O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, avalia que o Brasil vive um momento decisivo após o período de devastação institucional provocado pela ultradireita durante o governo Bolsonaro, mas alerta que o país já não pode permanecer preso a um discurso exclusivamente defensivo. Para ele, a reconstrução foi significativa e continua sendo necessária, porém insuficiente como projeto político de longo prazo, sobretudo em um contexto pré-eleitoral.
“Eu participei do grupo de transição e fiquei impactado com as informações que chegavam de todos os setores. Foram quatro anos de ultradireita que desestruturaram praticamente tudo o que a democracia brasileira havia construído ao longo de décadas, não apenas nos governos do PT, mas desde Fernando Henrique, acompanhando avanços institucionais do mundo inteiro.”
“Esse discurso permanente de reconstrução, de enfrentamento do golpe, é necessário, evidentemente. Mas não dá para ficar só nisso. Nós temos que mudar esse discurso, mudar a agenda do Brasil. O país precisa começar a discutir economia, estabilidade, segurança pública, que é o grande tema hoje, para que a gente possa avançar”, afirma Kakay.
O Judiciário como guardião da democracia
Diante desse cenário, Kakay sustenta que o Judiciário assumiu um protagonismo que não deveria ser permanente, mas que se tornou indispensável para conter o colapso democrático, especialmente diante de um Legislativo amplamente cooptado.
“Quem sustentou a estabilidade democrática foi o Judiciário. Eu não critico o Judiciário neste momento, eu até brinco que estou louco para voltar a criticar, porque excessos sempre existem, mas hoje ele ainda é quem segura a democracia. O problema é que isso não pode virar regra. O Judiciário não pode ser o pilar exclusivo da estabilidade política de um país.”
Kakay relembra a tentativa de aprovação da chamada PEC da Blindagem, que escancarou, segundo ele, o grau de degradação institucional do Legislativo ao prever a possibilidade de deputados cometerem crimes gravíssimos sem sequer serem investigados.
A proposta só não avançou em razão da reação popular, o que, para o advogado, evidencia o nível de distorção a que o Congresso chegou. Nesse contexto, ele aponta o orçamento secreto como um verdadeiro cancro para o país, um mecanismo que precisa ser enfrentado de forma constitucional e sem concessões.
Nesse contexto, Kakay destaca o papel do ministro Flávio Dino no enfrentamento dos esquemas de corrupção associados ao orçamento secreto e avalia que o processo, embora gere instabilidade, é inevitável.
“O ministro Flávio Dino é impressionantemente competente, inteligente, experiente e corajoso. Se for verdade que existem dezenas de deputados e senadores sendo investigados, isso é extremamente preocupante, porque o país vai viver momentos de turbulência, mas ao mesmo tempo é absolutamente salutar. É a única esperança que nós temos. Ou o Brasil enfrenta isso agora, ou não tem saída. Você puxa um fio e sai uma galinha inteira.”
Reeleição de Lula é certa, mas direita mira Senado para governar
Ao analisar o cenário político, Kakay afirma que o presidente Lula segue como a principal liderança nacional e que sua reeleição é altamente provável. “O Lula vai ser eleito de novo. Perder uma reeleição é raríssimo na nossa estrutura política. Só o Bolsonaro perdeu porque é um inepto absoluto. O Lula não é um governo de esquerda radical, é um governo institucional, que trabalha para consolidar as instituições. Ainda assim, enfrenta resistência porque fez o que parecia impossível: tirou o Brasil do mapa da fome, recuperou a imagem internacional do país e mostrou que é possível governar com sensibilidade social“.
Para Kakay, Lula terá de enfrentar não apenas a disputa eleitoral, mas uma estratégia de poder da extrema-direita projetada para 2026. Segundo ele, lideranças conservadoras já verbalizam abertamente o objetivo de conquistar maioria no Senado para governar a partir dali, tensionar o sistema institucional e acionar de forma recorrente pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, criando um ambiente permanente de instabilidade política.
Por fim, Kakay afirma que o país ainda atravessa um momento histórico que exige posicionamento claro dos atores institucionais, inclusive da advocacia. “Em determinados momentos da história, o grande cliente não é uma pessoa física ou uma empresa. O grande cliente é a democracia, é a Constituição. Depois que você respira os ares da democracia constitucional, não tem mais volta. O Brasil já foi longe demais para aceitar qualquer tipo de retrocesso.”
Assista à entrevista completa aqui:
Jotapontomarcelo
5 de janeiro de 2026 9:16 pmMas este comportamento de Thuamp JÁ ACONTECE NO BRASIL FAZ TEMPO,não se respeita as Leis no País e não acontece nada é so lembrarmos dos abusos de bolso e até antes de ser condenado já pedia “absolvição “sendo defendido pela maioria dos políticos importantes daqui,mostrando q as leis q respeita são a deles próprios,este limão da Venezuela vai dar uma bela limonada bem gostosa pois sob este governo federal ABUSOS SÃO PUNIDOS e a estabilidade e credibilidade GARANTIDOS,VIVA AO BRASIL !!!Obs.necessário é haver eventos institucionais públicos mensalmente em memória ,lembrança e orientação do papel equilibrador e de proteção das leis do judiciário,precisa ocupar o espaço q o setor privado está ocupando !!!