4 de junho de 2026

Campanha tenta levar filmes alternativos para exibição em Manaus

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Jornal GGN – Cansados de esperar a boa vontade das salas exibidoras em Manaus – que, seguindo uma tendência também vista em outras cidades, optam pela segurança do retorno financeiro dos blockbusters –, um grupo de cinéfilos resolveu unir forçar e criar uma campanha para motivar a circulação de títulos não comerciais na capital amazonense. Criada há poucas semanas, a “Campanha por Filmes Alternativos em Manaus” reúne, em sua maioria, jornalistas e profissionais envolvidos com a produção de cinema independente. No Facebook, a página do grupo já possui quase 500 fãs.

A ideia do grupo é concentrar os pedidos do público por filmes fora do circuito comercial e mostrar às distribuidoras que há demanda para filmes de caráter mais alternativo. “Em vez de ser uma atitude isolada do indivíduo, pretendemos reunir todos esses pedidos e apresentar nas páginas das distribuidoras e redes de cinemas no Facebook. Para manter constante o interesse das pessoas no assunto, vamos realizar enquetes para decidir quais serão os filmes das próximas campanhas mensais”, explica o jornalista Caio Pimenta, ex-editor do G1 Amazonas e criador da iniciativa Cine SET, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).


Recentemente, o blog do Cine SET divulgou uma extensa lista de filmes que não foram exibidos em Manaus. Entre eles, alguns mais antigos, como “Quero ser John Malkovich”, “Os Contos Proibidos do Marquês de Sade” e o nacional “Bicho de Sete Cabeças”, com Rodrigo Santoro. Outro nacional com Santoro, “Heleno”, também passou longe da capital amazonense. “Réquiem para um Sonho”, “Sobre Meninos e Lobos” e o documentário “Tiros Em Columbine”, de Michael Moore, também não foram exibidos. Entre sucessos recentes, estão “A hora mais escura”, “Cosmópolis” e o premiado “Argo”.

Filmes e “retorno”

O Jornal GGN apurou ainda que outros filmes que não constam extensa na lista também não foram vistos nas salas manauenses: “E agora, aonde vamos?”, “O deus da carnificina” e “O último dançarino de Mao”, só para citar alguns casos. Há cinco grandes franquias de cinema em Manaus atualmente: Cinemark, Cinemais, Cinépolis, Playarte e Severiano Ribeiro. Para Caio, as exibidoras apostam no que sabem que terá retorno: comédias populares nacionais e nos filmes de Hollywood.

“Trazer algo fora desse universo é um risco: ou pode ser um sucesso surpreendente (casos do Ninfomaníaca e do Festival Varilux) ou ser um fracasso retumbante (O Som ao Redor). Por isso, a preferência no tradicional”, diz. A pressão do grupo já teve resultado. O filme “Azul é a Cor Mais Quente” foi exibido em Manaus depois de grande pressão do público, ainda que apenas dois meses após o lançamento nacional. Outra campanha, “Por Uma Sala de Cinema de Arte”, também colaborou para a chegada do título francês, segundo explica o jornalista.

Novos resultados

O mais recente filme de Lars Von Trier, “Ninfomaníaca”, também teve presença na cidade após grande pressão. Mas obras anteriores do mesmo diretor, como “O Anticristo” e “Dogville”, também passaram batido das salas da cidade. “Você não ter em uma cidade com 46 salas de exibição, pelo menos, uma dedicada para filmes fora do circuito comercial é inaceitável. Olhando ainda sobre o prisma de que Manaus possui, aproximadamente, dois milhões de habitantes, acredito que haja sim público para essas obras”, reitera Caio Pimenta.

No momento, o grupo trabalha pela exibição na cidade dos filmes “Nebraska”, “Tatuagem” e “Vidas ao Vento”. Os posts da página conclamam para que o público mande mensagens às distribuidoras desses títulos – Sony Pictures Brasil, Imovision e Califórnia Filmes, respectivamente – para convencer sobre a demanda de público.

“Se houver estímulos e mais obras artísticas chegarem na capital amazonense, o público pode aumentar ainda mais com o passar do tempo. Foi assim com o Cinema da Fundação em Recife, o Cine Dragão do Mar em Fortaleza e no Cine Líbero Luxardo em Belém. Quem sabe um espaço próprio a partir da restauração de um cinema antigo não seja a solução?”, questiona.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. Filipe Rodrigues

    11 de fevereiro de 2014 3:35 pm

    Nesse quesito Haddad está dando um show…

    A reabertura do Belas Artes é um marco, se Dilma abriu mão do excelente Juca Ferreira em seu governo, Haddad felizmente aproveitou.

    O caminho é esse, incentivar, resgatar e revitalizar os cinemas de rua para oferecer uma alternativa a padronização dos shoppings.

    Tudo bem que os cinemas de rua precisam de patrocínio (Naming Rights) para se manter (o apoio da Caixa foi fundamental para a volta do Belas Artes), mas os cinemas deveriam tomar medidas para conseguirem crescer e sobreviver:

    – O ingresso do circuito alternativo tem de ser mais barato que o circuito comercial. Com a nova lei da meia-entrada é possível reduzir o preço médio de R$ 20 para R$ 12.

    – Nem todos os filmes comerciais são ruins, alguns deveriam ser exibidos nos cinemas de rua para lucrarem mais e atrair o público mais jovem (espectador cinematográfico em formação);

    – Apesar dos excelentes filmes, o cinema europeu e asiático também enfrenta dificuldade com a concorrência americana para atingir outros mercados. Seria interessante aos brasileiros e estratégico para os estrangeiros se multinacionais francesas, italianas, japonesas, etc também patrocinar  nossos cinemas de rua para os exibidores dependerem menos de bancos e estatais;

  2. Casoares

    11 de fevereiro de 2014 6:31 pm

    Interessante!

    Muito interessante este post!

    Ontem mesmo eu estava lendo sobre a Mostra Lume Filmes – Inéditos Independentes Contemporâneos que ocorreu em Brasilia no mês de Janeiro.

    Espero que muitos outros festivais e mostras alternativos sejam criados para que o filme independente ganhe cada vez mais força no Mundo, e principalmente no Brasil.

  3. Durvaldisko

    11 de fevereiro de 2014 11:49 pm

    Bem que o MEC podia  reeditar

    Bem que o MEC podia  reeditar a “Barca  da Cultura”,iniciativa  de Paschoal Carlos Magno,diplomata e critico teatral,  criador entre   outras tantas coisas,o Teatro do Estudante do Brasil,no distante ano de  1938. 

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