10 de junho de 2026

A pantomima do MP-RJ e o acobertamento do massacre

O óbvio: todas as providências estão sob supervisão de uma corporação envolvida, direta e indiretamente, com o massacre.
Chacina no Rio de Janeiro - Foto de Tomaz Silva - Agência Brasil

▸Massacre nas comunidades da Penha e do Morro do Alemão gera polêmica com participação da Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

▸Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro pericia quase 100 corpos em um dia, com promotores do MPE-RJ como “observadores independentes”.

▸Ministério Público do RJ oferece denúncia contra 67 integrantes de facção, mas sem explicar a ausência dos mortos e detidos nas ordens judiciais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

É vergonhosa a pantomima montada pela Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, em torno do massacre nas comunidades da Penha e do Morro do Alemão. 

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Em apenas um dia, o Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro periciou quase 100 corpos e emitiu laudos. E, segundo as notas oficiais, os peritos foram acompanhados por promotores do MP-RJ, como “observadores independentes” incumbidos de montar relatórios sobre a chacina.

Independentes. como assim? O MP-RJ participou desde o início da operação. Então, qual a razão de não terem sido admitidos os peritos da Defensoria Pública e as recomendações do Ministério Público Federal?

Na nota, o PGJ admite a cooperação do GAECO-RJ (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com as investigações e diz que a intenção “não foi de retomada territorial”, mas cumprimento de ordens judiciais. O GAECO ofereceu denúncia contra 67 integrantes da facção — recebida pela Justiça — com 51 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão.

Até agora não se pronunciou sobre o fato de que nenhum dos mortos e dos detidos constava na relação das tais ordens judiciais.

Anuncia providências:

  • Acionamento imediato dos protocolos previstos na ADPF 635 (decisão do Supremo Tribunal Federal)
  • Abertura de canal direto com a população para denúncias sobre eventuais abusos.
  • Presença de três peritos legistas + promotor de Justiça acompanhando todas as necropsias no Instituto Médico-Legal, com scanner de alta precisão para radiografias completas dos corpos.
  • Solicitação de acesso a: câmeras corporais usadas na operação; relatórios circunstanciados com dados de efetivo, armamentos e materiais apreendidos; oitivas das polícias e testemunhas; acompanhamento via Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAV/MPRJ). 

Não se pronuncia sobre o óbvio: todas essas providências estão sob supervisão de uma corporação envolvida, direta e indiretamente, com o massacre.

Declaração de solidariedade às famílias das vítimas (policiais civis/militares mortos) e compromisso com o devido processo legal, controle de local de crime etc. Nada diz sobre execução sumária, mostrando  que o MPRJ assume papel ex post de controle, investigação de eventuais excessos e supervisão da execução policial.
A nota não detalha números específicos da operação (quantos mortos, quantos presos no momento da execução, armas apreendidas) de forma completa — o foco está na investigação e fiscalização, não nos “dados brutos de execução”.
Quando o PGJ afirma que a operação “não foi de retomada territorial” mas “cumprimento de ordens judiciais”, ele busca mitigar críticas de “guerra urbana” ou operação de grande escala sem mandados — o que sugere preocupação com a legitimação legal, sabendo que afrontou todos os princípios legais e atropelou determinações do STF.

Está em andamento, claramente, uma operação destinada a encobrir os crimes cometidos na matança.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. emerson57

    31 de outubro de 2025 6:04 pm

    Ah, vá seu Nassif,
    Uma operaçãozinha destas com apenas um punhado de PM!
    Essa história de larga escala é tentativa de lacração por parte da esquerda comunista!
    “Cerca de 2 600 agentes participaram da invasão à comunidade, que começou às 8h. Foi a maior operação realizada no complexo desde que a polícia ocupou as favelas, no dia 2 de maio de 2007,”
    (Alérgicos, esse comentário pode conter traços de ironia)

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    31 de outubro de 2025 7:42 pm

    Os salários acima do teto e penduricalhos abaixo da moralidade dos promotores e juízes cariocas são garantidos pelo governador que mandou a PM assassinar pobres. Acobertar o crime no Brasil não impedirá a investigação dele no Tribunais Penal Internacional, onde o governador, o comandante da PM, o presidente do TJRJ e o Procurador geral do Estado do RJ podem ser obrigados a sentar no banco doa réus. Chega de tolerar o crime organizado pelo sistema de justiça carioca. A impunidade dos promotores e juízes é a verdadeira munição das chacinas cometidas nas favelas do Rio de Janeiro. Em São Paulo não é muito diferente.

  3. Rui Ribeiro

    1 de novembro de 2025 11:54 pm

    O narcotráfico não pode ser enquadrado como terrorista pois terrismo é the unlawful use of violence and intimidation, especially against civilians, in the pursuit of political aims.
    Traficantes não querem mudar o regime nem o governo

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