A cobertura vacinal infantil no Brasil apresenta uma trajetória de recuperação em 2025. O avanço é atribuído a uma mudança na logística de aplicação, que transferiu parte do fluxo das unidades de saúde para o ambiente escolar, e à incorporação de imunizantes de alto custo ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). De acordo com dados do Ministério da Saúde, a mobilização conjunta entre as pastas da Saúde e da Educação resultou na vacinação de mais de 1,2 milhão de crianças apenas dentro das instituições de ensino.
Escolas como centros de imunização
A estratégia de levar as doses para onde o público-alvo está buscou reduzir a taxa de abstenção causada por dificuldades logísticas das famílias. Com a implementação de termos de autorização, pais que não conseguem levar os filhos aos postos de saúde em horário comercial puderam assegurar a proteção no ambiente escolar.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explica que o modelo foi desenhado para remover barreiras históricas de acesso. “Mais de 1,2 milhão crianças foram vacinadas esse ano dentro da escola. Isso porque a gente fez a autorização em que o pai e a mãe que têm alguma dificuldade de levar a unidade básica de saúde”, explicou o ministro, em gravação vinculada nas redes socais do governo
Combate à bronquiolite e economia para as famílias
Além da descentralização da aplicação, o governo federal focou na expansão do catálogo de vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos marcos de 2025 foi a introdução da vacina contra a bronquiolite, destinada a gestantes para a proteção dos recém-nascidos. A doença é hoje a principal causa de internação respiratória em bebês de até um ano.
A medida também representa um impacto direto no orçamento familiar, uma vez que o imunizante possui alto valor no mercado particular. “A segunda dimensão são as novas vacinas que a gente colocou no SUS já esse ano. Conquistas importantes”, afirma Padilha.
Sobre a bronquiolite, ele reforça: “Primeiro, a bronquiolite é problema gravíssimo para os bebês, para as crianças. A principal causa de internação por doença respiratória de até ano de idade, uma das principais causas de morte de doença respiratória. A gente colocou no SUS. Já entrou esse ano uma vacina que é a gestante que toma. Já vi por clínica privada cobrando R$ 4 mil por essa vacina. Agora ela está de graça no SUS”.
Soberania nacional e combate à dengue
A agenda de imunização também prioriza o enfrentamento da dengue, com a aquisição de 1,8 milhão de doses de imunizantes internacionais para o próximo biênio. Paralelamente, o governo aposta na autonomia tecnológica com o desenvolvimento de uma vacina nacional em parceria com o Instituto Butantan.
O objetivo é garantir o abastecimento contínuo e reduzir a dependência de fornecedores externos. Segundo o ministro, o investimento em ciência nacional é o passo definitivo para a estabilidade do PNI. “Agora a gente conquista uma nova vacina, que é a vacina do Instituto Butantã, que o Ministério da Saúde financiou o desenvolvimento junto com o BNDES. Vai ser uma vacina muito importante 100% nacional”, conclui Padilha.
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