10 de junho de 2026

Interrupção do uso de Mounjaro provoca retorno do peso e perda de ganhos cardiovasculares, aponta estudo

Fármaco ganhou popularidade após estudos demonstrarem reduções de até 20% do peso corporal após mais de um ano de uso contínuo
Crédito: Divulgação

1. Estudo revela que suspender o uso de Mounjaro para perda de peso resulta em recuperação de peso e reversão de benefícios metabólicos, como pressão arterial e colesterol.

2. Pesquisa analisou participantes que perderam peso com tirzepatida, mostrando que 82% recuperaram parte do peso perdido após 12 meses sem o medicamento.

3. Especialistas destacam desafio de manter a perda de peso a longo prazo e ressaltam a importância de intervenções contínuas para preservar benefícios à saúde cardiovascular e metabólica.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um novo estudo indica que pessoas que suspendem o uso de Mounjaro, medicamento injetável amplamente adotado para perda de peso, não apenas recuperam os quilos eliminados, mas também perdem ganhos importantes em indicadores de saúde, como pressão arterial e colesterol. As conclusões reforçam o desafio de manter benefícios metabólicos quando o tratamento é interrompido.

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O fármaco, cujo princípio ativo é a tirzepatida, ganhou popularidade após estudos demonstrarem reduções de até 20% do peso corporal após mais de um ano de uso contínuo. Pesquisas anteriores já haviam constatado que o peso volta a subir após a suspensão da medicação. Agora, novas análises mostram que a reversão também atinge marcadores de risco cardíaco.

Reversão

As descobertas vêm de uma avaliação do ensaio clínico Surmount-4, publicada no Jama Internal Medicine. A pesquisa acompanhou pessoas com obesidade ou sobrepeso e outras condições associadas ao peso. Todos os participantes receberam tirzepatida durante 36 semanas, combinando o tratamento com mudanças de estilo de vida. Em seguida, foram divididos: metade seguiu com a medicação por mais um ano; a outra metade passou a receber placebo, sem saber da mudança.

Entre os 308 participantes que haviam perdido ao menos 10% do peso inicial antes de trocar o medicamento pelo placebo, os resultados foram claros: após 12 meses sem a tirzepatida, 82% recuperaram pelo menos um quarto do peso perdido. Os que tiveram maior reganho apresentaram também maior reversão de benefícios em glicemia, colesterol LDL, circunferência da cintura e pressão arterial.

Os pesquisadores destacam que, no grupo que recuperou 75% ou mais do peso perdido, os indicadores cardiometabólicos voltaram praticamente aos níveis registrados antes do início do tratamento. Entre os que recuperaram menos peso, algumas melhorias persistiram, mas em menor magnitude.

Resultados esperados

Para o professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, que não participou diretamente da nova análise, os resultados refletem um padrão conhecido. “O excesso de peso aumenta a pressão arterial e prejudica o controle da glicose. Quando o peso volta a subir, esses fatores de risco sobem junto.”

Ele afirma que manter o peso reduzido a longo prazo continua sendo um grande desafio, mas acredita que novos métodos e abordagens devem surgir para apoiar a manutenção após a perda inicial. Sattar lembra ainda que tirarzepatida e medicamentos similares têm mostrado potencial para reduzir riscos de hospitalização por insuficiência cardíaca e morte em pacientes com doenças cardíacas, benefícios que podem ser perdidos quando o tratamento é interrompido.

Hábitos

Para pesquisadores que estudam comportamentos alimentares, os dados também mostram outra questão: o medicamento nem sempre leva a mudanças duradouras no estilo de vida. Segundo Jane Ogden, professora emérita da Universidade de Surrey, o uso de injeções para emagrecimento pode, em alguns casos, reduzir a motivação para manter uma alimentação saudável. Assim, ao suspender o remédio, muitas pessoas tendem a retomar rotinas anteriores, o que acelera o reganho de peso e a perda dos avanços cardiovasculares.

Outros estudos recentes sugerem que mulheres que interrompem o uso de medicamentos como tirzepatida ou semaglutida pouco antes ou no início da gravidez podem ter maior risco de parto prematuro, ganho excessivo de peso e problemas como diabetes gestacional. Sattar, porém, alerta que as evidências ainda são inconclusivas e não demonstram relação causal, afirmando que novos ensaios clínicos são necessários para compreender melhor esse cenário.

Para os autores do estudo, os resultados reforçam um ponto central: manter a perda de peso ao longo do tempo exige continuidade na intervenção — seja por meio de medicamentos, mudanças duradouras no estilo de vida ou ambos. A interrupção tende não só a desfazer os avanços no peso, mas também a comprometer benefícios essenciais à saúde cardiovascular e metabólica.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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