O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul voltou ao centro do debate internacional, mas, longe de representar uma vitória inequívoca para todas as partes, expõe assimetrias econômicas profundas, contradições políticas internas e riscos estratégicos, especialmente para o Brasil. A análise foi o principal tema do programa TV GGN 20 horas, apresentado pelo jornalista Luis Nassif.
Em linhas gerais, a retomada do acordo ocorre em um momento de enfraquecimento estrutural da economia europeia, marcado por baixo crescimento, crise industrial e perda de competitividade frente a Estados Unidos e China.
Nesse contexto, o Mercosul passa a ser visto como uma alternativa para garantir acesso a alimentos, energia e matérias-primas, além de ampliar mercados para produtos industrializados europeus.
Pressa europeia e falta de consenso interno
Durante o programa, Nassif destacou que a insistência da União Europeia em avançar com o acordo reflete mais urgência do que confiança. A dificuldade de construir consenso interno, especialmente diante da forte resistência de agricultores europeus, revela fragilidades políticas do bloco.
A oposição do setor agrícola europeu, longe de ser apenas corporativa, decorre de um conflito estrutural: produtores do Mercosul operam com custos mais baixos e maior escala, enquanto agricultores europeus enfrentam exigências ambientais rígidas, subsídios condicionados e margens cada vez menores. O acordo tende a aprofundar esse desequilíbrio, pressionando economias rurais já fragilizadas.
Apesar do discurso oficial favorável ao acordo, Nassif ressaltou que o texto negociado oferece poucas salvaguardas à indústria nacional, além de limitar a capacidade do Estado de usar compras públicas e políticas industriais como instrumentos de desenvolvimento. O resultado pode ser a consolidação de uma divisão internacional do trabalho desfavorável, com ganhos concentrados em setores primários.
Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas
José de Almeida Bispo
10 de janeiro de 2026 9:58 pmAbraço de afogados.
Mas, se o Brasil tiver um grama de juizo pode fazer a diferença.
Fácil, não é.
A Europa toda vê a América Latina com viu nos últimos 500 anos.
São predadores, enlouquecidos porque o predador que lhe predava levemente perdeu a corrida para uma nova realidade.
Porém, o Brasil ganha a chance de melhor, apesar de mais difícil, barganhar com a China; antes que os Estados Unidos nos entregue-lhe, parcial ou completamente. Para tentar salvar a si próprio.
Anônimo
11 de janeiro de 2026 10:12 amSou um admirador de Nassif, como tantos outros, acompanho o trabalho dele desde muito tempo. Lembro com saudades das entrevistas do Brasilianas.org, transmitidas pela TV Brasil. Acompanho diariamente o GGN, inclusive no Youtube. Ele é para mim é uma referência, até no “chorinho”.
Isso, porém, não me impede enxergar que tanto ele quanto um simples esquerdista como eu padecemos de um mal: sempre preferimos as “adversativas”. Em tudo, colocamos um “mas”, um “porém”, um “entretanto”… em alguns momentos, parecemos o pessoal da direita.
Preferimos apontar os problemas, mesmo que não passem de possibilidades, a enaltecer os nossos feitos. Sobre isso, a direita tem muito que nos ensinar. Eles são mestres em fazer de um limão seco uma limonada. E nós ainda culpamos o governo por falhas na comunicação!
Imagino que isso, entre outras coisas, é fruto do intelectualismo de esquerda pelo qual muitas vezes somos levados a nos deixar dominar.
Nada é perfeito, Nassif, nem nossas percepções!
Edivaldo Dias de Oliveira
11 de janeiro de 2026 12:05 pmA única cosia boa que vejo esse acordo celebrado pelo tio, são as exigências quanto ao uso de veneno pelo agro, que pode nos beneficiar. Mas, se puderem separar o veneno para exportação do que vamos consumir, eles o farão. rsrsr.