O brasileiro encerra 2025 com uma convicção rara em tempos recentes: o futuro imediato parece melhor do que o presente. Levantamento do Datafolha realizado entre 2 e 4 de dezembro mostra que 69% da população acredita que sua situação pessoal vai melhorar em 2026, um salto de nove pontos percentuais em relação ao fim de 2024, quando apenas 60% apostavam em um 2025 melhor. Aquele patamar havia sido o mais baixo desde o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT).
O otimismo não se limita à esfera individual. Seis em cada dez brasileiros (60%) avaliam que o país terá desempenho superior em 2026, contra 47% no levantamento anterior. O índice iguala o pico registrado na virada de 2022 para 2023, logo após as eleições presidenciais, quando o ambiente político ainda alimentava expectativas de reconstrução econômica.
Quem mais acredita na virada
O desejo de mudança cresce justamente entre os grupos mais pressionados financeiramente em 2025. As mulheres lideram o sentimento de esperança, com 74% projetando melhora, contra 65% dos homens, contraste expressivo com o desgaste emocional do último ano: 39% das mulheres relataram angústia frequente por problemas financeiros e 43% disseram ter enfrentado esgotamento mental.
A pesquisa escancara também as desigualdades sociais na percepção do futuro:
- Ensino fundamental: 74% esperam melhora
- Ensino superior: 62%
- Renda até dois salários mínimos: 72%
- Renda acima de dez salários mínimos: 61%
No mapa regional, o Nordeste lidera o otimismo, com 75% de respostas positivas. O Sul aparece na outra ponta, com 65%.
O dado político reforça a leitura econômica: 78% dos eleitores de Lula acreditam em dias melhores, mas o sentimento também alcança 61% dos que votaram em Jair Bolsonaro (PL), revelando que a percepção de melhora atravessa bolhas ideológicas.
Emprego forte e inflação sob controle
Para analistas, de acordo com a Folha de S. Paulo, o motor desse humor coletivo é claro: emprego e inflação. O Brasil fechou o trimestre até novembro com desemprego de 6,1%, a menor taxa histórica da Pnad Contínua do IBGE. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 encerrou o ano em 4,41%, dentro do teto da meta.
O entusiasmo popular, no entanto, convive com um cenário macroeconômico mais tenso. O Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, numa tentativa de conter a atividade e assegurar a convergência da inflação.
Além disso, medidas do governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e o programa Gás do Povo, ajudam a sustentar o consumo, mas pressionam as contas públicas.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 113 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Deixe um comentário