4 de junho de 2026

Câncer de Próstata – O Vilão Explicado e Novidades para Dieta e Prevenção.

Câncer de Próstata

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O que é?

É um tumor (ou neoplasia) que atinge a próstata. Cerca de 99% dos casos são de um tipo chamado adenocarcinoma. Nesse tipo de doença as lesões são assintomáticas nas fases precoces, com sintomas surgindo apenas quando já ocorrerau disseminação local ou a distância.

É uma neoplasia que atinge cerca de 1 a cada 6 homens após os 50 anos e que possui forte componente genético ou familiar. Quanto mais familiares com câncer prostático maior a possibilidade de um indivíduo na mesma família desenvolvê-lo.

Quais os sintomas?

Os sintomas do câncer não surgem nas fases iniciais, quando ele ainda é curável. Assim, os sintomas referem-se as fases avançadas da neoplasia e  incluem os problemas de obstrução do fluxo urinário (como jato fraco, retenção urinaria, dificuldade para iniciar a micção); dor óssea e fraturas patológicas, além de alguns quadros menos comuns como trombose de vasos.

O toque retal é bastante útil para o diagnóstico e deve sempre estar associado a avaliação do PSA. A constatação da presença de crescimento prostático benigno (HPB ou Aumento Prostático), não exclui a presença de tumor prostático, já que 10 – 30% dos homens podem apresentar uma neoplasia oculta.

A realização regular desses exames, contudo, é a melhor garantia de diagnóstico oportuno dos tumores prostáticos, já que não podemos contar com o surgimento de sintomas na fase em que o tumor ainda é curável, a fase precoce ou inicial.

Como é feito o diagnóstico?

A suspeita do diagnóstico é feita pelo exame de PSA elevado ou pelo exame de toque da próstata com a presença de nódulos ou endurecimentos.

Em linhas gerais consideramos como valor máximo PSA=2,5. Esse limite pode variar bastante se considerarmos os extremos de idade e os fatores genéticos envolvidos no desenvolvimento do câncer de próstata, mas deve ser o guia para uma suspeita consistente do tumor na maioria dos pacientes.

Com a suspeita levantada pelo PSA e/ou pelo Exame da Próstata, o paciente deve ser submetido à Biópsia da Próstata, sob sedação. Esse procedimento é realizado sem a necessidade de internação, com o paciente sedado, retirando-se de pelo menos 12 fragmentos de tecido prostático. Cada fragmento é encaminhado para um patologista experiente que através do microscópio poderá dizer se alguma das amostras apresentam caracteríscas de neoplasia maligna.

Caso o diagnóstico seja de tumor,  ele será classificado com uma nota que varia de 6 a 10, chamada Escore de Gleason.

Tumores Gleason 6 são os menos agressivos. Tumores Gleason 7, tem agressividade intermediária e tumores com nota 8,9 e 10, são considerados agressivos.

Principais causas

As causas do Câncer de Próstata não são totalmente esclarecidas, de forma que não há conhecimento consistente sobre a biologia de seu  surgimento.

O que se constata com segurança é que o passar dos anos predispõe ao seu surgimento, tornando-o pouco comum em homens com menos de 50 anos, mas atingindo um pico de diagnóstico aos 72 anos. 

Sabemos também que a incidência do tumor é baixa em asiáticos (que nascerem e que vivem na Ásia).

A genética, por sua vez, tem um papel muito relevante no surgimento dos cânceres de próstata. Aproximadamente 9% de todos os casos e 40% dos casos de câncer de homens muito jovens tem origem familiar ou hereditária.

Na prática funciona assim:

  • 1 Familiar com câncer = 2 a 3 vezes de aumento no risco
  • 2 Familiares com câncer = 4 vezes de aumento no risco

Algo novo que pode trazer algum impacto prático é uma possível ligação entre o câncer de próstata e os genes que causam o câncer de mama (BRCA1 e BRCA2). Pode ser recomendado, no futuro, o estudo desses genes em homens com histórico de câncer de mama na família.

Tratamento

O tratamento do câncer de próstata depende de uma avaliação completa que determine a mais provável localização do tumor. Muitos pacientes precisarão realizar cintilografia óssea, ressonância nuclear magnética de abdome e pelve, além de um cuidadoso exame físico.

Quando confirmamos a localização restrita à próstata, podemos oferecer tratamento curativo realizando-se sua extração cirúrgica ou a radioterapia (o que também inclui a indicação de braquiterapia – uma modalidade de radioterapia).

Os tratamentos realizados com injeções ou comprimidos de hormônios não tem intuito curativo quando utilizados isoladamente, não sendo indicados para pacientes com doença localizada na próstata.

Em linha gerais, a cirurgia é um tratamento que cura globalmente mais do que a radioterapia, mas traz o inconveniente de ser necessária internação com anestesia e trazer risco maior de diminuição da potencia sexual. A radioterapia, a despeito de curar um pouco menos, é mais confortável para o paciente e tem efeito menor na parte sexual.

