21 de maio de 2026

Concessão da infraestrutura, por Augusto Rocha

Precisamos começar a distinguir quando cabem e quando não se admitem concessões e a construir infraestrutura das duas formas.
Foto de Tânia Rêgo - Agência Brasil

Governo Lula 3 lidera concessões de infraestrutura com 50 leilões em 3 anos, superando FHC e Bolsonaro.
Concessões beneficiam áreas ricas, mas aumentam desigualdades e prejudicam regiões periféricas do Brasil.
Concessões retiram do Estado papel central, exigindo debate sobre quando são adequadas ou prejudiciais.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Concessão da infraestrutura: o desafio das periferias no desenvolvimento nacional

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Augusto Cesar Barreto Rocha

Quando o Brasil será um país para todos? Parece que isso está longe da pauta, pois os consensos e o que acontecem na institucionalidade carece de reverberação nas massas e para as periferias nacionais. As elites se protegem como todas as elites e as multidões se perdem em fofocas e no credo a um líder imaginado, que não tem ressonância nos fatos da realidade nua e crua. Assim, o debate público se afasta de fatos e dados, salvo em alguns momentos, que precisamos aproveitar com zelo.

Quando todos pensavam que o Governo atual seria contra privatizações, eis que vemos a pena assertiva da Folha de São Paulo, em 18/01/2026, com a métrica objetiva e o fato: o governo Lula 3 foi o que mais fez concessões de infraestrutura, com 50 leilões, quase o dobro das 26 dos governos FHC e, em 3 anos, com 5 a mais do que o governo Bolsonaro. E isso é negativo? Bem, depende. Tudo depende. Nenhum governo é apenas positivo ou negativo. Tudo dependerá do olhar de quem ganha, de quem perde. Afinal, concessões públicas podem ser positivas ou negativas, a depender de quem a observa ganhando ou perdendo.

A questão central aqui é que concessões são formas de fazer infraestrutura em localidades onde já há demanda econômica, onde é possível cobrar pelo uso delas, onde é possível extrair recursos do usuário para uma atividade que é ou deveria ser papel do Estado em troca dos impostos já pagos. Pode ser mais eficiente? Se a localidade é rica: com certeza! Para quem tem dinheiro, conviver com pedágios é palatável. Para quem não tem é impossível ou inaceitável.

Para a redução das desigualdades regionais, para as áreas mais pobres ou isoladas do Brasil, para onde se pode ter um crescimento, desenvolvimento e progresso muito maior do que nas demais regiões: muito negativo, pois simplesmente terá uma acentuação, um aumento, um incremento nas desigualdades, afinal, para estas localidades, não caberão concessões. Nós, do Norte do país, estaremos muito mais distantes da superação das desigualdades, pois as demais áreas seguem a aumentar a assimetria do estoque de infraestrutura.

A história se repete. Parece positivo e é bom para os mais ricos. Parece negativo e é danoso para as regiões periféricas do Brasil. E é isso que irrita a periferia de qualquer aglomerado humano, seja no Irã, seja nos EUA, seja no Brasil: a prosperidade gritante para alguns e a pobreza e o esmagamento econômico para outros. O contraste é terrível. O Brasil poderá crescer além dos voos de galinha. Tudo depende se nos concentraremos em fofocas e nos fatos conectados com um passado que de próspero não tem nada ou daremos atenção para a construção de um país para todos.

Os métodos de concessão podem ser positivos para as concessionárias, podem ser rentáveis, mas são apenas uma forma de retirar do Estado um de seus papéis centrais, cobrando por cada pequeno dever básico, seguindo a arrecadar bilhões de impostos. O tal neoliberalismo que segue, com ares e rótulo de esquerda, mas que de esquerda não tem muito. As concessões são ótimas, em um contexto, mas são péssimas em outros. Precisamos começar a distinguir quando cabem e quando não se admitem concessões e a construir infraestrutura das duas formas. Precisamos de mais jornalismo de dados e de política pública. Com reflexões assim talvez seja mais fácil compreender o que é um governo de “frente ampla” e porque outros grupos democráticos ficam com pouco espaço.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados