Durante a vigília de apoio a Jair Bolsonaro em Brasília, na noite de sábado, o evangélico Ismael Lopes foi agredido e hostilizado enquanto discursava contra o uso da fé para justificar crimes políticos. Rodeado por apoiadores do ex-presidente, Lopes pediu responsabilização legal de Bolsonaro e aliados e denunciou a instrumentalização religiosa por grupos conservadores.
“Eu vou fazer uma leitura muito rápida. Eu represento o movimento de evangélicos que está em 19 estados e que tem acompanhado com muito afinco tudo o que tem acontecido (…) Uma pequena tolice pode arruinar a sabedoria e a honra. O coração do sábio se inclina para o bem, mas o coração do tolo se inclina para o mal. Nós temos orado por justiça nesse país. Nós temos orado para que aqueles que abrem covas caiam nelas, não mortos. A gente deseja que sejam julgados e condenados pelo mal que fizeram, como seu pai, que abriu 700.000 covas durante a pandemia, seja julgado pelo devido processo legal, tenha seu direito de defesa, mas que seja condenado e responda pelos crimes que cometeu”.
O discurso de Lopes foi interrompido por gritos e agressões de participantes da vigília. Após o ataque, ele realizou exame de corpo de delito no IML e relatou ferimentos leves, mantendo-se firme na defesa da justiça e do Estado de Direito.
Quem é Ismael Lopes?
Articulador social de 34 anos, Ismael Lopes é membro da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que articula evangélicos com pautas progressistas e de justiça social, e já representou o grupo em reuniões do Conselho de Participação Social da Presidência da República.
Lopes defende uma teologia contextual e progressista, que conecta fé cristã à luta por direitos humanos e justiça social. Politicamente, Lopes milita em causas de esquerda, fazendo referência a movimentos socialistas e ao comunismo em suas publicações.
Sua atuação busca resistir à instrumentalização religiosa feita por grupos evangélicos conservadores. Em suas análises, afirma que o evangelho deve denunciar desigualdades, chegando a declarar que “o amor ao próximo só é possível com o ódio de classe”, defendendo engajamento social e responsabilidade dos líderes políticos.
AMBAR
23 de novembro de 2025 5:55 pmO irmão Ismael só foi revestido da fé. Deu sorte, podia ter levado um cacete sem volta. Mas deus abençoou, ele teve tempo de escandalizar e dizer o que queria, e os ímpios não lhe fizeram o mal que pretendiam. Amém!
Rui Ribeiro
25 de novembro de 2025 10:05 am“O amor ao próximo só é possível com o ódio de classe”. – Ismael Lopes
“(…)
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
(…)”. – Carlos Drummond, A Flor e a Náusea