4 de junho de 2026

Carta aberta de Joao Paulo Cunha ao ministro Joaquim Barbosa

Por João Paulo Cunha

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Caro ministro Joaquim Barbosa, há poucos dias, em entrevista, o senhor ficou irritado porque a imprensa publicou a minha opinião sobre o julgamento da ação penal 470 e afirmou que não conversa com réu, porque a este só caberia o ostracismo.

Gostaria de iniciar este diálogo lembrando-lhe da recente afirmação do ex-ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal: “O Judiciário tende a converter-se em um produtor de insegurança” e que “o que hoje se passa nos tribunais superiores é de arrepiar”. Ele tem razão. E o julgamento da ação penal 470, da qual V.Exa. é relator, evidencia as limitações da Justiça brasileira.

Nos minutos finais do expediente do último dia 6 de janeiro, o senhor decretou a minha prisão e o cumprimento parcial da sentença, fatiando o transitado e julgado do meu caso. Imediatamente convocou a imprensa e anunciou o feito. Desconsiderando normas processuais, não oficializou a Câmara dos Deputados, não providenciou a carta de sentença para a Vara de Execuções Penais, não assinou o mandato de prisão e saiu de férias. Naquele dia e nos subsequentes, a imprensa repercutiu o caso, expondo-me à execração.

Como formalmente vivemos em um estado democrático de direito, que garante o diálogo entre o juiz e o réu, posso questionar-lhe. O caso era urgente? Por que então não providenciou os trâmites jurídicos exigidos e não assinou o mandato de prisão? Não era urgente? Por que então decretou a prisão de afogadilho e anunciou para a imprensa?


Caro ministro, o senhor pode muito, mas não pode tudo. Pode cometer a injustiça de me condenar, mas não pode me amordaçar, pois nem a ditadura militar me calou. O senhor me condenou sem me dirigir uma pergunta. Desconsiderou meu passado honrado, sem nenhum processo em mais de 30 anos como parlamentar.

Moro na periferia de Osasco há 50 anos. Trabalho desde a infância e tenho minhas mãos limpas. Assumi meu compromisso com os pobres a partir da dura realidade da vida. Não fiz da fortuna minha razão de existir, e as humilhações não me abatem, pois tatuei na alma o lema de dom Pedro Casaldáliga: “Minhas causas valem mais do que minha vida”.

O senhor me condenou por peculato e não definiu onde, como e quanto desviei. Anexei ao processo a execução total do contrato de publicidade da Câmara, provando a lisura dos gastos. O senhor deve essa explicação e não conseguirá provar nada, porque jamais pratiquei desvio de recursos públicos. Condenou-me por lavagem de dinheiro sem fundamentação fática e jurídica. Condenou-me por corrupção passiva com base em ato administrativo que assinei (como meu antecessor) por dever de ofício.

Por que me condenou contra as provas documentais e testemunhais que atestam minha inocência? Esclareça por que não aceitou os relatórios oficiais do Tribunal de Contas da União, da auditoria interna da Câmara dos Deputados e da perícia da Polícia Federal. Todos confirmaram que a licitação e a execução do contrato ocorreram em consonância com a legislação.

Desafio-lhe a provar que alguma votação tenha ocorrido na base da compra de votos. As reformas tributária e previdenciária foram aprovadas após amplo debate e acordo, envolvendo a oposição, que por isso em boa parte votou a favor.

Um Judiciário autoritário e prepotente afronta o regime democrático. Um ministro do STF deve guardar recato, não disputar a opinião pública e fazer política. Deve ter postura isenta.

Despeço-me, senhor ministro, deixando um abraço de paz, pois não nutro rancor, apesar de estar convicto – e a história haverá de provar – que o julgamento da ação penal 470 desprezou leis, fatos e provas. Como sou inocente, dormirei em paz, nem que seja injustamente preso.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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34 Comentários
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  1. Indignado

    2 de fevereiro de 2014 9:55 am

    As atrocidades da vida

    E já que estamos falando novamente no supremo do supremo, vale a pena voltar a tocar neste assunto:

    Lewandowski dá liminar a advogada cega contra ato de Barbosa

    Quando eu era criança eu conheci alguns garotos maus, desses que furavam olhos de passarinhos com um alfinete, ou que matavam pintinhos afogando-os num balde d’água. Mas conheci um que extrapolava todos os limites. Este chutava de vez em quando a bengala de um cego que morava no bairro. Um dia esse garoto mau foi atropelado por um ônibus quando tentava fugir de alguns transeuntes indignados, depois de ter chutado mais uma vez a bengala que orientava o deficiente visual.

