4 de junho de 2026

A paixão mágica de Berenice e João Ubaldo, por Luís Nassif

Sabe quando bate aquela química que a ciência não explica, que aparece uma ou duas vezes na adolescência?
Berenice e João Ubaldo

Henfil mudou-se para Natal, onde se integrou à família de Robério e Margarida, tornando-se Henriquinho.
Casou-se com Berenice, fisioterapeuta, mas tinha comportamento conservador e não aceitava empregados em casa.
Berenice conheceu João Ubaldo Ribeiro em Maceió, mudou-se para Salvador e tornou-se esposa e mãe com ele.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Henfil sempre foi Henfil. Já bastante conhecido e amado por todo o país, decidiu mudar de ares. Pegou um mapa do Brasil, jogou uma pedra e ela apontou Natal, capital do Rio Grande do Norte. E Henfil mudou-se para a cidade.

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Chegando, conheceu o casal Robério e Margarida, ele o psicanalista mais conhecido da cidade, ela uma brava procuradora do Estado. Tornou-se membro da família, sendo tratado como Henriquinho.

Com problemas nas costas, tratava-se com uma fisioterapeuta de nome Berenice. Acabou casando-se com ela. Mas a ala libertária escondia-se em um marido conservador. Não aceitava empregados em casa e toda tarefa doméstica ficava para Berenice, que não podia sair para estudar, como  ambicionava.

Henfil tornou-se cada vez mais membro da família de Robério e Margarida, a ponto de presenteá-los com seus personagens, desenhados em uma parede do apartamento preparado pelo casal para receber o primeiro filho.

Mas em casa, era um enguiço. E não aceitava conselhos. Como admitia para o casal de amigos, ele sabia falar para as multidões, mas não para as pessoas.

Até que aconteceu uma feira dos livros em Maceió. Como personagem local mais conhecido da intelectualidade convidada, caberia a Henfil ser o anfitrião de uma das sessões. Por alguma razão não pode ir, e enviou Berenice em seu lugar,

Em algum momento, Berenice foi à toalete e, quando voltava, seu olhar cruzou por um instante com o olhar de um sujeito, “feio como a peste, mas que quando abria o sorriso se tornava um cara lindo”, como definiu Margarida, ontem em Natal, em um jantar cheio de recordações.

Sabe quando bate aquela química que a ciência não explica, que aparece uma ou duas vezes na adolescência e torna os marmanjos eternamente presos àquela sensação, procurando ao longo da vida, como quem procura o cálice sagrado, sem conseguir reencontrar?

Pois bateu no casal. Na mesma hora, o homem convidou Berenice para jantar. No dia seguinte, convidou-a para se mudar com ele para Salvador. Era o escritor João Ubaldo Ribeiro.

Berenice aceitou na hora e de nada adiantaram os conselhos de Margarida, para que fizesse uma experiência de um mês, pelo menos, que esperasse consolidar a relação. Não houve jeito. Quando bate a campainha do coração, não tem argumento, por mais racional que seja, que segure o impulso.

Berenice seguiu para Salvador. Antes, houve uma festa de despedida curiosa, oferecida pelo casal Robério-Margarida. O próprio Henfil compareceu, mas era o único que não sabia que era a despedida de Berenice, como confidencia Margarida.

Berenice, seguiu com João Ubaldo, foi mãe de dois filhos, formou-se em psicanálise e foi sua esposa dos melhores dias, e dos momentos finais.

Já Henfil, retornou para o Rio, onde continuou cultivando sua grande paixão: as multidões.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Cabra da peste

    4 de janeiro de 2026 11:53 am

    Nassif, meu caro… Vc está dizendo que a vice do Maduro é a Berenice ?…

  2. Lula Miranda

    4 de janeiro de 2026 12:29 pm

    História porreta, Nassif! Não conhecia e, com certeza, pouquíssimos conhecem. Quando criança, passei algumas férias em Itaparica, numa delas fui vizinho da casa dos pais de João Ubaldo. Já adulto, encontrei Ubaldo umas duas ou três vezes no seu boteco preferido, só de bermuda e chinelo “tomando uma”. A última vez, ele estava na boa companhia de uma morena que era atriz (trabalhou na primeira edição da novela Gabriela) e se tornou diretora de cinema (esqueci o nome dela agora). Era um cara simples, gente boa. Pena que teve o problema com álcool. Mas… Ninguém é perfeito. João Ubaldo era gente boa e um grande escritor.

  3. Gustavo

    4 de janeiro de 2026 8:22 pm

    …e foi aí que surgiu o personagem henfiliano de Ubaldo, o
    Paranoico?

  4. Silvio Torres

    5 de janeiro de 2026 9:24 am

    Esse Ubaldo foi um dos meus vários ex-idolos que, inspirado veja só, pelo Henfil!, enterrei no meu cemitério particular dos mortos-vivos. Aderiu de corpo e alma ao golpismo rasteiro do grupo globo. Tinha praticamente todos os livros dessa figura e até hoje nao consigo lembrar como me desfiz de todos, se queimei, doei ou troquei em algum sebo.

    1. Cabra da peste

      6 de janeiro de 2026 5:46 pm

      Aderiu ao velho ACM… Como o Jorge Amado.

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