13 de junho de 2026

Pobreza no Brasil atinge menor nível histórico, diz IBGE

País registra o menor nível de pobreza da série histórica (23,1%), com 8,6 milhões de pessoas deixando a pobreza entre 2023 e 2024
Foto de DAVIDSON L U N A na Unsplash

1. Brasil registra menor nível de pobreza em 2024: 8,6 milhões saem da pobreza e extrema pobreza cai para 3,5%.
2. Melhora social desigual: pobreza cai, mas desigualdades raciais, de gênero e ocupacionais persistem.
3. Avanços frágeis: queda na pobreza depende de programas sociais e políticas contínuas para manter o progresso.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil encerrou o ano de 2024 com o menor nível de pobreza já registrado desde o início da série histórica do indicador, em 2012: 8,6 milhões de pessoas deixaram a pobreza entre 2023 e 2024, enquanto a pobreza extrema recuou de 4,4% para 3,5% no mesmo período.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reafirma uma tendência de melhora iniciada após o choque inflacionário e de renda provocado pela pandemia — mas o relatório também acende alertas importantes: a redução não atinge os brasileiros de maneira homogênea e as velhas desigualdades seguem profundamente enraizadas.

Melhora consistente, mas frágil

Os dados do IBGE mostram que a taxa de pobreza no país caiu de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024 — o menor patamar já registrado pelo instituto, enquanto a extrema pobreza também apresenta recuo contínuo desde 2022.

A combinação entre recomposição do mercado de trabalho, programas de transferência de renda fortalecidos e alta formalização em alguns setores ajudou a criar um colchão de proteção.

Entretanto, o estudo destaca que, se os benefícios sociais fossem removidos, a pobreza geral subiria para 28,7% e a extrema pobreza saltaria para 10%.

Ou seja: a forte influência dos programas sociais nos indicadores — especialmente o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e as aposentadorias — deixa claro que a melhora não é espontânea: ela depende de política pública ativa e contínua.

O relatório do IBGE, ao destacar o impacto dos programas, envia um recado direto aos formuladores de políticas: retirar o suporte prematuramente pode levar o país de volta aos piores níveis já observados, como em 2021, quando a pobreza atingiu 36,8% da população.

Desigualdades raciais, de gênero e ocupacionais

Mesmo com os avanços, os dados reiteram que a pobreza não é distribuída de forma igual no território brasileiro.

Entre pessoas pretas e pardas, a pobreza atinge 25,8% e 29,8%, respectivamente. Entre pessoas brancas, o índice cai para 15,1%.

Mulheres seguem mais atingidas que homens, tanto na pobreza absoluta quanto na extrema, enquanto os trabalhadores mais vulneráveis — sem carteira assinada, informais, diaristas, e empregados domésticos — continuam entre os mais afetados.

Na agropecuária e nos serviços domésticos, as taxas de pobreza alcançam os níveis mais altos do país.

Um piso social mais forte, mas ainda distante do ideal

A trajetória de queda é positiva e mostra que o Brasil está reconstruindo seu piso de proteção. No entanto, a desigualdade estrutural permanece como elemento central da agenda pública. A melhora nos indicadores é real, mas ainda frágil — e depende de manutenção de renda, mercado de trabalho aquecido e políticas permanentes de redistribuição.

No fim das contas, o que os dados do IBGE mostram é que o país anda, mas continua carregando históricos diferentes para grupos diferentes. E sem política pública, o avanço perde fôlego.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados