4 de junho de 2026

Ao Conselhão, Lula critica emendas impositivas e derrubada de vetos ambientais

“Quando a China parar de comprar soja, quando a Europa parar de comprar soja, vão falar comigo outra vez", ironizou o presidente
Crédito: Ricardo Stuckert / PR

1. Presidente Lula aborda temas do governo em reunião do Conselhão, incluindo política ambiental e combate à violência contra a mulher.

2. Lula critica postura internacional do Brasil e políticas de austeridade, defendendo investimentos em educação e energia limpa.

3. Presidente aponta erro histórico em emendas impositivas e defende medidas contra a violência de gênero, pedindo propostas da sociedade civil.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em discurso durante reunião com representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, mais conhecido como Conselhão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou temas centrais da agenda do governo, incluindo política ambiental, desenvolvimento sustentável, investimento em educação, relações com o Congresso, jornada de trabalho e o combate à violência contra a mulher.

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Lula afirmou, nesta quinta-feira (4), que seu governo trabalha para 215 milhões de brasileiros, independentemente de diferenças de gênero, cor, renda ou religião.

Ao comentar o posicionamento da bancada do agronegócio sobre os vetos presidenciais em matéria ambiental, criticou a derrubada das medidas.

Segundo o presidente, os vetos não foram motivados por oposição ao setor, mas pela necessidade de protegê-lo. E alertou que países compradores de commodities brasileiras podem impor restrições caso o Brasil não adote práticas sustentáveis.

“Quando a China parar de comprar soja, quando a Europa parar de comprar soja, quando alguém parar de comprar nossa carne, quando alguém parar de comprar nosso algodão, vão vir falar comigo outra vez.’Presidente, fala com o Xi Jinping. Presidente, fala com a União Europeia. Presidente, fala com a Rússia. Presidente, fala com não sei com quem.’ Porque ele sabe que eles estão errados. Ele sabe que nós queremos que a nossa produção seja cada vez maior, mas cada vez mais sustentável e cada vez mais limpa”, afirmou.

Energia limpa

Lula também criticou o que classificou como postura de inferioridade do país no cenário internacional. Ele citou números apresentados na COP30 ao afirmar que, enquanto países ricos projetam atingir 40% de energia renovável apenas em 2050, o Brasil já opera com 53% em 2025.

Para ele, o país precisa se reconhecer como uma potência com população trabalhadora, base intelectual sólida e universidades fortes, apesar dos séculos de atraso no investimento em educação.

Gasto?

O presidente reiterou a orientação de que educação, ciência e tecnologia em seu governo não devem ser tratadas como despesa, criticando políticas de austeridade, como o teto de gastos.

Chefe de Estado, Lula ainda comparou decisões de outros países que ampliam investimentos militares. “Se a Alemanha aprovou 800 bilhões de euros para comprar armas, não seria melhor ter aprovado para acabar com a fome no mundo?”, questionou, afirmando que há uma “inversão de valores”.

Orçamento

O petista afirmou ainda não haver conflito entre o governo e o Congresso, mas classificou como “erro histórico” o modelo das emendas impositivas, que, segundo ele, resultou na “captura” de metade do Orçamento da União pelo Legislativo.

“Vocês acham que nós do governo temos algum problema contra o Congresso Nacional? A gente não tem. Eu sinceramente não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato do Congresso Nacional sequestrar 50% do orçamento do União é um grave erro histórico”, pontuou.

Pautas sociais

O presidente mencionou a recente decisão do México de instituir jornada semanal de 40 horas e pediu que o Conselho estude a possibilidade de levar proposta semelhante à sociedade brasileira.

Ele defendeu o fim de regimes como o “seis por um”, dizendo que os avanços tecnológicos possibilitam a revisão das formas de trabalho.

Em uma das falas mais enfáticas, Lula abordou a violência contra a mulher e criticou o que chamou de “normalização” do problema. Ele defendeu medidas mais duras contra agressores e afirmou que a responsabilidade pelo fim da violência é dos homens.

“Isso não é um problema das mulheres. É um problema dos homens. É discurso para ser feito na porta de fábrica: o homem é que tem que parar de ser violento”, declarou.

O presidente pediu que o Conselho apresente também uma proposta robusta contra o feminicídio, formulada pela sociedade civil e não pelo governo.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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