    No episódio envolvendo a advogada Deborah Maria Prates Barbosa (deficiente visual), Joaquim Barbosa foi merecidamente atropelado. Não por um ônibus, mas pela dignidade de um homem que não aceita a postura imoral, o desequilíbrio emocional e a falta de humanidade do presidente da Suprema Corte do nosso país.

    Meus parabéns, Ministro Lewandowsk! Que Deus lhe proteja contra a maldade dos homens!

     

  2. José Carlos Lima

    2 de fevereiro de 2014 10:00 am

    Ah, ministro, dá lincença, já tá amolando demais, cai fora

    O Ministro Rei Midas Joaquim se esqueceu que sabugo de milho, quando sequinho, é ótimo como papel higiênico, sei pq era assim quando morávamos no mato

     

     

  3. Indignado

    2 de fevereiro de 2014 11:04 am

    As atrocidades da vida

    E já que estamos falando novamente no supremo do supremo, vale a pena voltar a tocar neste assunto:

    Lewandowski dá liminar a advogada cega contra ato de Barbosa

    Quando eu era criança eu conheci alguns garotos maus, desses que furavam olhos de passarinhos com um alfinete, ou que matavam pintinhos afogando-os num balde d’água. Mas conheci um que extrapolava todos os limites. Este chutava de vez em quando a bengala de um cego que morava no bairro. Um dia esse garoto mau foi atropelado por um ônibus quando tentava fugir de alguns transeuntes indignados, depois de ter chutado mais uma vez a bengala que orientava o deficiente visual.

    No episódio envolvendo a advogada Deborah Maria Prates Barbosa (deficiente visual), Joaquim Barbosa foi merecidamente atropelado. Não por um ônibus, mas pela dignidade de um homem que não aceita a postura imoral, o desequilíbrio emocional e a falta de humanidade do presidente da Suprema Corte do nosso país.

    Meus parabéns, Ministro Lewandowsk! Que Deus lhe proteja contra a maldade dos homens!

     

  4. Ugo

    2 de fevereiro de 2014 11:39 am

    é o que é

    Joaquim vê-se a tua feroz alegria em proclamar a destruição do sistema. 

  5. julio koerner

    2 de fevereiro de 2014 11:42 am

    explique-me

    Prezado,

     

    O João pegou ou não pegou dinheiro na boca do caixa? 

     

    E quem o condenou foi só o Joaquim ou o plenário do STF?

     

    Obrigado.

    1. Diogo Costa

      2 de fevereiro de 2014 12:47 pm

      Pela milésima vez…

      João Paulo Cunha não pegou dinheiro algum na boca do caixa. Quem sacou o dinheiro foi a esposa dele, que se identificou com o CPF e a identidade (quem vai cometer crimes se identifica com os seus próprios documentos?) e sacou o montante de R$ 50.000,00. Esse dinheiro foi utilizado para pagar a feitura de 04 pesquisas eleitorais. Estas pesquisas e o devido pagamento, com as devidas notas fiscais, constam dos autos do processo. As notas fiscais são ampla, geral e irrestritamente legais, tanto que nem mesmo o Ministério Público pediu a anulação das mesmas ou detectou qualquer tipo de fraude. Tudo isto está lá nos autos do processo e tudo isto foi deliberadamente ignorado pelo verdugo relator.

      1. vilasboas

        2 de fevereiro de 2014 12:59 pm

        Então, caro DIOGO. Tiveram

        Então, caro DIOGO. Tiveram que parar de publicar as últimas assinaturas na petição do impedimento do joaquim pois os fascistas de direita estavam invadindo o enderço colocando nomes cabulosos contra o PT nos emails. Veja só como são desprezíveis.

