Autoridades venezuelanas e norte-americanas reagiram de forma divergente aos recentes ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, enquanto o Senado dos EUA aprovou uma resolução para limitar novas ações militares sem autorização do Congresso.
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que os bombardeios norte-americanos deixaram ao menos 100 mortos, incluindo civis. Em declarações publicadas nas redes sociais, ele disse que mulheres que estavam em suas casas foram atingidas pelas explosões. “Até agora há cem falecidos. Pessoas que não tinham nada a ver com conflitos, civis, mulheres que estavam em suas casas, foram alcançadas pelo impacto das poderosíssimas bombas lançadas contra o nosso país”, afirmou.
Segundo Cabello, a Venezuela foi alvo de um “ataque bárbaro”, acompanhado de campanhas de desinformação. O ministro divulgou imagens de ataques aéreos e de prédios destruídos que, segundo o governo venezuelano, teriam sido atingidos pelas forças dos Estados Unidos. Informações anteriores apontavam a morte de 24 militares venezuelanos, enquanto o governo de Cuba afirmou que 32 cidadãos cubanos também morreram na ofensiva.
Os ataques ocorreram no último sábado, por ordem do presidente norte-americano Donald Trump, e atingiram a capital Caracas e os estados de Aragua, Miranda e La Guaira. Washington acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de envolvimento com narcoterrorismo. De acordo com o governo venezuelano, Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram sequestrados durante a operação e levados aos Estados Unidos, onde estariam sendo julgados pela Justiça norte-americana.
Em meio à escalada da crise, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução que busca encerrar as hostilidades contra a Venezuela e proibir o uso das Forças Armadas sem autorização expressa do Congresso. A medida foi aprovada por 52 votos a 47, em um revés político para a Casa Branca.
A votação teve caráter bipartidário. Cinco senadores republicanos, Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins, Todd Young e Josh Hawley, votaram com os democratas a favor da resolução. O democrata John Fetterman, que anteriormente havia demonstrado reservas, também apoiou o texto.
Copatrocinada por Rand Paul, a resolução exige que o presidente ponha fim às ações militares contra a Venezuela e reafirma o papel constitucional do Congresso na autorização de guerras. Embora não tenha efeito legal imediato, a aprovação é vista como um forte sinal político de tentativa de contenção e fiscalização das decisões do Executivo em política externa.
“O Senado aprovou uma votação bipartidária que reflete profunda preocupação com as contínuas ações militares de Trump em relação à Venezuela. Os americanos não querem ‘controlar’ a Venezuela e merecem que sua voz seja ouvida”, escreveu o senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, na rede social X.
Enquanto o debate avança em Washington, o governo venezuelano reiterou que considera sua política externa e sua segurança interna assuntos exclusivos do Estado e do povo venezuelanos, rejeitando qualquer ingerência de parlamentos estrangeiros.
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