Em algumas situações podemos classificar o câncer de prostata como uma modalidade de baixo risco chamada de Tumor Insignificante Esses pacientes têm grandes chances de não sofrerem qualquer efeito da neoplasia e, por isso, podem ser cuidadosamente acompanhados (chamamos essa conduta de Watchful Waiting ou WW)

Atualmente aida podemos contar com tratamentos como a crioablação prostática e uma promessa de tratamento totalmente não invasivo chamada HiFU, que ainda não é eficiente, mas poderá se impor nos próximos 10 anos.

A cirurgia robótica que chegou com grande pressão da indústria, possibilitou a evolução do tratamento cirúrgico por laparoscopia e tem mostrado excelentes resultados, comparáveis ao da cirurgia aberta clássica

Tratamentos Alternativos

No caso do câncer de próstata, para a cura do tumor, é necessário extraí-lo, ou destrui-lo com, irradiação, calor ou resfriamento. Em casos especiais, como vimos, não é errado apenas seguir os pacientes de forma cuidadosa.

Não há, contudo, um tratamento alternativo para a cura do câncer de próstata.

Como fazer a prevenção

Existem algumas evidências de que a modificação na dieta pode contribuir para a prevenção do câncer de próstata. As principais medidas incluem reduzir ao máximo a ingestão de ácido alfa-linoleico, que está presente na carne vermelha e na manteiga. Por outro lado procurar elevar a ingestão de isoflavonas e genisteina, presentes na soja.

Não há evidências de que o licopeno, o selênio e a vitamina E ajudem a prevenir o câncer de próstata, conforme mostrado em estudo publicado em 2010 com 32 mil voluntários.

A Finasteria e a Dutasterida  são drogas que podem diminuir o tamanho da próstata e, aparentemente,nos proteger contra o desenvolvimento dos tumores. Contudo, elas diminuem a libido e, supreendentemente, também podem despertar tumores agressivos. Devem ser usadas somente sob orientação médica.

por Cesar Camara, Urologista do HCFMUSP e Doutor em Ciências pela USP

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14 Comentários
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  1. Ed Döer

    18 de fevereiro de 2014 8:08 pm

    Se a incidência é baixa nos

    Se a incidência é baixa nos asiáticos, talvez tenha relação com a soja, já que o consumo da mesma é citada entre as formas de prevenção.

  2. Marco Jamel

    18 de fevereiro de 2014 8:45 pm

    1 em cada 6?

    1 em cada 6 homens acima dos 50 anos com adenocarcinoma de prostata?

    Não está um tanto exagerado? Isto equivaleria a alguns milhões de homens no Brasil. Uma verdadeira epidemia.

    Parece que o doutor viajou…

    1. Paulo José Chipoletti Picca

      19 de fevereiro de 2014 1:13 am

            Marco, isso se

            Marco, isso se relaciona ao meu comentário abaixo. Depois de introduzido o PSA, na chamada “Era pós-PSA” o número de “diagnósticos” de câncer de próstata aumentou muito, sem alterar a mortalidade. Isso porque estavámos rastreando alterações histológicas que chamamos de câncer, mas que, na verdade, a grande maioria apresenta comportamento benigno. Se vivéssemos até 100 anos, quase todos homens teríamos.

      1. Marco Jamel

        19 de fevereiro de 2014 9:13 am

        Obrigado pelo comentario. A

        Obrigado pelo comentario. A conclusão é que o artigo encontra-se com data vencida e não informa o leitor com a visão atualizada da questão.

        Fica ligado. Nassif!

      2. cesarcamara

        26 de fevereiro de 2014 5:10 pm

        Mortalidade

        Paulo, na verdade os tumres diagnosticados antes do PSA eram tumores malignos mesmo. O que aconteceu após o PSA é que  passamos a diagnosticar tumores mais indoloentes, que poderiam inclusive ser seguidos sem tratamento específico.

        A grande questão do câncer de próstata é que muitos tumores são pouco agressivos, mas nós nao conseguimos distingui-los dos agressivos de maneira confiável.

        Outro ponto relevante: a mortalidade caiu sim. Os estudos transversais europeus já vem demonstrando benefício de longo prazo dos pacientes tratados cirurgicamente e isso comparados a pacientes não operados, mas que foram submetidos a bloqueio androgênico. São apenas apenas 3 estudos grandes, o Americano é o que tem mostrado benefícios inferiores do tratamento

         

    2. Flavio de Oliveira Lima

      19 de fevereiro de 2014 10:52 am

      Viajou não, vai fazer a sua

      Viajou não, vai fazer a sua prevençaõ, que é isso mesmo.