      2. vilasboas

        2 de fevereiro de 2014 1:10 pm

        Diogo: ontem acompanhei as

        Diogo: ontem acompanhei as últimas asinaturas enquanto ainda não tinham invadido o endeeço. Todos os presidentes do MERCOSUL assinaram, alguns da CELAC. Que estou lembrando só Canadá, Turquia, Espanha, dos mais conhecidos, não assinaram. As assinaturas de presidentes de outros países não digo, mas do MERCOSUL E CELAC, são legítimas,  pois não? Poderíamos dizer que o MUNDO estaria bem ‘ligado’ nesse assunto?

  6. Zanchetta

    2 de fevereiro de 2014 12:05 pm

    … e agora esperamos a carta

    … e agora esperamos a carta fechada de JB para o carcereiro…

  7. vilasboas

    2 de fevereiro de 2014 12:06 pm

    impedimento de joaquim

    Já sabem dessa lista? São quase 4000 assinaturas, inclusive de muito países.

    http://www.avaaz.org/po/petition/Senado_Federal_Impeachment_de_Joaquim_Barbosa/?cyowTab

  8. Idiro

    2 de fevereiro de 2014 12:13 pm

    O que eu achei mais grave
    O que eu achei mais grave foi: “O senhor me condenou sem me dirigir uma pergunta”. Se isto for verdade, isto é, se um juiz condenou um réu à prisão sem lhe fazer uma única pergunda, aí pra mim não faz mais nenhum sentido. Quanto ao Joaquim Barbosa, tenho certeza que ele não vai responder à carta, visto que ele disse que não conversa com réu (se é que disse isto mesmo). Mas se por acaso JB resolver responder, tenho certeza que dirá: “o réu foi condenado por um colegiado, não só por mim, e não antes de um oferecimento de denúncia da PGR”. O que complica é isto. Se de fato não existiam provas contra João Paulo Cunha, por que vários ministros votaram pela condenação? Não creio que tenham todos sido enganados por JB, são todos cobras criadas, tarimbados, não se deixariam levar num jogo desses. Isso é que complica. Por outro lado, já perguntei a várias pessoas que acompanharam o julgamento, todas elas “JB para presidente!”, e nenhuma soube apontar essas benditas provas.

    1. vilasboas

      2 de fevereiro de 2014 12:23 pm

      Caro senhor: a questão maior

      Caro senhor: a questão maior nesse caso implica em pq tão duros com o PT sem provas contundentes , inclusive com humilhação e palavrório horripilante no tribunal e tão dóceis com os outros bandidos, comprovadamente, periculosos?

      Ex: arruda, roriz, maluf, fhc, alquimim, serra, demóstes/gilmau, etc, etc….

    2. MThereza

      2 de fevereiro de 2014 12:49 pm

      Caro Idiro, o tal colegiado

      Caro Idiro, o tal colegiado não é minimamente imparcial. Ultrapassou a politização, pois é claramente partidarizado. Foram tantas as ilegalidades e arbitrariedades ao longo do processo, desde sua origem que não dá nem para começar a listar. Sugiro a leitura do número especial da revista Retrato do Brasil, onde é contada toda a história.  

    3. lenita

      2 de fevereiro de 2014 5:02 pm

      E o sr. acha que o Gilmar

      E o sr. acha que o Gilmar Dantas foi colocado lá prá que?  Soube de fonte limpa que ele é que realmente comandou os demais ministros, que realmente deixam muito a desejar.

      1. Flávio Luís Pantoja Lagoas

        2 de fevereiro de 2014 10:47 pm

        Quem é Gilmar Dantas ?

            Quem é Gilmar Dantas ? Comece a raciocinar, não seja um instrumento ! Pense !

        1. lenita

          3 de fevereiro de 2014 1:44 am

          Há sr. Flávio Luis Pantoja

          Há sr. Flávio Luis Pantoja Lagoas, muito prazer ! Nunca o tinha visto no Blog. Entrou só prá isso ou tem algo mais a dizer. Se tem, diga, por favor. Quanto ao Gilmar o sr. entendeu, né? Todos aqui entendem. É que nós, pobres mortais, nos confundimos as vezes.

