A manutenção do mesmo advogado para defender o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), é o principal fator que, por ora, desarma as especulações sobre uma possível delação premiada do ex-executivo. Costa foi afastado e depois demitido do comando do BRB após uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga supostos repasses ilegais de recursos do banco público ao Banco Master.
A insatisfação de Paulo Henrique Costa com o isolamento sofrido e a forma como foi “defenestrado” do cargo, segundo relatos a aliados, motivou boatos intensos sobre sua disposição em colaborar com as investigações. No entanto, a estratégia de defesa em comum acalma o Palácio do Buriti.
Defesa conjunta, trégua momentânea
O criminalista e ex-desembargador do TRE-DF, Cleber Lopes de Oliveira, amigo e ex-colega de Ibaneis na OAB, é o responsável pela primeira linha de defesa de Costa e, simultaneamente, pela defesa pessoal do governador.
“Enquanto as defesas forem comuns, estamos tranquilos. Significa que não há delação sendo feita”, disse uma fonte do GDF, com acesso a Ibaneis, ao colunista Luís Costa Pinto, do ICL Notícias.
A mesma fonte ressalta o cenário de instabilidade que uma troca de advogado poderia gerar: “Se ele [Paulo Henrique] resolver inventar uma delação, não será por meio do Cleber. A confiança do governador no advogado e amigo de anos é total. Agora, se o Paulo Henrique anunciar que mudou a defesa será um Deus-nos-acuda em Brasília”.
Apesar das garantias do advogado Cleber Lopes ao Painel da Folha de S.Paulo de que Costa está bem e que o BRB afirma não ter havido prejuízo, as conversas de Costa com o governador não teriam sido leves. O ex-presidente do banco negou ser delator “até aquele momento”, sem no entanto, dissipar completamente a desconfiança de Ibaneis sobre sua firmeza.
Isolamento e contestações
Paulo Henrique Costa foi afastado do BRB por decisão judicial na última terça-feira (18) e demitido no mesmo dia pelo governo Ibaneis, quando estava em curso nos Estados Unidos. A gestão de Costa é investigada pela suposta compra de carteiras de crédito falsas do Banco Master, o que expôs o BRB em cerca de R$ 12,2 bilhões, segundo fontes do mercado.
O ex-presidente retornou ao Brasil na sexta-feira (21), negou ter cometido ilegalidades e prometeu colaborar com a investigação, conforme nota. Nas conversas com pessoas próximas, ele mencionou ter recebido apenas uma mensagem de texto de Ibaneis, com quem costumava ter contato telefônico frequente, e creditou sua saída à vice-governadora Celina Leão (PP). Celina, que teria ambição de assumir o Executivo em caso de afastamento do governador, agiu rápido, afirmando à imprensa que a gestão não tem “compromisso com o erro” e que a saída era definitiva.
A pressão política sobre a manutenção de Costa no BRB já era notável. A vice-governadora teria, inclusive, imposto a Ibaneis o nome de Nelson Souza, funcionário de carreira da Caixa, como novo presidente do BRB. Souza é um nome ligado ao senador Ciro Nogueira (PP), partido de Celina Leão.
Em meio ao escândalo, a gestão local viu-se em mais uma polêmica quando Juliana Monici, chefe de gabinete de Ibaneis e conselheira fiscal do BRB, publicou em um grupo de WhatsApp uma mensagem destacando a escolha de um “perfil técnico” para substituir Costa, que ainda estava no grupo. Tanto Juliana quanto Ibaneis se tornaram réus em processo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na mesma semana da operação da PF.
Justiça aposta em colaboração
Apesar das especulações e do clima de tensão em Brasília, o juiz federal Ricardo Augusto Leite, da 10ª Vara Federal, negou o pedido de prisão de Paulo Henrique Costa. A decisão do magistrado, segundo fontes, considera que o ex-presidente já colaborava com a área de fiscalização do Banco Central (BC) e aposta na eficácia de uma eventual delação.
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