10:49 amCom os mísseis anti-navio de hj, qualquer navio de superfície é um pato. Eles não tem defesa, principalmente se for um míssil hipersônico. Quando entra no radar, faltam menos de 4 segundos pro impacto, não tem defesa.
Em 2001, o comandante da frota que tinha atacado o Iraque esteve no Rio. A frota passou uns dias no Rio. Em uma entrevista ao Jornal do Brasil, em 2001, ele já dizia que os porta-aviões, são armas obsoletas, não tem como se defender dos mísseis anti-navio. São lentos, grandes e difíceis de manobrar. São travados pelo míssil a 400km de distância, e tem enorme capacidade de manobra em altas velocidades.
O que garante a vida dos porta-aviões dos EUA é o poder de retaliação que eles tem contra quem os atacar, mas os navios são indefensáveis.
Robert Red
6 de novembro de 2025 5:29 pmE Lula ainda vai dar mais 5 Bilhões pra essa turma “comprar brinquedinhos” superfaturados em 2026 ???
emerson57
6 de novembro de 2025 8:09 pmSe eu tivesse um metro de terra para defender investiria em “DRONES”.
Desde os aéreos como os submersiveis e mesmo terrestres.
Em equipamentos de baixo custo, baixa manutenção e com diferentes abordagens do que já é produzido no resto do mundo.
E em inteligência para navegar pelas telecomunicações.
Computação de alta velocidade num mundo cibernético intimida mais que bombas atômicas.
Emprego, salário, formação e prestígio para os cientistas brasileiros.
Um defensor desses impõe mais respeito contra intervenções alienígenas do que mil generais golpistas.
Antes de tudo isso será necessário ganhar as eleições de 2026 e próximas. Executivo, legislativo e judiciário e BANCO CENTRAL!
José Gilvar Gonzaga
7 de novembro de 2025 9:46 amEspero que seja criada a Embraer naval. O nosso País tem que tá fortemente armado. Sou afavor também da bomba Atômica e Urgente
José Gilvar Gonzaga
7 de novembro de 2025 9:48 amQue seja criada a Embraer naval mais rápido possível
Kim'
9 de novembro de 2025 8:57 pmEmgepron?