  9. Carlos FM

    2 de fevereiro de 2014 12:32 pm

    Dedicado ao Padilha

    Quer dizer que alguém ainda tem espinha dorsal no PT?

  10. MThereza

    2 de fevereiro de 2014 12:42 pm

    As arbitrariedades de jb em

    As arbitrariedades de jb em relação ao João Paulo Cunha garantiram ao togado pelo menos 10 dias de mídia, com fotos “naturais”, fazendo compras, sentado em classe econômica, além de toda repercussõ nos blogues sujos e limpos. Seu inteno era esse. Quano à lei, à justiça, à vida das pessoas que se danem.

    Quanto aos comentários de que o julgamento se deu “num colegiado” e, portanto, supostamente, não caberiam dúvidas sobre a lisura do processo, lembro apenas que o tal “colegiado” é mais do que politizado: é partidarizado, comprometido com um dos lados de nosso espectro político e, antes de mais nada, medroso ante pressões dos grupos que representam. Então, o julgamento não foi legítimo.

  11. HumbertoGuedes

    2 de fevereiro de 2014 12:46 pm

    A coisa é feia!
    A frase

    A coisa é feia!

    A frase atribuída ao ex-ministro Eros Grau é um modo de dizer que o último umbral da esperança social  está em ruínas, e não é de hoje, há mais de vinte anos, vem desmoronando por força da fraqueza da massificação da Justiça, pela operacionalização do Poder Judiciário, situação, diga-se, já em metástase.

    Apesar da simpatia atéia, é de invocar, como expressão de força dramática, “Senhor, olhai por nós”, pois, em terra de desarmamento dos de bem, vez que com bandido tem acordo, remata-se a inversão total dos valores, subvertendo-se, e não transvalorando no sentido nietzscheano, subvertendo, sim, todos os valores de civilidade.

    É imprescindível urgente revisão de tudo o que está aí, destacadamente, no âmbito dos poderes estatais, os três, de todas as esferas, mas principalmente do Poder Judiciário.

    Entretanto, como? Se o Partido Traidor, feito Corso**, esvaziou a possibilidade de mudança da forma de fazer política nestas terras, concorrendo com tiro de morte ao niilismo político pelas vias ordinárias. E não falem em militares, menos ainda em religiosos, tampouco na OAB, também, há tanto, adicta da espetacularização, dos modelitos, dos controles quantitativos, da funcionalização, da especialização, por natureza, idiotizante, ao menos, em princípio.

    E pensar que as palavras, antes de tergiversadas pelos interessismo, pelo capricho delirante da ocasião, intoxicados à medula pela incontinência das pulsões por posses e por dominação, apontam para tão simples soluções, assim: (a) que república é coisa pública, coisa de todos, coisa comum, portanto, devendo ser transparente; (b) que democracia é poder, domínio, governo do povo, logo, do povo, pelo povo e para o povo, inda que, por motivos de execução, mediante representação; (c) que dignificar é elevar e não simplesmente impedir de morrer de fome ou de doença, e elevar significa educação (mesmo!), saúde, moradia e mobilidade, em suma, ser governado para si; (d), que sociedade livre justa e solidária é incompatível com competitivismo darwinista cretinizante, donde como o próprio neoliberalismo, cujas criminosas desmedidas exigem emenda e reprimenda enérgicas.

    A única energia que, todavia, se vê nestas paragens é de ordem pluto-clepto-dividocrata, com o beneplácito dos hiper-super-mega-ricos e dos seus sabujos e agregados, através ou não, especialmente, das corporações, figura na qual há de se incluir o Estado, destacadamente, com seus estamentos a serviço deles, inda que indireto.

    Daí, Sr. Deputado Paulo Cunha, em que pese ser solidário a si, não por seus méritos, que não conheço, ou convicções supostas por pertencer a o que pertence, mas por sua condição de vítima da pior das violências, a violência judiciária, não posso, nem ninguém em sã consciência pode ignorar que o partido de V.Exª concorreu determinantemente para o estado de coisas que vivemos, em razão da traição aos compromissos históricos que o fizeram um aparente novo partido político, tão-só, para fazer a política conservadora, a política do possível – leia-se possível concentração de riqueza das minorias minoritárias mínimas, e difusão de capilé, com as bolsas e o artifício da nova classe média, diga-se, às custas da verdadeira classe média, entre miríade de outros expedientes típicos à tão estimada – a vosotros, diga-se – espetacularização da política.

