O governo do Irã notificou formalmente países vizinhos que irá bombardear bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso venha a sofrer um ataque direto de Washington. A ameaça, relatada por diplomatas e fontes graduadas de Teerã, desencadeou uma movimentação imediata das forças norte-americanas, que iniciaram a retirada de funcionários e militares de instalações estratégicas na região.
O movimento ocorre em um momento de ruptura diplomática total. O contato entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foi suspenso nesta quarta-feira (14).
De acordo com a Guarda Revolucionária, o país está no “auge da prontidão“. Majid Mousavi, comandante aeroespacial iraniano, afirmou à mídia estatal que o estoque de mísseis cresceu desde o conflito de 12 dias travado com Israel no ano passado.
Retirada estratégica no Catar
Como medida de precaução, os Estados Unidos ordenaram a evacuação parcial da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, a maior instalação militar norte-americana na região, que abriga cerca de 10 mil soldados. Diplomatas afirmam que os funcionários receberam instruções para deixar o local até a noite de hoje.
“Trata-se de uma mudança de postura e não de uma evacuação ordenada“, afirmou um diplomata à agência Reuters. A base já havia sido alvo de mísseis iranianos em junho de 2025, após um bombardeio dos EUA a instalações nucleares do Irã. Além do Catar, os EUA mantêm presença militar significativa nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait.
Teerã foi enfática ao avisar nações como Arábia Saudita e Turquia sobre o risco de abrigarem ativos norte-americanos. “Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos EUA nesses países serão atacadas” caso o solo iraniano seja alvo de Washington, disse um oficial sob anonimato.
Pressão de Trump e crise interna
A tensão externa é alimentada por uma crise sem precedentes no interior do Irã. Protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei já deixaram entre 2.500 e 3.000 mortos, segundo levantamentos de ONGs. O governo Trump tem elevado o tom, utilizando o lema “MIGA” (Make Iran Great Again) e instando a população a tomar instituições.
“E, aliás, a todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês“, declarou Donald Trump em discurso recente. Questionado sobre a natureza de uma possível intervenção, o presidente americano foi vago: “A ajuda está a caminho“.
Isolamento diplomático e econômico
A percepção de que o regime iraniano enfrenta sua maior fragilidade histórica é compartilhada pela Europa. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o governo dos aiatolás pode estar em seus “últimos dias e semanas“.
Do lado brasileiro, o governo Lula manifestou preocupação com a escalada de violência, mas defendeu a soberania de Teerã para resolver a crise interna, distanciando-se da postura agressiva adotada pelos norte-americanos.
No campo econômico, a pressão americana também se volta contra aliados. Trump sinalizou que países que mantiverem relações comerciais com Teerã poderão enfrentar tarifas de 25% nas exportações para os EUA.
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