    3. cesarcamara

      26 de fevereiro de 2014 5:02 pm

      1 em cada 6

      Olá Marco, o numero é esse mesmo. O que nao significa que todos irão morrer de câncer de próstata

  3. antonio francisco

    18 de fevereiro de 2014 9:48 pm

    um alerta sobre exame PSA dito na wikipedia

    Ficheiro:Digital rectal exam nci-vol-7136-300.jpg

    Estudos internacionais evidenciam que a testagem rotineira de indivíduos assintomáticos com PSA traz mais riscos do que benefícios para os pacientes e a recomendação de todos os grupos de trabalho que vêm analisando o caso é pela não solicitação rotineira do PSA em qualquer idade. (10)

    http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ncer_de_pr%C3%B3stata

  4. Gilson AS

    18 de fevereiro de 2014 10:17 pm

    Faça anualmente, desde os 45

    Faça anualmente, desde os 45 anos de idade, o exame de próstata. 

    Faço o exame de PSA, mas também faço questão de fazer o toque retal, que segundo o meu urologista é o mais seguro.

    O meu último exame de PSA deu 0,75, e a minha próstata deu grau II, que segundo o urologista é compatível com minha idade, 60 anos.

    Homens, sem preconceitos, façam o exame de próstata !

    1. iron

      19 de fevereiro de 2014 12:55 am

      No meu caso, nao faco

      No meu caso, nao faco questao. Somente se o medico me convencer. 

      1. DanielQuireza

        19 de fevereiro de 2014 5:09 pm

        Pode ser que alguns tenham

        Pode ser que alguns tenham medo de gostar, não é mesmo.

  5. Paulo José Chipoletti Picca

    18 de fevereiro de 2014 11:10 pm

    Rastreamento do câncer de próstata

                Nassif,vi este post e não posso deixar de comentar. Estou fazendo minha residência em Medicina de Família e Comunidade na Unicamp.

                Vou direto ao ponto: hoje em dia, depois de estudos, não se recomenda mais o rastreamento do câncer de próstata. Algumas definições: rastreamento significa procurarmos alguma doença, rastreá-la, estando a pessoa saudável, ou seja, sem sentir nada. É o caso de fazer toque retal e PSA num homem de 60 anos que não sente nada. Caso ele sinta dificuldade para urinar, jato urinário fraco, sangramento pela urina ou retal, já não estamos falando mais em rastreamento, mas em diagnóstico.

               Por que não se recomenda? porque estudos mais recentes mostraram que, se compararmos a mortalidade por todas as causas e a específica por câncer de próstata entre, por exemplo, 100.000 homens que fizeram o rastreamento e 100.000 que não fizeram, não encontra-se diferença na mortalidade.

                Depois desses achados o NHS (National Healthcare Service), o SUS inglês, o US Preventive Task Force, órganização dos EUA cujo objetivo é desenvolver recomendações sobre serviços clínicos preventivos, e, recentemente, o Ministério da Saúde, já não recomendam mais que se faça o rastreamento.

                Esses dados estão nos links abaixo. 

    Estudos mostrando não haver benefício:

     Ilic, D; Neuberger, MM; Djulbegovic, M; Dahm, P. Screening for prostate cancer. The Cochrane Library. [Internet].  Disponível em:  http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004720.pub3/abstract;jsessionid=C61CB7BF98D38223E1A9D69B6EB30155.f02t04

    Ilic, DO’Connor, DGreen SWilt, T. Screening for prostate cancer. Cochrane Database Syst Rev. 2006;19(3)

    Djulbegovic, M; Beyth, RJ; Neuberger, MM; Stoffs, TL; Vieweg, J; Djulbegovic, B. Screening for prostate cancer: systematic review and metaanalysis of randomised controlled trials. BMJ Open. 2010;341:c4543

    Recomendações do NHS, do US preventive task force e do Ministério da Saúde:

    U.S. Preventive Services Task Force.  Screening for prostate cancer: U.S. Preventive Services Task Force recommendation statement. Ann Intern Med. 2012;157(2):120-34

    Prostate Cancer Risk Management Programme [Internet]. London: National Healthcare Service (NHS) [atualizada em Abr. 2013; acesso em Dez. 2013]. Disponível em: http://www.cancerscreening.nhs.uk/prostate/index.html

    Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Primária (29). Brasília, DF: MS; 2010. 95p

     

    Desculpe pela formatação do texto, não consegui adequar. 

     

    1. Flavio de Oliveira Lima

      19 de fevereiro de 2014 10:55 am

      Essa sua questão ainda esta

      Essa sua questão ainda esta em discussão, e não é bom desestimular a população a procurar ajuda. Ainda não. Portanto, façamos a prevenção, pessoal!

    2. cesarcamara

      26 de fevereiro de 2014 5:18 pm

      Rastreamento

      Paulo, a questão do rastreamento tem duas questões relevantes:

      1o. Ela é uma orientação para Populações e fortemente baseada em custos do tratamento para o governo, não vale para um indivíduo

      2o. Os estudos ainda não revelaram benefícios do não rastreamento de forma consistente, talvez algum dia revelem isso. Mas mesmo assim, tudo dependerá das características de um pais e de sua população.

      Finalizando (não é para você Paulo):

      A questão do toque: não fazer o toque em uma consulta urológica, para mim, é o mesmo de um cardiologista solicitar um ecocardiograma para não auscutar o coração. O exame da próstata faz parte do exame físico do paciente

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