    Saudações, verdadeiramente, libertárias e enlutadas com sói acontecer.

    * Corso pois chegou ao poder graças à chancela do capital financeiro e industrial.

     

     

  12. João B. do Amaral

    2 de fevereiro de 2014 1:31 pm

    Ministro Joaquim Barbosa: Em

    Ministro Joaquim Barbosa: Em que pé estão as denuncias do mensalão tucano mineiro , da lista de Furnas, do propinoduto paulista,  do mensalão do DEM  no DF , da Máfia do asfalto en SP, do ex senador do DEM Efraim , contra os usineiros irmãos Lira, contra o bicheiro Cachoeira, contra ox tesoureiro de FHC e Serra   Ricardo Sergio, contra o Banco Cruzeiro do Sul  controlado pela família  Indio , contra o ex presidente do Banco do Nordeste Byron Queiroz indicado por Jereissati na gestão FHC etc.  

    1. santiago neto

      2 de fevereiro de 2014 6:56 pm

       
      04/11/2009 às 18h06 –

       

      04/11/2009 às 18h06 – Atualizada em 25/10/2011 às 00h07

      STF: Joaquim Barbosa aceita denúncia contra Azeredo por peculato

      Jornal do Brasil

      Luiz Orlando Carneiro, JB Online

       

       

      BRASÍLIA – Ao fim da leitura de um voto de mais de 70 páginas, que consumiu quase todo dia desta quarta-feira, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito do chamado mensalão mineiro, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), por crime de peculato, que teria cometido durante a campanha eleitoral para sua reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998, num esquema de caixa dois , em associação com o então vice-governador Clésio Andrade, o publicitário Marcos Valério e seus sócios, entre outros.

      Conforme a denúncia, a parceria resultou em desvio de aproximadamente R$ 3,5 milhões do erário estadual. Depois de dois intervalos, a sessão foi interrompida às 17p5, devido às dores na coluna de que padece o relator, e será reiniciada hoje, quando Barbosa deve formalizar também o acolhimento da denúncia quanto à prática de crime de lavagem de dinheiro. Tem-se como certo que a denúncia do procurador-geral da República oferecida em novembro de 2007 será recebida pela maioria absoluta do STF. Nesse caso, será aberta uma ação penal, e o senador Eduardo Azeredo passa da condição de indiciado à de réu.

      O indício mais contundente para que o ministro-relator afirmasse estar convencido da necessidade da abertura de processo penal para o futuro julgamento do senador, por crime de peculato, foi a liberação de R$ 3,5 milhões, pelo Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e pelas estatais Companhia de Saneamento (Copasa) e Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) – dois meses antes da tentativa de reeleição de Azeredo – destinados à promoção esportiva Enduro da Independência . Como a quantia fosse muito elevada, o presidente da Copasa – tendo em vista a magnitude do patrocínio, sem paralelo na história da empresa solicitou ordem por escrito, que foi dada por Eduardo Guedes, chefe da Casa Civil e secretário de Comunicação Social do então governador. Para justificar o montante exigido das instituições públicas, foram acrescentados ao plano de promoção ainda conforme a denúncia – doiss outros eventos ciclísticos: o Iron biker e o Campeonato Mundial de Motocross.

      Joaquim Barbosa sublinhou, ainda, que o Enduro da Independência era realizado, há cinco anos, pelo governo mineiro, mas sempre sob o patrocínio da Secretaria de Comunicação Social. E que nunca custou mais de R$ 100mil. Assim, a seu ver, ficou mais do que comprovada a prática de crime de peculato pelo então governador e candidato à reeleição, em conluio com a empresa de publicidade SMP&B, da qual o então vice-governador Clésio Andrade era titular de 40% das ações e Marcos Valério de 10%.

      O ministro-relator deu destaque também para demonstrar os indícios fortes da naturezacriminosa da conduta de Azeredo a um recibo constante dos autos do inquérito, no qual o denunciado assumiu ter recebido da SMP&B a quantia de R$ 4,5 milhões, para saldar compromissos diversos . Segundo Barbosa, tal recibo desmonta a tese da defesa de que o governador-candidato não teria ingerência direta na administração dos recursos de sua campanha.

