O presidente Lula (PT) e o homólogo francês, Emmanuel Macron, fecharam uma frente diplomática em defesa das Nações Unidas durante conversa telefônica na manhã desta terça-feira (27). O movimento ocorre em resposta direta à criação do Conselho da Paz, órgão idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para gerir a reconstrução da Faixa de Gaza e atuar em conflitos globais.
No diálogo, que durou cerca de uma hora, os dois líderes reforçaram que qualquer iniciativa de segurança internacional deve estar rigorosamente alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios da Carta da ONU. A posição conjunta sinaliza uma barreira à tentativa de Washington de estabelecer fóruns paralelos de governança global.
Resistência ao fórum de Trump
A ligação ocorreu apenas um dia após Lula ter conversado diretamente com Trump. Na ocasião, o brasileiro sugeriu que o novo conselho se limitasse a questões humanitárias em Gaza e incluísse um assento para a Palestina.
Enquanto a França já recusou formalmente o convite para integrar o grupo, o Brasil mantém a cautela e ainda não respondeu oficialmente, embora Lula tenha criticado publicamente a proposta, afirmando que o republicano busca criar uma “nova ONU” sob seu controle pessoal.
O Planalto informou que, além da questão institucional, os presidentes reafirmaram a necessidade de fortalecer as instâncias multilaterais já existentes, em vez de esvaziá-las com novas estruturas.
Crise na Venezuela e Mercosul
O cenário sul-americano também pautou o encontro virtual. Lula e Macron manifestaram condenação ao uso da força na Venezuela, onde a intervenção militar dos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro no início deste mês. Ambos concordaram com a urgência de preservar a estabilidade regional diante da violação do direito internacional.
Sobre o acordo Mercosul-União Europeia, o tom foi de pragmatismo técnico. Apesar da histórica resistência francesa e do atual impasse jurídico no Parlamento Europeu, Lula reiterou que o pacto é fundamental para o comércio baseado em regras. Os líderes orientaram suas equipes a destravar negociações bilaterais em áreas de defesa, energia e tecnologia, com o objetivo de assinar novos acordos ainda no primeiro semestre de 2026.
Lula embarcou ontem para o Panamá, onde inicia sua agenda internacional de 2026 participando de fóruns econômicos voltados à integração da América Latina.
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