4 de junho de 2026

BR-319: o futuro da Amazônia em uma rodovia, por Augusto Rocha

Precisaremos começar com novas abordagens construtivas e de como lidar com a Amazônia.
BR 319 por Orlando K Junior/Divulgação

Alterações nas leis ambientais abrem caminho para recuperação da rodovia BR-319, foco de debate entre meio ambiente e economia.Amazonas lidera arrecadação no Norte, mas há dúvidas sobre recursos para proteger entorno da BR-319 na reconstrução.Autor defende conciliação entre desenvolvimento e conservação para evitar destruição da Amazônia e atraso regional.

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BR-319: o futuro da Amazônia em uma rodovia

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

Houve um conjunto expressivo de alterações das Leis Ambientais do Brasil nas últimas semanas. Estas alterações expressam um resultado, por um lado negativo, por outro positivo, dependendo do olhar. Vou me concentrar em um dos aspectos: a possibilidade de recuperar a rodovia BR-319, símbolo de uma teimosia que não olha para o meio ambiente e um olhar conservacionista que não olha para o econômico ou social. Este embate levou a uma construção de forças políticas que, claramente, retrocederam em outras frentes para fazer a liberação da reconstrução da rodovia. O negacionismo não se encontra apenas em um campo político. O caminho do equilíbrio deveria considerar o não desperdício dos recursos ambientais, ao invés do imobilismo eterno.

Assim, finalmente chega a oportunidade ampla para a recuperação da rodovia BR-319. O que nos inquieta: terá dinheiro? Os motivadores ambientais talvez fossem apenas um elemento de desculpa para o imobilismo. Terá dinheiro para a proteção necessária ao entorno da rodovia? O Norte do Brasil segue a sofrer com muita arrecadação de tributos e com um amplo olhar de extração de recursos naturais, ao invés de um uso tecnológico e sustentável. Para exemplificar, a arrecadação federal no Norte em 2024 foi de R$ 71,1 bilhões, das quais 37% vieram do Amazonas, tendo a maior média per capita da região, R$ 6.663 por habitante, versus R$ 2.839 do Pará.

O olhar Colonialista segue sendo o de reproduzir na Colônia Amazônia uma cópia do Império Sudeste, que destruiu a Mata Atlântica. Para superar esta abordagem colonial será necessário proteger a Amazônia. É inaceitável o imobilismo de nada fazer, tal qual é inaceitável deixar a Amazônia ser destruída como outros biomas nacionais. Seguimos com a Amazônia apenas como “ideia” ou “imaginação” externa, sem entender a complexidade e sem planejar para atender às necessidades reais da população e das atividades econômicas aqui instaladas. Como resolver o problema da BR-319 sem incorrer nos erros do passado? Precisaremos começar com novas abordagens construtivas e de como lidar com a Amazônia.

Dan Wang afirmou que a China “é um país de engenheiros” nas questões físicas de infraestrutura, afinal o país possui ótimas infraestruturas em todos os interiores. Todavia, complementa que também projeta com a mesma disciplina as questões sociais, em seu livro “Breakneck: China’s quest to engineer the future” (“A toda velocidade: a busca da China para projetar o futuro”, ainda sem tradução).

No Brasil, parece que somos ambientalistas e economistas para interesses estrangeiros e poucos engenheiros que queiram transformar respeitando a natureza, a economia e a sociedade. Precisaremos nos esforçar para transformar esta realidade. A BR-319 pode ser um bom exercício de conciliação para uma política real, que concilie os interesses nacionais com o curto, médio e longo prazos, para benefício do país. Fora disso, repetiremos a destruição ou seguiremos no imobilismo da alocação do imposto do Norte no rico Sudeste. A meu ver, o caminho do meio é o mais inteligente e próspero: recuperar a rodovia e proteger o seu entorno. Fora disso, a Amazônia seguirá sendo destruída, com a transferência de suas potências para fora dela.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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