5 de junho de 2026

Acordo UE–Mercosul expõe fragilidades da Europa e riscos para o Brasil

Análise do TV GGN 20h mostra que acordo revela fragilidades da Europa e pode reforçar o papel do Brasil como exportador de commodities
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Acordo UE-Mercosul reabre debate sobre desigualdades econômicas e riscos estratégicos, foco no Brasil.
Economia europeia enfrenta crise e vê Mercosul como fonte de alimentos, energia e mercado para indústria.
Resistência agrícola na UE e poucas salvaguardas no acordo podem prejudicar setores industriais locais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul voltou ao centro do debate internacional, mas, longe de representar uma vitória inequívoca para todas as partes, expõe assimetrias econômicas profundas, contradições políticas internas e riscos estratégicos, especialmente para o Brasil. A análise foi o principal tema do programa TV GGN 20 horas, apresentado pelo jornalista Luis Nassif.

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Em linhas gerais, a retomada do acordo ocorre em um momento de enfraquecimento estrutural da economia europeia, marcado por baixo crescimento, crise industrial e perda de competitividade frente a Estados Unidos e China.

Nesse contexto, o Mercosul passa a ser visto como uma alternativa para garantir acesso a alimentos, energia e matérias-primas, além de ampliar mercados para produtos industrializados europeus.

Pressa europeia e falta de consenso interno

Durante o programa, Nassif destacou que a insistência da União Europeia em avançar com o acordo reflete mais urgência do que confiança. A dificuldade de construir consenso interno, especialmente diante da forte resistência de agricultores europeus, revela fragilidades políticas do bloco.

A oposição do setor agrícola europeu, longe de ser apenas corporativa, decorre de um conflito estrutural: produtores do Mercosul operam com custos mais baixos e maior escala, enquanto agricultores europeus enfrentam exigências ambientais rígidas, subsídios condicionados e margens cada vez menores. O acordo tende a aprofundar esse desequilíbrio, pressionando economias rurais já fragilizadas.

Apesar do discurso oficial favorável ao acordo, Nassif ressaltou que o texto negociado oferece poucas salvaguardas à indústria nacional, além de limitar a capacidade do Estado de usar compras públicas e políticas industriais como instrumentos de desenvolvimento. O resultado pode ser a consolidação de uma divisão internacional do trabalho desfavorável, com ganhos concentrados em setores primários.

Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas


Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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3 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    10 de janeiro de 2026 9:58 pm

    Abraço de afogados.
    Mas, se o Brasil tiver um grama de juizo pode fazer a diferença.
    Fácil, não é.
    A Europa toda vê a América Latina com viu nos últimos 500 anos.
    São predadores, enlouquecidos porque o predador que lhe predava levemente perdeu a corrida para uma nova realidade.
    Porém, o Brasil ganha a chance de melhor, apesar de mais difícil, barganhar com a China; antes que os Estados Unidos nos entregue-lhe, parcial ou completamente. Para tentar salvar a si próprio.

  2. Anônimo

    11 de janeiro de 2026 10:12 am

    Sou um admirador de Nassif, como tantos outros, acompanho o trabalho dele desde muito tempo. Lembro com saudades das entrevistas do Brasilianas.org, transmitidas pela TV Brasil. Acompanho diariamente o GGN, inclusive no Youtube. Ele é para mim é uma referência, até no “chorinho”.
    Isso, porém, não me impede enxergar que tanto ele quanto um simples esquerdista como eu padecemos de um mal: sempre preferimos as “adversativas”. Em tudo, colocamos um “mas”, um “porém”, um “entretanto”… em alguns momentos, parecemos o pessoal da direita.
    Preferimos apontar os problemas, mesmo que não passem de possibilidades, a enaltecer os nossos feitos. Sobre isso, a direita tem muito que nos ensinar. Eles são mestres em fazer de um limão seco uma limonada. E nós ainda culpamos o governo por falhas na comunicação!
    Imagino que isso, entre outras coisas, é fruto do intelectualismo de esquerda pelo qual muitas vezes somos levados a nos deixar dominar.
    Nada é perfeito, Nassif, nem nossas percepções!

  3. Edivaldo Dias de Oliveira

    11 de janeiro de 2026 12:05 pm

    A única cosia boa que vejo esse acordo celebrado pelo tio, são as exigências quanto ao uso de veneno pelo agro, que pode nos beneficiar. Mas, se puderem separar o veneno para exportação do que vamos consumir, eles o farão. rsrsr.

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