O cientista político e analista de relações internacionais, Pedro Costa Junior, fez um balanço do cenário geopolítico de 2025, destacando que este ano marca o declínio do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, com impactos diretos na Europa. A análise foi transmitida na noite de quinta (25), durante o programa O Mundo É Um Moinho, do canal TV GGN, no Youtube [assista abaixo].
Segundo Costa Junior, a Europa está em um processo de reinvenção estrutural de sua política, percebendo que não pode mais depender eternamente dos Estados Unidos, como ocorreu nos últimos 80 anos da ordem mundial liberal. Essa percepção, que se tornou evidente com a eleição de Trump em 2016, sinaliza o fim do pacto euro-americano, onde a Europa cuidava de seus interesses econômicos enquanto os EUA garantiam sua segurança.
Costa Junior ressaltou que, apesar das tentativas democratas de restabelecer a relação transatlântica após a vitória de Biden, a ascensão de um novo Partido Republicano “trumpista” deixou a Europa em uma posição vulnerável. Ele argumentou que, mesmo com a possível eleição de um democrata, a ameaça de um futuro republicano trumpista mantém a aliança em xeque, impulsionando uma retomada da corrida armamentista na Europa. O analista descreveu a Europa atual como em uma crise profunda, com declínio econômico, sofrendo os efeitos da guerra na Ucrânia, da escassez de energia e do encarecimento de insumos.
O declínio da hegemonia americana, que não começou com Trump, mas se acelerou a partir da doutrina Bush e continuou pelos governos Obama e Biden, é outro ponto central da análise de Costa Junior. Ele mencionou que a política externa americana, desde as guerras do governo Bush e Cheney, passando pelas “guerras eternas” de Obama e culminando na guerra na Ucrânia, que ele descreve como uma guerra entre a Rússia e a OTAN, tem contribuído para essa derrocada. Costa Junior também apontou para a crescente aproximação sino-russa, intensificada após 2014 e formalizada em 2022 com a “Aliança Sem Limites”, como um fator crucial na reconfiguração do poder global.
Em 2025, um novo documento de defesa, segurança e política externa dos Estados Unidos reconhece as limitações do poder americano. Este documento, segundo Costa Junior, não busca mais uma ambição hegemônica global total, mas foca em um inimigo específico: a China. A estratégia delineada seria unir as forças do hemisfério ocidental, da Patagônia ao Alasca, contra a “ameaça que vem do Oriente”. Costa Junior enfatizou que este documento, juntamente com a aliança sino-russa, são os mais importantes da década.
Finalmente, Pedro Costa Junior afirmou que este novo documento do governo Trump de 2025 rasga o multilateralismo construído pelos Estados Unidos no pós-guerra, demonstrando desprezo pela ONU, União Europeia e outras organizações multilaterais. Ele concluiu que o declínio do Ocidente e a ascensão chinesa são a tônica deste ano, que abre o segundo quartel do século XXI, e que a disputa pelo poder global será “violentamente disputada nos próximos anos”, com a África, América Latina, Brasil, Índia, Ásia e Oriente Médio no centro dessa reconfiguração.
Assista ao balanço da geopolítica em 2025 no programa O Mundo É um Moinho, do canal TV GGN no Youtube:
Nota da redação: O GGN utiliza Inteligência Artificial para transcrever vídeos publicados no canal TV GGN, no Youtube. O uso de ferramentas de IA não dispensa, em hipótese alguma, a apuração, revisão e edição por um jornalista do GGN, para garantir a lisura, coerência e veracidade das informações.
Deixe um comentário