A Universidade de São Paulo (USP) aparece na 17ª posição do CWTS Leiden Ranking (Traditional Edition), resultado superior ao que obtém em rankings como QS, THE ou ARWU, os três principais e mais influentes rankings universitários globais. A diferença não decorre de uma melhora súbita de desempenho, mas do método adotado pelo Leiden, que privilegia exatamente os pontos fortes estruturais da instituição e desconsidera fatores que costumam penalizá-la em outras classificações.
O Leiden se baseia exclusivamente na produção científica, artigos e reviews indexados na Web of Science e não incorpora critérios como reputação acadêmica, prestígio entre empregadores, internacionalização formal, proporção de estudantes estrangeiros, prêmios individuais ou percepção da qualidade do ensino. Nesse modelo, não há espaço para variáveis simbólicas ou mercadológicas.
Nesse contexto, a USP se destaca como uma das maiores produtoras de ciência do mundo. A universidade publicou dezenas de milhares de artigos no período analisado, com produção robusta e contínua em áreas como medicina, ciências da vida, agrárias, engenharias, química, física e ciências sociais aplicadas. Indicadores dependentes de tamanho, como o número total de publicações e a quantidade absoluta de artigos entre os 10% mais citados globalmente, têm peso relevante no Leiden, vantagem clara para instituições de grande escala científica.
Ao contrário de um senso comum difundido, o desempenho da USP não se limita ao volume. Quando o impacto é normalizado por área e ano, como faz o Leiden, a universidade apresenta impacto médio acima da média mundial e insere milhares de artigos entre os mais citados do planeta. O modelo valoriza resultados coletivos e consistentes, e não conquistas individuais raras, como prêmios internacionais.
Outro fator decisivo é que o Leiden não penaliza universidades públicas de perfil nacional. Diferentemente de QS e THE, o ranking não trata internacionalização como sinônimo de qualidade nem exige grande proporção de alunos estrangeiros ou oferta extensiva de cursos em inglês. Sistemas nacionais de pesquisa intensiva, como a USP, universidades chinesas e instituições públicas alemãs e francesas, não sofrem descontos simbólicos.
Já rankings como QS e THE avaliam um conjunto distinto de critérios, combinando percepção subjetiva, internacionalização, força de marca institucional e indicadores heterogêneos. Nesse modelo, a USP tende a perder espaço por não operar segundo a lógica do mercado global de prestígio universitário.
Em termos diretos, a USP ocupa o 17º lugar no Leiden porque está entre as maiores produtoras de ciência do mundo, apresenta impacto bibliométrico sólido e consistente e é avaliada por um ranking que mede ciência, não reputação. Nos demais rankings, sua posição mais baixa reflete menos o desempenho científico e mais a ausência de estratégias voltadas à internacionalização performática e ao reconhecimento simbólico global.
Em síntese, o Leiden revela com maior precisão o papel da USP no sistema internacional de ciência, enquanto QS e THE indicam o grau de reconhecimento da instituição no mercado global de prestígio universitário.
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Talento09
17 de janeiro de 2026 2:45 pmBaita destaque, em 17, destaque é estar em primeiro, viva a pátria educadora, porque não postaram que caiu 10 posições, sempre tentando tapar esse desgoverno.