5 de junho de 2026

Superando o imobilismo: infraestrutura como pauta eleitoral, por Augusto Rocha

Precisaremos criar um modelo brasileiro de sobrevivência ao contexto global, para que não sejamos engolidos nos próximos anos
Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

O autor questiona o modelo de austeridade e destaca a necessidade de investimento estatal para o crescimento do país.
Ressalta que o imobilismo favorece interesses estrangeiros e ameaça a soberania nacional brasileira.
Aponta a infraestrutura como pauta eleitoral crucial para 2026, defendendo projetos que promovam desenvolvimento e mobilidade urbana.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Superando o imobilismo: infraestrutura como pauta eleitoral

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Augusto Cesar Barreto Rocha

              Até que ponto faz sentido o Estado não ser investidor? Encontramos um consenso que soa meio certo, meio estranho, dependendo de quem debate: precisamos ter austeridade, em um governo que se assemelha a uma pessoa física. Pensar empresas como pessoas não é uma boa prática. Assim, como não deveria ser uma boa prática comparar as finanças de uma pessoa com um país.

              Empresas e países precisam investir fortemente para conseguirem crescer, mudar, desenvolver. A condição de ficar “parado” em “equilíbrio” só é vantajosa para poucos. O que se verifica no mundo desenvolvido é uma aspiração por mais e mais, em uma ânsia sem fim por mais poder. E quem ficar no imobilismo terminará conquistado ou dominado. Basta ver o que acontece nos mercados de alta tecnologia. Há um combate global e parece que estamos longe destas pautas.

              Por aqui, parece que estamos condicionados por uma dinâmica de não investimento. A questão que me inquieta é para quem interessa não investir? Por qual razão só encontrar espaços onde há interesse de exploração por grupos econômicos estrangeiros? Esta estratégia é ótima para ser dominado e não me parece a melhor estrutura para uma soberania nacional. Precisaremos criar um modelo brasileiro de sobrevivência ao contexto global, para que não sejamos engolidos nos próximos anos por alguma potência estrangeira.

              Será que conseguiremos montar uma linha de construção de novas infraestruturas para o país ou seguiremos a pensar num Brasil sem um Estado investidor para a redução das desigualdades. Este modelo de não investimento não leva a mais prosperidade. Os momentos quando o país cresceu sempre foram derivados de forte investimento público ou privado. A questão é: como criar este ambiente? Qual será o espaço da infraestrutura no debate eleitoral nacional e estadual em 2026?

              Gostaria muito que a pauta seja capturada por modelos de país onde a ciência se reencontre com as necessidades da população e das empresas. Hoje estamos atolados em ideias vagas e todas consolidadas no não fazer. Como se fosse possível crescer sem investimento. Como se fosse possível a transformação sem a mudança das práticas.

              Há tempo para colocar a pauta da infraestrutura no debate público. Seja na construção de grandes projetos interestaduais, seja na grande oportunidade para repensar a mobilidade urbana. Muito pode ser feito com desafios e missões para transformar a realidade do país. Para isso teremos que sonhar e fazer projetos de um Brasil mais desenvolvido. Precisamos sair das armadilhas de imobilismo estrutural.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Luiz Felipe Muniz de Souza

    2 de fevereiro de 2026 10:00 am

    Exatamente isso!

Recomendados para você

Recomendados