9 de junho de 2026

Paraná: a escalada da intolerância e o avanço do extremismo

Escolas militarizadas, células neonazistas e intimidação religiosa revelam um cenário preocupante no Brasil
Escola militarizada - SEED - Governo do Paraná

1. Paraná lidera investigações sobre grupos extremistas, incluindo escolas militarizadas e células neonazistas, com episódios chocantes de violência simbólica.

2. Impunidade reforça práticas extremistas no estado, onde denúncias contra policiais militares resultam em baixa punição efetiva, alimentando radicalização e violência cotidiana.

3. Comparado ao filme “O Nome da Rosa”, o cenário paranaense reflete intolerância histórica, com uso de bodes expiatórios e transformação da justiça em espetáculo, potencializado por redes digitais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Paraná tem se consolidado como um dos estados mais citados em investigações sobre grupos extremistas no Brasil. Sob o governo estadual, a expansão das chamadas escolas militarizadas vem acompanhada de episódios que chocam pela violência simbólica. Em um treinamento recente, estudantes entoaram um hino que exaltava a morte e a brutalidade, em tom semelhante ao de tropas de elite — um retrato que críticos classificam como a institucionalização de uma cultura fascista.

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“Homem de preto, o que é que você faz / Eu faço coisa que assusta o Satanás (…) entrar na favela e deixar corpo preto no chão / com a faca entre os dentes, esfolo eles inteiro / O COPE tem guerreiro que mata fogueteiro / maata e esfola, usando seus fuzis”.

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Até agora, é a comprovação mais assustadora desse monstrengo chamado “escola militarizada”.

Junto com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Paraná lidera o ranking nacional de investigações sobre células neonazistas.

Paralelamente, operações policiais revelam a presença de células neonazistas em Curitiba e região metropolitana. A Operação Bergonha (2022) desarticulou grupos que incitavam violência contra negros, judeus e LGBTQIA+, com apreensão de armas artesanais, listas de alvos e conexões internacionais via Telegram e Dark Web. Pesquisas acadêmicas, como as da antropóloga Adriana Dias, apontam que entre 2019 e 2021 houve um aumento de 270% no número de grupos neonazistas ativos no país, com mais de 530 núcleos e cerca de 10 mil integrantes, concentrados sobretudo no Sul e Sudeste.

A pesquisa parou em 2021, por isso não captou os aumentos recentes, muito mais expressivos.

Impunidade e radicalização

Apesar das investigações, denúncias contra policiais militares envolvidos em atos golpistas ou em grupos de WhatsApp com discurso de ódio resultaram em baixa punição efetiva. Essa tolerância institucional reforça a sensação de impunidade e alimenta a continuidade das práticas extremistas.

O estado também abriga uma forte cúpula religiosa ultraconservadora, que promove “guerras santas” contra o comunismo e sataniza jornalistas e professores. Casos de violência cotidiana ilustram o impacto dessa radicalização: uma professora de educação infantil foi agredida por ensinar cultura africana, em episódio marcado por gritos de “queima, Satanás” e ameaças de repetição.

O paralelo histórico

Analistas têm comparado esse cenário ao retratado no filme O Nome da Rosa (1986), ambientado em um mosteiro medieval. Assim como na obra, acusações sem provas, turbas mobilizadas pelo medo e a transformação da justiça em espetáculo reforçam a autoridade de grupos que se alimentam da intolerância. O uso de bodes expiatórios — pobres, mulheres e minorias — repete padrões históricos de perseguição.

São Paulo: a infiltração religiosa na segurança

Se no Sul o avanço extremista se dá pela militarização e pelo neonazismo, em São Paulo surgem sinais de intimidação religiosa dentro da educação. Em novembro de 2024, na EMEI Antônio Bento, zona oeste da capital, um desenho de orixá feito por uma criança levou um policial militar, pai do aluno, a convocar colegas armados para dentro da escola. Um deles portava metralhadora. O episódio gerou clima de medo entre professores e estudantes; a diretora pediu afastamento do cargo.

Até o momento, não houve responsabilização criminal. A apuração segue em caráter administrativo, sem clareza sobre possíveis punições.

Os casos no Paraná e em São Paulo revelam um processo de normalização da intolerância em diferentes frentes: militarização da educação, infiltração religiosa em instituições públicas e crescimento de células neonazistas. O Brasil assiste à repetição de padrões históricos de perseguição, agora potencializados por redes digitais e pela fragilidade das respostas institucionais.

O desafio está em conter a escalada antes que a violência simbólica se transforme em violência generalizada.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. ODONIR OLIVEIRA

    1 de dezembro de 2025 8:07 am

    Assista e compreenda a diferença entre os quilombolas do PR e os alemães na mesma região.
    ISSO É O SUL DO BRASIL QUE QUER SE SEPARAR DO RESTO DO PAÍS. https://www.youtube.com/watch?v=9jFSOGVImU4

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    1 de dezembro de 2025 9:35 am

    O Judiciário plantou a fragilização e a destruição do sistema constitucional de 1988 ao impulsionar os abusos jurídicos e processuais da Lava Jato. Agora, o Judiciário está consolidando a destruição pedagógica dos princípios democráticos ao tolerar e/ou incentivar a criação de escolas militarizadas que ensinam as crianças a odiar o inimigo interno escolhido pelos coronéis das PM. Ao que parece, o Brasil precisa de uma reforma radical do sistema de justiça.

