5 de junho de 2026

“A polícia nasceu para caçar negros”, diz Celso Tres sobre conivência institucional em massacres

Para procurador, brutalidade das operações no Rio é herança de um país que nunca rompeu com seu histórico de escravidão

▸Origem da polícia no Brasil remonta à caça de escravos. Procurador Celso Três aponta massacre no Rio como herança histórica de exclusão.▸Favelas surgem da promessa não cumprida a soldados negros e pobres. Exclusão histórica se reflete em operações policiais e mortes.▸Massacre no Rio expõe complacência de instituições. Procurador defende transferência do caso para esfera federal por grave violação de direitos humanos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

“A polícia no Brasil começa quando chega Dom João VI, a família real. E sabe qual era o objetivo? Livrar a cidade dos negros fugidos que a infestavam. Ou seja, era o capitão do mato institucionalizado. O país mais escravocrata da história da humanidade tinha uma polícia feita para caçar escravos. Essa lógica nunca foi realmente desfeita”.

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A lembrança é de Celso Três, um dos procuradores mais experientes do país na área criminal. Para ele, a origem da polícia no Brasil ajuda a explicar o padrão de apagamento da população negra que se repete há séculos.

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, na estreia do programa “Nassif: o tema é Segurança Pública”, ele analisou o massacre que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro e afirmou que a brutalidade das operações policiais e a conivência das instituições são heranças de uma história que nunca deixou de tratar negros e pobres como inimigos. Confira o link abaixo.

Da escravidão às favelas: o fio histórico da exclusão

Três recupera um episódio simbólico da virada do século XIX: a origem das favelas. Após a Guerra de Canudos (1896–1897), soldados, em sua maioria negros e pobres, foram enviados ao sertão com a promessa de receber terra e moradia ao voltar.

“Na volta, não deram absolutamente nada. Eles tomaram o morro central do Rio de Janeiro e deram a ele o nome de Favela, em referência à planta espinhenta da Bahia. Era ironia e resistência ao mesmo tempo”, explicou.

A partir desse gesto nasce um país que se acostumou a empurrar para os morros e periferias aqueles a quem antes caçava. “É uma reprodução histórica impressionante. A mesma lógica de exclusão que criou a polícia e as favelas continua a ditar o que o Estado faz — e a quem ele mata”.

“Para inglês ver”: a velha farsa da legalidade

O procurador lembra ainda que o Brasil já foi condenado, em 2017, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por execuções e estupros cometidos por policiais durante operações na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, em 1994 e 1995. Ainda assim, as ações seguem ocorrendo sob o aval das mesmas instituições que deveriam conter o abuso.

“O que vimos agora, como você disse no início, foi uma operação avalizada pelo Ministério Público Estadual e pela Justiça do Rio, sem que nenhuma das condições da ADPF das Favelas fosse cumprida. Isso é a velha tradição brasileira: cumprir para inglês ver”, disse, concordando com a análise do jornalista Luis Nassif sobre a complacência das instituições no massacre do Rio. Leia mais aqui: A pantomima do MP-RJ e o acobertamento do massacre.

Para Celso Três, há todos os elementos para que o Procurador-Geral da República ajuíze no Superior Tribunal de Justiça o chamado incidente de deslocamento de competência — mecanismo que transfere o caso da esfera estadual para a federal em situações de grave violação de direitos humanos.

“Quando há massacre e os órgãos estaduais se mostram incapazes de apurar, a Constituição permite o deslocamento. É o que precisamos fazer agora, sob risco de o Brasil ser responsabilizado novamente em cortes internacionais”.

A quem serve a bala?

Ao final do prpgrama, o procurador fez a pergunta que sintetiza a desigualdade estrutural do país: “Quem lucra com o tráfico não está no morro”.

“A operação na Faria Lima mostrou bem isso. Os bilhões do narcotráfico não estão no alto do morro, estão nos cofres brancos da elite. E quem morre é o pobre, o negro, o invisível. Essa é a engrenagem da desigualdade e da repressão que nunca foi desmontada”.

Para o procurador, a barbárie do presente é o espelho do passado. “A Constituição de 1988 quis trazer o Brasil para o campo da civilização”, afirmou. “Mas, como estamos vendo, a barbárie ainda é o idioma oficial das favelas”.

Assista à fala completa de Celso Tres pelo link abaixo:

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. Cidadão sem cidadania

    15 de novembro de 2025 1:17 am

    E hoje o STF e Lula estão fazendo outra pms no municipios , desde o momento que o STF falou que guarda pode policiar aqui na periferia está um inferno, que país sem rumo , imagina o cara não consegui ser policial , foi ser guarda entra com uma Adin e pronto Lula e STF autorização, o que era ruim hoje tá um terror, guarda hoje faz blitz a torto e direito são muito mais truculentos que a pm , como disse o sabio andre Motta Araújo só um governo forte pra para parar esse berracao de guarda agir como pm , é como disse o grande Guilherme dos santos em entrevista pro Nassif no brasilianas, acontece Nassif que a esquerda tbm é autoritária, guarda hoje anda com fuzil e escobeta, uma verdadeira aberração , guarda só para cuidar de prédio e praça, essa loucura de guarda patrulhado tem que parar .

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