Que país é esse? Ou aquele outro?, por Izaías Almada
Na minha última crônica, em que procurei atualizar as mazelas e a bagunça da política brasileira nos últimos dez anos, não esperava ser surpreendido por novos fatos que, ao se confirmarem como verdadeiros deixam o Brasil no perigoso caminho de nova tentativa de golpe e até de uma possível anulação das eleições presidências de outubro de 2026…
Exagero, dirão os leitores, o país está indo bem economicamente com queda na inflação, diminuição do desemprego, possível queda na taxa de juros, bons acordos comerciais com muitos países e por aí afora. Há tranqüilidade nas Forças Armadas.
É verdade, concordo, mas o que me dizem da indicação de Flávio Bolsonaro à presidência da república? Sobre a repercussão ao anúncio das Alpargatas e a risível e conseqüente queda de ações na Bolsa de Valores? Da campanha contra o ministro Alexandre de Moraes, da ameaça do incansável Trump de invadir qualquer país da América do Sul.
A direita está fazendo o seu papel, como sempre apostando na ignorância política de grande parte do povo brasileiro e nas “vigorosas” fake news. E a esquerda, por onde anda?
Natal, Ano Novo, o velho e repetitivo período de descanso, vinho, castanhas, desejos e esperanças.
Aproveitei, então, para ver na Netflix um filme norte americano com o título de “Guerra Civil”, que conta em seu elenco com a presença do ator brasileiro Wagner Moura.
Amigo leitor, não perca o seu tempo: um dos piores filmes que vi ultimamente. Uma hipotética e futura guerra interna é travada na terra do Tio Sam. Povo e forças armadas entram em luta por todo o país e uma equipe jornalística se desloca de Nova Iorque para Washington para entrevistar o presidente da república.
Nada é dito ou explicado sobre os motivos da luta. Aliás, nada é dito sobre nada, ficando os dois jornalistas e as duas fotógrafas entregues ao elementar papel de decorar seus textos, enfrentar a câmera em situações já batidas em filmes de guerra e mais não digo, pois não há nada a dizer…
Há informações de que a produção do filme ficou em 50 milhões de dólares… Com 10% desse dinheiro, o cinema brasileiro faz coisa muito melhor, sobretudo agora com a lei aprovada pelo presidente Lula que exige um aumento de horas de projeção nas salas de cinema de todo o país.
Um 2026 proativo para todos os leitores…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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AMBAR
26 de dezembro de 2025 8:40 pmSim, “Guerra Civil” é tão interessante que a gente não consegue assistir até o fim.