      Eduardo Azeredo e o ex-ministro das Relações Institucionais Valfrido Mares Guia (coordenador da campanha de Azeredo) encabeçaram a lista dos 15 denunciados ao STF, em novembro de 2007, pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no que passou a ser chamado de mensalão mineiro. Também foram denunciados o ex-vice-governador Clésio Andrade, Cláudio Mourão (tesoureiro da campanha), o publicitário Marcos Valério e seus sócios Ramón Hollerbach e Cristiano de Mello Paz.

      De acordo com o Ministério Público, na denúncia reforçada nesta quarta-feira pelo novo chefe do MPF, Roberto Gurgel, os elementos de convicção angariados ao longo da investigação revelam que o esquema delituoso verificado no ano de 1998 foi a origem e o laboratório dos fatos descritos no inquérito do mensalão , cuja denúncia foi aceita pelo Supremo em agosto de 2007, tornando réus o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e mais 39 pessoas, incluindo parlamentares. O inquérito do mensalão mineiro relatado também pelo ministro Joaquim Barbosa, por prevenção foi desmembrado em maio último, restando no foro privilegiado do STF, apenas, o indiciado Eduardo Azeredo, por exercer o mandato de senador.

      Ao reiterar a denúncia na sessão desta quarta-feira, o procurador-geral Roberto Gurgel afirmou que todos os denunciados tinham consciência de que a captação de recursos para adisputa eleitoral teria como formato o quadro criminoso descrito , e que o esquema não teria sucesso sem a participação de integrantes da cúpula do estado de Minas Gerais e da campanha de reeleição de 1998 .

      Ao terminar a leitura da primeira parte de seu voto a ser concluído hoje o ministro Joaquim Barbosa frisou que nesta fase do procedimento não são exigidas provas cabais, mas indícios do crime denunciado, que são robustos . Assim, recebeu a denúncia do MPF quanto à prática do crime de peculato.

      Peculato

      O artigo 312 do Código Penal assim define o crime de peculato: Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio .

      A pena é de reclusão de dois a 12 anos, além de multa. Esse crime prescreve em 16 anos. Ou seja, no caso em questão, a prescrição só ocorreria em 2014.

       

  13. PauloBR

    2 de fevereiro de 2014 1:45 pm

    Seletividade

    Barbosa tem a pretensão de condenar João Paulo ao ostracismo – mas fica “de conversinha”  com notório réu, o Sr. Toni Mahfuz.

  14. vilasboas

    2 de fevereiro de 2014 2:13 pm

    (Sem título)

    1. Eduardo G.

      2 de fevereiro de 2014 2:47 pm

      Villas Boas, a informação

      Villas Boas, a informação está errada, pois que não existe mais a ordem de prisão.

       

      STF HC 92356 

      depositário infiel – HC concedido por unanimidade em 2009 (DJE)

      1. vilasboas

        2 de fevereiro de 2014 4:23 pm

        Bom aí, caro, terás que pedir

        Bom aí, caro, terás que pedir informação de um dos jornalistas de maior credibilidade, do BRASIL.

        http://www.diariodocentrodomundo.com.br/joaquim-barbosa-deve-satisfacoes-pela-foto-com-um-foragido/

        […]Nela, JB aparece confraternizando, nos Estados Unidos, com um homem que parece um a mais na multidão.

        Mas não é.

        Ao lado de JB está Antonio Mahfuz, que os amigos chamam de Toni ou Toninho. A foto foi postada por Mahfuz no seu Facebook, e nela ele sauda o “justiceiro” JB.

