Centros de pesquisa devem pedir, em 2026, o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o Car-T Cell, terapia promissora que trata cânceres a partir de células do próprio paciente, que são modificadas para combater leucemias e linfomas.
A expectativa é do médico Diego Clé, do Hemocentro de Ribeirão Preto (SP), um dos principais polos de pesquisa do tratamento, em entrevista ao g1.
Inicialmente, a estimativa era de que o pedido fosse feito ao longo de 2025, conforme declaração de Gustavo Mendes, diretor de Assuntos Regulatórios, Qualidade e Ensaios Clínicos do Instituto Butantan, em entrevista ao GGN.
No entanto, o estudo teve um pequeno atraso, tendo em vista a lentidão para recrutar voluntários que possam se submeter ao tratamento.
Nos próximos meses, os cinco hospitais que trabalham com a pesquisa (Hospital das Clínicas, Beneficência Portuguesa, Sírio Libanês, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e Hospital de Clínicas de Campinas) devem recrutar pelo menos 77 voluntários, a fim de atender à condição da Anvisa para conceder o registro do tratamento.
Após a conclusão dos testes, os pesquisadores vão formalizar o pedido de registro na agência reguladora.
O Car-T Cell, no entanto, já é considerado seguro para os pesquisadores. Conforme a reportagem do GGN mostrou, um dos pacientes de linfoma em estágio avançado apresentou remissão total da doença depois de 30 dias de tratamento.
Entenda
O Car-T Cell é uma terapia contra o câncer que retira as células T do sistema de defesa do paciente e as modifica geneticamente para que possam reconhecer as células cancerígenas. Reintroduzidas ao corpo, as células T se multiplicam e são capazes de eliminar os tumores.
A princípio, o método tem como alvo três tipos de cânceres: leucemia linfoblástica B, linfoma não Hodgkin de células B e mieloma múltiplo, este último ainda indisponível no Brasil.
Já a resposta ao tratamento costuma ser rápida. Dos 13 pacientes tratados com a CAR-T Cell, nove tiveram remissão completa da doença em 30 dias. Mas o custo na rede de saúde privada pode ultrapassar o valor de R$ 2 milhões por pessoa, pela estimativa da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O custo, no entanto, pode ser reduzido a partir da nacionalização da tecnologia do tratamento. Existem, ainda, outras pesquisas em andamento, a fim de tornar o tratamento oncológico cada vez mais acessível e eficaz.
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