21 de maio de 2026

Fim de feira. Difícil distinguir o podre do maduro. É guerra, por Armando Coelho

Maduro sequestrado e preso sob desculpa de narcotraficância. Mas, e as provas? Guardadas no mesmo depósito das armas químicas do Iraque?
Reprodução Michael Nagle

Venezuela foi invadida e Maduro sequestrado, violando a soberania e o direito internacional, segundo o texto.
EUA lideraram a ação, ignorando provas e usando acusações de narcotráfico sem materialidade concreta.
Crítica aponta decadência ética dos EUA e questiona eficácia das ações contra o tráfico de drogas.

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Fim de feira. Difícil distinguir o podre do maduro. É guerra

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por Armando Coelho Neto

Perdeu, playboy! Isto é um assalto! Quem diria? O manual dos meliantes brasileiros sendo aplicado por delinquentes de um país, tratado até hoje como a maior democracia do mundo. A Venezuela foi invadida, seu presidente foi sequestrado, e com isso foram atirados ao lixo a Carta da ONU, o Direito Internacional, a secular regra do “pacta sunt servanda” (do latim: “os pactos devem ser cumpridos”).

Os EUA, sempre movidos a mentiras e argumentos torpes (democracia, por exemplo), bombardearam mais de 30 países e se fizeram presentes em mais de 70 golpes de estado mundo afora, com ou sem sucesso. Entre os golpes bem-sucedidos, aparece o Brasil, mais que nunca tratado como quintal, embora muitos comemorem a química entre Lula e o tirano norte-americano. Só Deus sabe o preço!

Especialistas em geopolítica falharam ao superdimensionar o alinhamento de Nicolás Maduro à Rússia e China, tidos como potenciais inibidores de maior ousadia de Trump. Não cotejaram ações pontuais como o ataque ao Irã – promovido por Israel (extensão dos EUA), no qual teve como vítima o principal assessor do líder supremo do Irã. Idem à explosão de walkie-talkies de aliados do grupo Hamas.

As baterias antiaéreas venezuelanas foram tão inúteis quanto o Domo de Ferro de Israel. Revelaram-se tão frágeis quanto o serviço secreto russo, que não conseguiu impedir atentados em Moscou. Desse modo, os analistas foram pegos de surpresa tanto quanto Nicolás Maduro. Assim como naqueles episódios, restou para os analistas, no caso da invasão da Venezuela, falarem em suborno, traição.

É claro que a recente e ousada ação dos primatas estadunidenses poderia não ter tanto sucesso num país como a Rússia ou a China. As consequências poderiam ser trágicas para o Planeta. Tudo isso faz apequenar a dimensão do ideário que a conduz e colabora para traçar o perfil de brasileiros que pediam ditadura e festejam o sequestro de um ditador, pelo líder de um país marcado pelo sangue de inocentes.

A “maior” democracia do mundo parece estar morrendo junto com um império a caminho da falência. Quanto mais explosiva a bravata, quanto mais ousada a agressão aos mais fracos, mais evidente fica a decadência ética e moral de um país patrocinador de guerras, nas quais “a cada três dólares, dois são roubados”, no dizer do Comandante Robinson Farinazzo. Mas pretendia dar lição para o mundo.

Venezuela invadida, soberania e autodeterminação violentadas, Nicolás Maduro sequestrado e preso sob desculpa de narcotraficância. Mas, cadê as provas? Estariam guardadas no mesmo depósito das armas químicas do Iraque? Onde está o produto do crime? Onde estão os demais culpados? Tal prisão pode mudar o cenário do tráfico de drogas? O lema “há tráfico porque há consumo” ainda vale?

Exibir provas não é ponto forte de Trump. Sem materialidade para suportar suas acusações, o primata estadunidense alardeou fraude eleitoral o tempo todo, quando tentou duplicar seu mandato. Pelo jeito, parece não ser praxe da imprensa ianque esse tipo de cobrança. E, no caso, menos ainda porque, afinal de contas, Maduro é um ditador. E, claro, nossos ditadores são menos ditadores.

Nesse ponto, o manual da canalhice jabuticaba foi mais original. A pretexto de combater o crime, a Máfia Judicialesca de Curitiba (até hoje impune) ainda teve o trabalho de montar um PowerPoint mentiroso para acusar sem provas Lula, atual presidente da República. Por parte de Trump, a sua gendarme não fez sequer uma “Aranha” ou um “Link Analysis”, para usar o termo usual do DEA.

Não importa se a mídia é chapa branca ou vira-lata, se alternativa, de direita ou de esquerda, essas perguntas precisam ser feitas publicamente, mesmo que Donald Trump fuja do assunto. Afinal, ele próprio simplificou a resposta ao deixar claro o que todos sabiam: é o petróleo, bobinho! É o quintal, idiota! Ora, pois! Tudo não passou de espetáculo político com fins obscuros, paradoxalmente transparentes.

Maduro foi exibido ao mundo e por pouco não recebeu o tratamento dado ao traficante Dairo Antonio Úsuga David (“Otoniel”), que foi exibido em jaula pública, após ser preso na Colômbia com participação do DEA e CIA. Extraditado para os EUA, cumpre pena até hoje. De lá para cá, comprovadamente, o tráfico de drogas aumentou. Mas, para Donald Trump, isso não faz sentido.

Direito internacional e soberania no lixo, em clima de fim de feira, tirano de um lado, ditador de outro, fica difícil distinguir o podre do maduro.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    7 de janeiro de 2026 9:30 am

    O aspecto mais trágico da agressão militar criminosa de Donald Trump contra a Venezuela é que ela funciona como uma cortina de fumaça para Netanyahu acelerar a matança de de palestinos em Gaza. Os bandos de criminosos sempre agem em conjunto de maneira coordenada para desorientar suas vítimas e aqueles que tentam pegá-los.

    https://fbio.substack.com/p/usa-vs-nicolas-maduro-the-undue-illegal

  2. Carlos

    7 de janeiro de 2026 12:07 pm

    Um T-REX em meio a dóceis herbívoros, relativamente fácil a predação.
    Não precisa justificar nada pois desde a covardia mundial ante o genocídio de Israel em Gaza, o débil mental do trump vem se sentindo a vontade para qualquer pilhagem.

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