  3. ivete maria caribe da rocha

    1 de dezembro de 2025 2:50 pm

    Matéria precisa sobre o que está acontecendo nas escolas cívico militares aqui no Paraná. Além da situação de perseguição aos professores, os estudantes são submetidos a uma disciplina militar, com pregação de ódio!

  4. Silvio Torres

    1 de dezembro de 2025 5:45 pm

    Separa logo. Que comecem a ensinar o alemão ( o do século XVIII, que é o que eles falam) por lá e deixem o resto do Brasil seguir em paz. Vou sentir a maior falta da música paranaense, da literatura paranaense, da comida paranaense. Da dupla de intelectuais moro/deltan então….rsrs

  5. Victor Lima

    1 de dezembro de 2025 7:30 pm

    “Aleluia Gretchen” não terminou, é um projeto em andamento, atualmente na mão do que há de pior no Brasil. Preconceito racial, religioso, misoginia militarização de escolas públicas, milícias institucionalizadas e tudo que tem de podre no esgoto da história brotou com força do esterco que sobrou do bolsonarismo. Não estamos livres desse projeto autoritário que alguns querem crer derrotado com a “prisão de luxo” de alguns burocratas, políticos e militares em fim de carreira. As forças democráticas precisam mobilizar e organizar a sociedade para estar sempre preparada para enfrentar as tentativas de ruptura institucional que certamente virão.

  6. Asafe Guardião Florestal

    1 de dezembro de 2025 8:03 pm

    Nassif hoje fiz uma palestra a convite da UE César Leal em Altos-Piauí, e me deparei com uma adolescente que vi nela uma potencial liderança. O tema era Empreendedorismo e sustentabilidade. Na prévia antes de me apresentar. O grupo leu um te texto onde eles mesmos não acreditam na sustentabilidade. E porque? Segundo o historiador Ivan de Altos. Disse que Nego Bisbo, falou certa vez que não é desenvolver, mas se envolver. Com recursos finitos. Precisamos dizer em alto e bom som. Que a sacada tem mais a ver com ” cuidar e com administrar” do que com desenvolver. Que desenvolvimento é esse que exploração pessoas e natureza. Tem umas mortes misteriosas com a do Chinês que veio nos ensinar como cuidar da drenagem das águas. Mas voltando ao assunto. Esse público juvenil estão com fome de uma boa palavra – como dizer as coisas. Isto é colocar tempero dar sabor.

  7. Gaspar

    1 de dezembro de 2025 9:10 pm

    Nassif hoje fiz uma palestra a convite da UE César Leal em Altos-Piauí, e me deparei com uma adolescente que vi nela uma potencial liderança. O tema era Empreendedorismo e sustentabilidade. Na prévia antes de me apresentar. O grupo leu um te texto onde eles mesmos não acreditam na sustentabilidade. E porque? Segundo o historiador Ivan de Altos. Disse que Nego Bisbo, falou certa vez que não é desenvolver, mas se envolver. Com recursos finitos. Precisamos dizer em alto e bom som. Que a sacada tem mais a ver com ” cuidar e com administrar” do que com desenvolver. Que desenvolvimento é esse que exploração pessoas e natureza. Tem umas mortes misteriosas com a do Chinês que veio nos ensinar como cuidar da drenagem das águas. Mas voltando ao assunto. Esse público juvenil estão com fome de uma boa palavra – como dizer as coisas. Isto é colocar tempero dar sabor.

  8. Rui Ribeiro

    2 de dezembro de 2025 8:22 am

    Escolas Cívico-Militares são uma bosta. Elas reproduzem nos alunos mentalidade suína.

  9. José de Almeida Bispo

    2 de dezembro de 2025 1:38 pm

    Ganhou dinheiro rápido? Fica logo metido a besta. É uma maldição. A maldição do novo rico. Às vezes muito perigosa. É só lembrar os 70 anos de Alemanha (1875-1945).

  10. J. Alberto

    3 de dezembro de 2025 3:29 pm

    É o país pagando caro por não ter levado a anistia de 1979 a sério.

    A vontade política genuína da geração Millennial já foi sufocada om sucesso. E agora, a geração Z vai pelo mesmo caminho, tragada por esse teatro ideológico, promovido pela velharada decrépita que reprisa a mesma novelinha vermelhos x verdes há pelo menos 50 anos.

    Os políticos de sempre, e seus filhos, e seus netos, verdadeiros vampiros, se alimentam cada vez mais do sangue dos jovens para que estes, anêmicos, assistam passivamente esse jogo de cartas marcadas sem reagir.

    O despertar e cólera da juventude, contra estes falsos vermelhos e falsos verdes que estão aí, serão mais violentos do que nunca. Mas os palacianos podem dormir tranquilos. Seu plano maquiavélico vem funcionando muito bem. Por enquanto.

  11. jc2001

    9 de dezembro de 2025 11:08 pm

    Infelizmente, o que o Nassif escreveu só vai ser lido por pessoas de esquerda. O mal da direita precisa ser combatido principalmente de dentro, por moderados daquele espectro político. Da mesma maneira, os problemas da esquerda também precisam ser combatidos de dentro. É o exemplo do antissemitismo na esquerda, que está em alta também. E o que se vê daqueles que se dizem antirracistas é o silêncio cúmplice. Sem falar desse discurso na esquerda de instrumentalização do antissemitismo pelos judeus, que no caso de outras formas de racismos é papo de extremista de direita.

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