Donald Trump elevou o tom da retórica anti-imigratória nesta quinta-feira (27), usando um ataque isolado em Washington como combustível político para anunciar uma agenda de ruptura, amplamente vista por especialistas como inviável, discriminatória e de forte apelo extremista.
Em uma série de publicações na Truth Social, o republicano prometeu suspender permanentemente a imigração de “todos os países do Terceiro Mundo”, sem sequer especificar quais seriam essas nações, e revogar milhões de autorizações concedidas durante o governo anterior, do democrata Joe Biden.
Trump amplia ameaças
“Suspenderei permanentemente a imigração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema americano se recupere completamente. Cancelarei todos os milhões de admissões ilegais aprovadas por Biden”, escreveu ele.
A formulação ampla e vaga, que o próprio Trump não delimitou, abre margem para atingir praticamente toda a América Latina, África, Oriente Médio e parte da Ásia. O anúncio representa a escalada mais explícita de sua plataforma anti-imigração desde o início do mandato.
Trump alegou que o objetivo seria permitir que o “sistema dos EUA se recupere totalmente”. Na mesma linha, acusou Biden de ter aprovado “milhões” de admissões irregulares, chegando a citar supostas autorizações emitidas por meio de “Autopen”, sem apresentar qualquer evidência.
Propostas de desmonte institucional e perseguição a imigrantes
As ameaças não ficaram restritas ao bloqueio de entrada de estrangeiros. Trump afirmou que pretende também:
- cortar todos os benefícios e subsídios federais destinados a não-cidadãos,
- desnaturalizar imigrantes que, segundo ele, ‘minam a tranquilidade doméstica’,
- deportar qualquer pessoa considerada ‘encargo público’, ‘risco à segurança’ ou ‘incompatível com a Civilização Ocidental’,
- e implementar uma política de “migração reversa”, definida por ele como “a única solução” para os problemas sociais do país.
As propostas, caso avancem, devem configurar um dos maiores retrocessos institucionais da história moderna do país, com impactos diretos em direitos civis, estabilidade familiar e no funcionamento de diversas áreas da economia americana.
Ataque em Washington impulsiona nova onda de retórica
A nova escalada ocorre menos de 24 horas após o ataque armado que matou Sarah Beckstrom, agente da Guarda Nacional, próximo à Casa Branca. Dois militares foram baleados no mesmo incidente.
O suspeito, Rahmanullah Lakanwal, é um afegão de 29 anos que chegou aos EUA em 2021 com um visto especial concedido a cidadãos que colaboraram com as forças americanas na guerra do Afeganistão, um dos grupos mais vulneráveis após a retirada das tropas dos EUA.
Mesmo antes da confirmação de detalhes do caso, Trump já havia pedido a suspensão imediata de todos os pedidos de imigração feitos por afegãos. Nesta quinta (27), ampliou a ofensiva: exigiu a revisão de Green Cards de cidadãos de 19 países, a maioria da África e do Oriente Médio, além de Cuba, Laos, Turcomenistão e Venezuela.
As medidas foram interpretadas como uma exploração direta do episódio para justificar um endurecimento generalizado contra populações que não têm relação alguma com o ataque, repetindo um padrão já conhecido no trumpismo: transformar casos isolados em plataformas de punição coletiva.
AMBAR
28 de novembro de 2025 12:33 pmSe eu fosse o Marco Rúbio botava as barbas de molho. Marco Rúbio, o puxa-saco sem noção, pensa que é branco e americano. Nénão.