10 de junho de 2026

Venezuela e a Ofensiva Imperialista dos EUA, por Erick Kayser

Uma guerra provocada por Washington teria efeitos devastadores não apenas para a Venezuela, mas para toda a região
Reprodução

EUA intensificam pressão militar contra Venezuela, rotulando Maduro de “narcoterrorista” para justificar ações agressivas. Frota militar dos EUA no Caribe gera tensão e acusações de atos ilegais, incluindo mortes de civis venezuelanos. Risco de guerra ameaça estabilidade regional, com impactos sociais e econômicos graves para a América do Sul.

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Venezuela e a Ofensiva Imperialista dos EUA

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por Erick Kayser

A retórica do “novo” imperialismo estadunidense volta a assombrar a América Latina, agora sob a forma de uma escalada militar dirigida contra a Venezuela. Washington reedita antigas táticas de pressão, revestidas por uma linguagem moralizante que pretende transformar disputas geopolíticas em cruzadas civilizatórias. Não é a primeira vez, e tampouco será a última, que o governo dos EUA utiliza rótulos infamantes para justificar intervenções: o caso venezuelano é apenas o exemplo mais recente de uma estratégia histórica de construção do inimigo.

A classificação escancaradamente falsa de Nicolás Maduro como “narcoterrorista” revela mais sobre a falência da política externa estadunidense do que sobre a realidade venezuelana. Ao transformar adversários políticos em criminosos internacionais, os EUA buscam pavimentar o terreno discursivo para ações militares e sanções cada vez mais agressivas. É uma técnica antiga: substitui-se a política pela criminalização, o diálogo pela ameaça, a diplomacia pela guerra preventiva. O objetivo não é apenas desestabilizar um governo, mas enfraquecer um projeto regional que ousa afirmar autonomia.

Essa retórica encontra expressão concreta no deslocamento recente de uma frota militar dos EUA para o entorno caribenho, gesto que tensiona de modo perigoso a estabilidade hemisférica. A operação vem acompanhada de uma série de ações que, longe de serem de “segurança”, configuram práticas abertamente ilegais – verdadeiros atos de pirataria e agressão. Entre eles, acumulam-se casos de assassinatos aleatórios cometidos por forças militares norte-americanas, que já vitimaram 84 pessoas, em sua maioria pescadores. É a face mais brutal de um poder que se arroga o direito de policiar mares e fronteiras de outros povos.

O risco de uma desestabilização política ampla é real e profundo. Uma guerra provocada por Washington teria efeitos devastadores não apenas para a Venezuela, mas para toda a região: deslocamentos populacionais, ruptura de cadeias produtivas, fragmentação institucional e o fortalecimento de setores militaristas que se alimentam do caos. Repetir no século XXI o tipo de políticas imperialistas desastrosas, como as que marcaram regiões como o Oriente Médio, seria um crime histórico contra a América do Sul. Ainda mais quando sabemos que conflitos fabricados raramente trazem qualquer forma de “democracia”, mas sempre ampliam a desigualdade, a violência e a dependência.

É preciso afirmar, com toda a força, que a América do Sul é um continente da paz, não apenas por tradição, mas por projeto. A defesa da soberania regional não pode ser delegada aos governos, isoladamente; ela deve brotar da solidariedade ativa entre os povos, dos movimentos sociais, das organizações populares e das vozes que recusam a naturalização da guerra. Diante da ofensiva imperial que volta a rondar o continente, a escolha histórica é clara: ou permitimos que a lógica da força determine nosso destino, ou renovamos o compromisso com uma integração baseada na autonomia, na justiça e na dignidade comum.

Erick Kayser é Historiador e Secretário-geral do PT de Porto Alegre

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de dezembro de 2025 10:38 am

    O mais engraçado é ver a histeria crescer no campo bolsonarista.
    Muitos já começaram a chamar Donald Trump de comunista e a dizer que ele traiu a direita ao negociar com Lula e revogar as sanções contra Alexandre de Moraes.
    Mas quase todos dizem que os EUA deve invadir a Venezuela.
    Antes eles espalhavam o temor do Brasil ser venezuelizado. Agora o perigo é Donald Trump e Maduro se acertarem tornando a guerra desnecessária por influência de Lula.
    A macacada da bunda branca racista golpista fardada ficou totalmente perdida, mais perdida do que os apparatchik da Alemanha oriental após a queda do Muro de Berlim. Eles não conseguem se ajustar à realidade, sonham com algo impossível (sauvação do mito por tropas norte-americanas) e se desesperam com a total impossibilidade dele ser realizado.
    Na próxima eleição muitos trumpistas brasileiros serão anti-trumpistas. E ninguém deve ficar espantado se os dois grupos trocarem porradas nas portas dos colégios onde ocorrerão as votações.
    A esquerda só não vai sambar nesse céu de brigadeiro se for muito incompetente. Todavia, a incompetência da esquerda ficou evidente sempre que ela indicou um juiz para o STF. Todos que Lula e Dilma colocaram lá se voltaram contra o PT e ajudaram a Lava Jato a desmantelar o sistema constitucional brasileiro abrindo espaço para o nascimento e o crescimento do bolsonarismo.

  2. Carlos

    16 de dezembro de 2025 1:04 pm

    Ontem os eua mataram mais 8 em águas internacionais alegando tráfico. Já mataram bem.
    Mas, uma pergunta:
    Já tem um número significativo de mortos, mas quanto de tóxico foi aprendido?

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