        Não haveria problema nenhum não fosse Mahfuz a chamada chave de cadeia. Ele fugiu do Brasil, há quinze anos, e deixou atrás de si copiosos calotes. Uma contabilidade recente coloca Mahfuz como réu em 221 processos.[…]

      2. vilasboas

        2 de fevereiro de 2014 5:08 pm

        Mais informações do Toninho,

        Mais informações do Toninho, isto já em 2012:

        http://www.diarioweb.com.br/novoportal/noticias/cidades/86992,,Tradicional+familia+de+Rio+Preto+briga+na+Justica+por+patrimonio.aspx

      3. vilasboas

        2 de fevereiro de 2014 5:32 pm

        Essa, de

        Essa, de 2011

        http://www.diarioweb.com.br/novoportal/noticias/Cidades/53527,,Mesmo+com+divida+de+R$+50+milhoes,+Mahfuz+quer+voltar.aspx

        De qqer maneira, é um senhor que tem e teve pendência na justiça, pelo jeito, sai-se muito bem nesse particular além de contar com amizades poderosas. Parece que só os que não podem contar com as benesses da justiça, no BRASIL, são os petistas.

  15. Rodrigo66

    2 de fevereiro de 2014 3:37 pm

    vamos

    Vamos todos nós petistas fazer uma carta endereçada ao povo brasileiro defendendo também o Marcos Valério e a Katia Rabello.Afinal de contas não é só porque são empresário e banqueiro que devemos nos calar e não nos indignar quanto as maldades de Barbosa! Convoco todos os petistas a defenderem esses injustiçados, Marcos Valerio e Katia, e que façamos tambem doações para que os mesmos possam pagar suas multas! Companheiros a luta é sua, é nossa! Vamos defender Marcos Valerio e Katia Rabello!   ‘ Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer’  Companheiros a luta continua! Trabalhador unido jamais será vencido! Contra as injustiças no processo do mensalao: liberdade agora para Marcos Valerio e Katia Rabello!

     

     

  16. +almeida

    3 de fevereiro de 2014 12:42 am

    Legado

    Tenho a opinião, que o judiciário já é um conversor de insegurança faz algum tempo. Acredito que o STF, expressão maior do judiciário brasileiro, é quem lidera essa conversão através de alguns ministros, que se mostram indignos de pertencerem àquela corte. Quanto ao ministro Joaquim (o metal entre cristais) o melhor recado foi-lhe dado e diz: “o senhor pode muito, mas não pode tudo”. A verdade é que esse recado também é extensivo a todas as autoridades da nossa república, principalmente do judiciário, tais como: Juízes, desembarcadores, procuradores, oficiais de justiça, entre outros. Portanto, temos que parabenizar o deputado federal João Paulo Cunha por não se intimidar com a injustiça que lhe foi aplicada nas sanções autoritárias e políticas de um ministro membro do Superior Tribunal Federal. A coragem usada e colocada, com sabedoria, pelo deputado tem argumentos claros, convincentes, respeitosos e de pleno direito constitucional. Essa brilhante resposta servirá de exemplo para outros, tão injustiçados quanto ele, que certamente poderão precisar usá-lo em um futuro próximo, caso o judiciário persista em manter-se no perigoso rumo que vem trilhando.

  17. Cristiana Castro

    3 de fevereiro de 2014 2:25 am

    Cara, se eu recebesse uma

    Cara, se eu recebesse uma carta dessas, me jogava do Cristo!

    1. autonomo

      3 de fevereiro de 2014 12:05 pm

      Cristina:
      Tenho a impressão

      Cristina:

      Tenho a impressão que as coisas vão se complicar para o nosso Batman quando o congresso for levado a debater a cassação do deputado João Paulo, disposto a provar a sua Inocência.

      As discussões serão duras e se surgirem petistas com a mesma coragem do João Paulo, o congresso vai se desmoralizar completamente caso o condene, diante de tantas provas contrarias.

      1. autonomo

        3 de fevereiro de 2014 12:59 pm

        Desculpe-me,

        Desculpe-me, Cristiana.

        Troquei o seu nome na hora de teclar.

  18. Marcos Antônio

    3 de fevereiro de 2014 11:29 am

    A verdade é que a esquerda

    A verdade é que a esquerda não se sente governo e não age como governo…

    É um corpo estranho no poder…

    Já o barbosão fala como governo e sente como governo, ainda que diga ou faça absurdos!

    A verdade dele é tautológica, não carece de demonstração…

    Já o governo precisa demonstrar tudo e ainda assim fica no descrédito!

    Isso tem um culpado?  

    Sim! Isso tem um culpado, se fosse no mundo do cotidiano seriam as fofoqueiras com seus interesses que criam uma imagem falsa e as repassa para seu grupo e no mundo do poder?

    Elementar meu caro Watson…

    É a mídia com apoios de múltiplos interesses…

  19. arnaldo ribeiro ou israel

    12 de março de 2014 7:13 pm

    BOAS NOVAS

                                A MORTE DE UM REI IMORTAL:

    (MT.23.1)  Então, falou Jesus às multidões  e aos  discípulos, (EX.1.16) Dizendo: (JB.12.23)  É chegada a hora de ser  glorificado o Filho do Homem: (MT.15.10) Ouvi e entendei: (JB.3.27)  O Homem  não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada:(EC.37.28) A vida do Homem se encerra num certo número de dias; porém os dias de Israel são inumeráveis: (AT.20.10) Não vos perturbeis, que a vida nele está; (JB.5.26) porque assim como o Pai tem vida em si mesmo,  também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo:(LC.13.27)  Mas ele vos dirá: (JB.10.28) Eu lhes dou a vida eterna: (GL.2.20) Logo, já não sou eu quem  vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus,  que me amou e a si mesmo se entregou por mim: (RM.6.19) Falo como Homem, por causa da fraqueza da vossa carne:

    Agora que o meu corpo já se curva ante o peso da idade, e já não  dispondo de visão ocular suficiente para este Trabalho; penso que já é hora de retornar para a casa do nosso Pai Eterno, pois Sinto que já estou pronto para voar rumo à glória infinita; (LC.22.37) pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito:

    (JB.5.41) Eu não aceito a glória que vem dos homens, (SL.78.22) porque não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação: (SL.14.3) Todos se extraviaram e juntamente se corromperam, não há quem faça o bem, não há nem um sequer: (2PE.2.31)  Também, movidos por avareza, farão comércio de vós com palavras fictícias:IRRESIGNAÇÃO: Para eles, o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme:(LE.3.17)   Então,  disse comigo: (IS.14.14) Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo; (SL.18.22) porque todos os seus juízos me estão presentes, e dos seus estatutos não me desviei:(SL.122.1)  Alegrei-me quando me disseram:Vamos à Casa do Senhor:; ((1PE.4.17) porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada: (EC..41.5) Não temas o decreto da morte: Lembra-te de todos aqueles que foram antes de ti e dos que virão depois de ti; este é um decreto que o Senhor pronunciou contra toda a carne: (JÓ.5.26/27)) Em robusta velhice entrarás para a sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo: Eis que isto já o havemos inquirido e assim é; ouve-o e medita nisso para teu bem: (SL.116.15) Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus Santos: (JB.15.25) Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: (LC.19.9) Hoje houve salvação nesta casa; (LC.19.10)  porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido:(TG.2.23)  E se cumpriu a escritura  a qual diz:(1CO.15.54) Tragada foi a morte pela vitória: (1JB.5.4)  E  esta é a vitória que vence o mundo: A nossa fé: (JB.15.13) Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a própria vida em favor dos seus  amigos:  (EC.11.24) A benção de Deus se apressa a recompensar o justo, e numa rápida hora o faz crescer (LC.22.69) Desde agora estará sentado o Filho do Homem à direita do Todo-Poderoso Deus:  (JB.8.19) Eis em que deu a tua vida! E do pó brotarão outros; (LS.3.11) porque desgraçado é o que rejeita a sabedoria e a instrução, e a esperança deles é vã e os trabalhos  sem fruto, e inúteis as suas obras: (JÓ.4.20) Nascem de manhã e à tarde são destruídos, perecem para sempre, sem que disto se faça caso:(JB.5.44) Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, contudo, não procuram a glória que vem do Deus único?(EC.32.20) Aqueles  que temem ao Senhor conhecerão o que é justo, e farão luzir as suas boas obras como farol:  (OS.14.9) Quem é sábio, que entenda estas cousas; quem é prudente que as saiba; porque os caminhos do Senhor são retos e os justos  andarão neles,  mais os transgressores neles cairão:   Quem revelará o nosso juízo final?…                                                                                                                                                                                                                        .

     

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